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terça-feira, 26 de junho de 2012

40 anos


 Publicado no Diário Popular do dia 16 de maio de 2012

Então fiz 40 anos. E muitos me perguntam qual é a sensação de chegar aos 40. Respondo que é como fazer 38, ou 39, e que deve ser a mesma de fazer 41. Mas se tivesse que dar a este evento uma simbologia eu diria: fazer 40 anos é como completar a primeira etapa de uma partida de futebol. É quando o treinador reúne seu time no vestiário para analisar o primeiro tempo, corrigir as deficiências e se preparar para a etapa final. Analisando meu primeiro tempo:
      Aos seis minutos, digo, com seis anos, no jardim da infância, correndo pelo pátio na hora do recreio, passei por trás dos balanços e um deles me atingiu em cheio no rosto. Lá se foram dois dentes, com raiz e tudo. Dias depois, já recuperado – mas banguela - na mesma escolinha, um coleguinha me empurrou na fila e caí de mau jeito por cima do braço. Minha primeira fratura. Desisti do jardim. Depois fui crescendo como uma criança normal, com alguns arranhões, cortes, queimaduras, essas coisas. Já com 21 anos e morando em Porto alegre um grave acidente mudou minha vida. Mais de duas dezenas de cirurgias e longas internações hospitalares passaram a fazer parte dos meus dias, meus e de minha família. Voltei a andar normalmente depois de três anos, mas vinte e quatro meses depois uma nova queda e nova fratura, o que resultou em mais um ano andando de muletas.  Tive ainda três carros roubados e nenhum recuperado (em Porto Alegre isso não impressiona mais ninguém). Resumindo, foi um primeiro tempo difícil.
     Mas de onde o time tira forças para enfrentar todas essas provações e começar o segundo tempo? Tira da torcida. Por diversas vezes me queixei da má sorte, do azar, dos infortúnios da vida. Mas esquadrinhando a minha primeira etapa eu vi que tenho, sim, muita sorte. Que sorte é eu ter os pais que tenho. Que sortudo eu sou por ter os irmãos que tenho. Tenho sorte por ter minha mulher sempre do meu lado e por ter duas filhas maravilhosas.  Que tremenda sorte a minha ter os tios, tias e primos que eu tenho.  Como é grande a minha boa sorte por ter amigos verdadeiros durante todo esse tempo. Tamanha é minha sorte que até meus cunhados, minha cunhada e minha sogra são pessoas especiais. Agora me responda: que time pode perder um jogo com uma torcida dessas? Nenhum. 40 anos. E o segundo tempo está apenas começando.

4 comentários:

  1. Que coisa mais linda isso Maurício...Lindo mesmo...Quero logo, logo chegar aí...Um abraço gigante e parabéns por essas colunas cada vez mais ricas!!!

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    1. Oi, Fabiani... obrigado. Esse foi meu discurso de aniversário. Gostei tanto que talvez faça 40 por mais uns dois ou trÊs anos hehe. Fico feliz que tenhas gostado. Abraço. Ah! Segue o blog aí que podes ganhar um jantar na pizzaria.

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  2. Tchê, descobri que temos algo em comum na infância. Quando eu era piá, minha babá se descuidou na pracinha e um balanço também me acertou em cheio. Os dentes ficaram intactos, mas quebrei a clavícula...

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    1. Pois até hoje, Iuri, não levo muito esses balanços pra compadre hehe. Acho que é trauma. Obrigado pela postagem e parabéns pelo sucesso do livro.

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