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quarta-feira, 27 de junho de 2012

Anjos da Guarda

Publicado no Diário Popular  do dia 17 de junho de 2012
Dizem que devo a vida ao médico que estava de plantão na emergência do hospital em que dei entrada logo após o acidente. Sou realmente muito agradecido a este profissional – que tanto pode ser um homem quanto uma mulher, pois infelizmente não o conheci consciente – que soube tomar as decisões certas no momento de prestar os primeiros e decisivos socorros. Devo também agradecer ao taxista que, naquela madrugada deserta de novembro de 1993, passava pelo local e testemunhou a colisão, contatando prontamente, pelo rádio, a brigada militar, a quem agradeço por ter imediatamente chamado a unidade de paramédicos, que também agradeço imensamente. Do momento do acidente até minha internação na emergência não devem ter se passado mais de doze minutos. A rapidez do socorro também me salvou.
       Minha passagem pelo Hospital Cristo Redentor, em Porto Alegre, no entanto, não foi tão breve assim. Foram os primeiros três meses de internação, de mais de 420 dias. Três meses inteirinhos dentro de um quarto, sem sentir o calor do sol na pele, é mais claustrofóbico do que participar do BBB, porém com um ponto em comum com o programa: não conhecemos ninguém quando chegamos, mas com o passar dos dias firmamos relações fortes e indeléveis dentro da “casa”. Foi assim com o pessoal da enfermagem do CR e foi assim, também, com os enfermeiros dos hospitais de Pelotas, onde fiz a maior parte do tratamento e das cirurgias.
       Diferentemente de Porto Alegre, aqui em Pelotas o médico me visitava diariamente, e é graças a ele, ao Dr. João Ivan Lopes, que hoje caminho com minhas duas pernas. E sem dúvida, tão importante quanto o trabalho do cirurgião é o atendimento dos técnicos e auxiliares de enfermagem. Se um hospital tem alma, eu diria que eles, os enfermeiros, a compõem. Alguns até chegaram a me visitar em casa após minha alta; e quando cruzava com algum deles pela rua, era reconhecido,  chamado pelo nome e cumprimentado como um amigo. Mas, sobretudo, é a dedicação deles no trabalho que os faz ser o que são: anjos da guarda. Fazem os curativos, aplicam medicamentos, dão banho no paciente - se este precisar; alimentam-no – se necessário.       
        Quando eu ia para casa, quase todos que estavam trabalhando naquele horário vinham ao meu quarto para dar um adeus. Meu desejo, naquele momento, era poder me despedir e agradecer a todos os que cuidaram de mim durante a internação, mas muitos estavam de folga ou então cuidando de outros pacientes em outros hospitais da cidade. Depois de muito tempo fora dos hospitais ainda consigo me lembrar de muitos deles, dos seus nomes, das conversas descontraídas, do carinho ao paciente e à profissão.
     Agradeço, mormente, a Deus, por cruzar o meu caminho com os do taxista, do PM, do paramédico, do médico plantonista, dos cirurgiões e dos técnicos e auxiliares de enfermagem, que neste último dia 20 foram merecidamente homenageados em todo o país. Parabéns a eles!

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