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segunda-feira, 25 de junho de 2012

Cassino, 20 anos depois.

(Texto publicado no Diário Popular do dia
05/03/2012)

Imagine a cidade de Pelotas ou Rio Grande com apenas 
uma agência do Banrisul e uma do Banco do Brasil por três meses. 
É assim que Cassino recebe seus veranistas na alta temporada.

           



          Depois de longos 20 anos pude, finalmente, retornar à praia do Cassino para uma curta, porém proveitosa, temporada de verão.  Estava quase tudo lá, bem como me lembrava. E lembranças eu guardo bastante, já que do zero aos vinte anos de idade eu fui  com minha família em todos os verões, religiosamente, com ou sem sol, com ou sem chuva. Vinte anos, vinte veraneios. Hoje, caminhar pela Avenida Rio Grande, andar até os Molhes da Barra, comer milho verde na areia da praia foi uma viagem gostosa ao passado. Desde então, pouca coisa mudou. E isso não me pareceu tão bom.
           A população de veranistas cresceu absurdamente neste último ano. Na década de 90 e na primeira dos anos 2000 o grande movimento se concentrava, principalmente, entre a estátua da Iemanjá e o antigo Terminal Turístico, com alguns poucos banhistas espalhados por além desses limites. Desta vez o que mais me impressionou foi o imenso mar de pessoas aproveitando o verão na orla. Dos Molhes da Barra até onde pude ver pros lados do Navio Encalhado era um imenso colorido de  guarda-sóis, carros e muita, muita gente. Parecia que a população inteira de Rio Grande estava na praia. E Cassino daquele jeito, quase igual a como eu lembro de 20 anos atrás. O mesmo mercado, a mesma padaria, as agências bancárias,as mesmas ruas esburacadas (recém agora estão pavimentando a Av. Atlântica), os mesmos valões a céu aberto despejando sua imundice no mar e abrigando uma gigantesca colônia de inconvenientes mosquitos. Na rua onde eu fiquei (Dom Pedrito) o caminhão de lixo não passa. Um vizinho me avisou que eu deveria colocar o meu lixo na esquina mais próxima, ou seja, na lixeira de outra casa ou então nos pregos cravados nos postes.Sacolas de lixo no chão nem pensar, pois o contingente de cães vadios – muitos deles abandonados por veranistas - também é grande. Faltam bons restaurantes, bares, campings com espaço e estrutura de camping, lixeiras.  Sobram filas, insetos, engarrafamentos (ocasionados por uma sinaleira necessária, mas com o “time” injusto para quem vem pela av. Atlântica e pretende ingressar na avenida principal) e farmácias, que deste comércio o veranista está bem servido. Como naquela época, os sinais de rádio e TV mal chegam às antenas receptoras. Parece que Cassino ainda é tratado como um bairro distante do centro de Rio Grande, e não como a maior e mais importante praia do sul do estado.
        É evidente que alguma coisa deverá ser feita para facilitar a vida do veranista nas próximas temporadas, pois o fantástico crescimento da região, alardeado aos quatro ventos, poderá complicar um pouco a diversão na beira-mar. A duplicação da BR está a pleno vapor, resta agora planejar a infraestrutura deste balneário que se orgulha por ter a maior praia em extensão do mundo. Porém, como dizem, tamanho não é tudo.
            Mas esta é apenas a minha opinião.

OBS: Publicada originalmente há um ano atrás. Hoje o Cassino conta com uma agência da Caixa, mas a buraqueira nas ruas continua, além da falta de estrutura para receber turistas e moradores.



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