Pesquisar neste blog

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Ditos Gauchecos Ditos em Copa

Já escrevi aqui no blog o que penso sobre os autores de piadas. Tremenda injustiça, pois a maioria vive no anonimato, nas trevas da fama, na obscuridade da literatura, no ermo da história. Zeca Pagodinho, quando canta seus sambas em programas de televisão, como o fastidioso Domingão do Chatão, sempre – e com muita justiça – divulga o nome dos compositores. Já um comediante em seus stand ups (nome da moda) conta as piadas que nem ele sabe quem é o autor . Deve ser assim também com os “ditos gauchescos”, aquelas frases humoradas que a gauderiada de antigamente usava para fazer comparações e ilustrar seus causos. De sua autoria também nada se sabe, de modo que surrupiei alguns para preencher meu conto, Ditos Gauchescos ditos em Copacabana. Ah! E a tal história do falso sequestro que eu tinha prometido vai ficar pra depois, pois estou mais apressado do que... bem, tá no conto.





                                DITOS GAUCHESCOS DITOS EM COPACABANA

           Esse meu amigo, o Mineiro, é mineiro mesmo, de Perdões, cidadezinha simpática também conhecida como Cidade da Amizade. Conhecemo-nos na faculdade, aqui no Rio. Há três anos ele foi fazer um curso de pós-graduação em Porto Alegre, conheceu uma garota e não voltou mais. Hoje o Mineiro fala bah!, tchê, torce pro Grêmio a acha tudo tri-legal. Pensava justamente no Mineiro quando encontrei um ex-colega do escritório, que atualmente trabalha em uma multinacional e que foi transferido para a filial gaúcha. Ele estava de férias aqui no Rio quando nos encontramos no calçadão mais famoso do Brasil: praia de Copacabana. Sentamo-nos num quiosque, eu para comer minha tigela diária de açaí; ele preferiu uma caipirinha, já que não tinha chimarrão.
     - Mas então, Sandro, meu brother, você já está bem ambientado lá no Sul? Não vai contar pra mim que você já está até usando aquelas calças largas que eles vestem por lá?!
    - Que nada, merrmão, sou carioca, da gema. ‘Cê me conhece. Já estava morrendo de saudade dessa prainha aqui, das mulatas, do samba, do Maracanã.
     - Falando no Maraca, viu como está nosso Mengão? A coisa não tá muito fácil pro rubro-negro.
    - Bah!, O tempo lá no pampa anda mais curto que coice de porco. Não estou conseguindo acompanhar o campeonato. Estou mais por fora do que braço de caminhoneiro, em assuntos de futebol.
     - Bah!? Que frescura é essa, Sandrão? Que negócio é esse de bah?!
     - Ah, brow, tô só tirando onda com você, rapá.
    - Sei...tá. Mas diz aí, o pessoal lá da empresa já está acostumado com seus métodos dureza de trabalhar?
    - Guri! Cê sabe, sou dureza mesmo, duro como salame da colônia. Pra você ter uma idéia, lá na empresa sou mais conhecido do que parteira em campanha. Sabe como é, no início eu estava mais perdido do que cachorro em dia de mudança. Ficava ali, quieto no meu canto como guri cagado. Mas coisa e tal vi que o negócio é ficar ligado no lance. Foi o que fiz, fiquei mais ligado do que rádio de presidiário. Hoje eu sei de tudo o que se passa na empresa. De tudo! Sou mais informado do que gerente de funerária. Ô garçom, dá pra trocar esse copo aqui? Tá mais gorduroso que telefone de açougueiro.
    - E as gaúchas, verdade que são muito bonitas? Garanto que o velho Sandro já arrumou uma namorada porto-alegrense, heim?
    - Que namorada que nada. Com tanta mulher bonita que tem vou querer me amarrar? Eu não. Quero ficar solto. Mais solto que peido em bombacha. Esses dias mesmo fui com uns colegas num bar lá na Cidade Baixa, região boêmia de Porto Alegre. Barzinho maneiro, só que tinha muita gente. Estava mais apertado do que calça de fresco. Mas tudo bem, não dei muita bola, porque logo de cara uma mina se vazou pra mim. Bonita como laranja de amostra. E eu ali, na minha, dançando, saracoteando mais do que bolacha em boca de véia banguela. Quando fui tirar água do joelho eu a vi, lá no fundo do corredor que levava aos banheiros. Um corredor comprido como xingada de gago. Mas fui indo, devagarzito como enterro de viúva rica. Lá dentro tava abafado, maior calor, quente que nem frigideira sem cabo. E eu tô faceiro como mosca em tampa de xarope. De repente, mermão, chega um grandão, feio como indigestão de torresmo. Não é que o medonho é o namorado da mina? Ensaiei uma meia volta e deitei o cabelo, fui embora. Tinha que acordar cedo no outro dia pra trabalhar, sabe como é.
      - E seu chefe lá na empresa? Vocês se deram bem no trabalho?
      - Ah.. o cara é sério como defunto e grosso como parafuso de trator. Mas ele não me incomoda. A gente se acerta. Mas e tu, tchê!? Vamos falar um pouco de ti. Engordou um pouquinho desde a última vez em que nos vimos.
      - Pois é, acho que é esse açaí. Fiquei viciado.
     - To vendo, tu tá mais pesado do que sono de surdo. Lá no Rio Grande eu me controlo pra não exagerar no churrasco, que é mais gostoso que beijo de prima.
    - Você chegou a telefonar pro Mineiro, aquele meu amigo? Ele disse que poderia te ajudar em qualquer coisa que fosse preciso.
    - Barbaridade, brow, liguei pro piá. Mas, sinceramente, o sujeito é teu amigo, mas é chato como chinelo de gordo. Anda sempre apressado, parece cavalo de carteiro, sempre na correria. Mora lá há pouco mais de três anos é já fala todo que nem gaúcho?! Eu, heim!! Bem capaz. Ô garçom, traz outro copo que esse aqui tá mais nojento do que mocotó de ontem. Mas e tu, tchê brother,  o que me contas aqui do Rio? A la pucha! Isso aqui sim é vida. Mas bah!, tchê!

Nenhum comentário:

Postar um comentário