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quinta-feira, 28 de junho de 2012

Doação e Voto

 Publicado no Diário Oficial de 02 de julho de 2012
Quando morava em Porto Alegre, por algum tempo eu fiz doações, em dinheiro, para uma creche que abrigava crianças carentes. A escola agendava a doação por telefone e um motoboy passava, mensalmente, para recolher os vinte reais mediante entrega de um recibo com o nome e CNPJ da escola. A cada contato por telefone a moça me convidava para ir conhecer a creche e o trabalho que lá realizavam. Nunca fui, porém imaginava que meu dinheiro estava sendo bem utilizado, amenizando os problemas enfrentados por crianças em dificuldades.
        É mais ou menos o que o governo faz com o Bolsa Família: distribui dinheiro (do contribuinte) às famílias carentes, de baixa ou nenhuma renda, e imagina – sem ter certeza - que desse modo está contribuindo para um futuro melhor para essas pessoas.
      Alguns críticos desse sistema dizem que esta alternativa de auxílio acaba valorizando a pobreza e acomodando o beneficiado, pois, em tese, este deixa de lutar por educação e emprego melhores. O governo não fiscaliza eficientemente a contrapartida – como frequência escolar, uma das condições para receber a Bolsa. Outros opositores ainda acusam o programa, que nasceu na esfera da educação e que depois foi transferido para a do social, de armadilha para captar de votos. Mas é inegável que, apesar de suas falhas e deficiências, o Bolsa Família é considerado por governos do mundo todo como uma importante inovação nos programas de combate à miséria, sendo, inclusive, adotado por muitos países, alguns até do chamado primeiro mundo.                         
       Após a grande depressão de 1929, que arrasou a economia norteamaricana e que, de quebra, afetou muitos países ao redor do planeta – inclusive o Brasil, que exportava muito café para os EUA - o presidente Roosevelt adotou severas medidas para salvar o que restou das finanças do país. Preocupado com as crianças cujas famílias perderam tudo o que tinham (algumas ficaram órfãs devido ao grande número de suicídios), o governo criou um programa para incentivar as adoções. Famílias que conseguiram salvar algum patrimônio e que não tinham filhos recebiam uma ajuda financeira do governo para adotarem essas crianças. Dessa forma ficava garantido o sustento dessas novas famílias e evitava-se a proliferação de sem-tetos. Para certificar-se dos resultados do programa, autoridades faziam visitas periódicas a essas famílias para ver como seus novos membros estavam sendo tratados.
      Pode-se acusar o Bolsa Família de incentivar o aumento da natalidade entre às classes mais pobres? Ou as famílias americanas de tirarem proveito da desgraça alheia para tomar dinheiro do Estado? E o que dizer do cidadão comum que faz doações, mas que não tem a mínima ideia de como seu dinheiro está sendo utilizado? O que fica evidente é que para resolvermos as mazelas do país, todos devem fazer a sua parte, governos e cidadãos comuns, sem nunca deixar de assegurar que esses esforços não estejam sendo em vão. Este pensamento me remete à figura do nosso vereador, cuja principal tarefa é fiscalizar, através do nosso aval, os mandos do executivo. Voto também é doação. Faça-o com critério.




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