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sexta-feira, 29 de junho de 2012

Espaço para o Lixo

 Publicado no Diário Popular de 04 de julho de 2012
O mundo é grande ou pequeno? Grande, se você passar cerca de 16 horas dentro de um ônibus para viajar de Pelotas a São Paulo. Eita, mundão de Deus. Pequeno, se passeando pelo centro de São Paulo, para repetir o exemplo, você, assim do nada, topar com um amigo de infância, um professor do primário ou um parente distante. Nossa! Que mundo pequeno. Mas o fato é que no planeta Terra, com pouco mais de 510 milhões de km², já está faltando espaço. Pelo menos para o lixo.
      Pelotas acaba de inaugurar o serviço de transferência do lixo produzido na cidade. Diariamente, quatro caminhões bitrens farão oito viagens, conforme o noticiado, carregados com toneladas de lixo para um depósito em Candiota. O aterro sanitário pelotense está saturado, problema comum a muitas metrópoles. Aprendi que nada, produto algum, se deprecia ao valor zero. Qualquer material, qualquer sucata, se existe e ocupa espaço, tem algum valor ou gera algum valor, positivo ou negativo. Esse lixo, por exemplo. Não é barato aos cofres públicos esse processo de transporte e tratamento. Entretanto, não é capricho, mas necessidade.
    Receio que não seja só para o lixo que produzimos que falta espaço. Neste mundão está faltando espaço, também, para os ciclistas, para os carros, para os caminhões (agora serão mais quatro bitrens, com 40 toneladas cada, na rodovia). De novo fico imaginando o benefício de uma estrada de fero ligando a unidade de transbordo de Pelotas até o aterro de Candiota. Vagões lacrados carregados de lixo em um transporte limpo e seguro, para si e para os usuários da BR. Mas, de novo, estou querendo demais.
    A Conferência Rio+20, que busca alternativas para o desenvolvimento sustentável do planeta, frustrou muita gente em seu texto final. Não atendeu às expectativas dos países mais pobres que cobram medidas a curto e médio prazo e acusam os países mais ricos de causarem maiores danos ao meio ambiente. Os mais ricos, por sua vez, dizem: “- Relaxem, vamos poluir só mais um pouquinho e depois a gente para. Prometo!”.
     Mas a perigosa verdade é que além de espaço, na Terra já está faltando água potável e ar fresco, faltam florestas, falta conscientização. O planeta não é uma fonte inesgotável de recursos, como alguns pensam. É finito. Previsões e teorias apocalípticas à parte, o fim do mundo é inevitável, ou, pelo menos, o fim da vida no planeta. Por favor, não se assuste, amigo leitor, pois diferentemente do que brada o doidivanas na praça, o fim não está próximo, mas sim a alguns bilhões de anos. Mas antecipar pra quê?! Portanto, separe o lixo e deixe pra lavar a calçada com água da chuva. Apague as lâmpadas da sala vazia, caminhe, ande de bicicleta, plante, recicle, enfim... cuide do seu planeta.

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