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segunda-feira, 25 de junho de 2012

Impostos e Felicidade

Texto publicado no Diário Popular de 05 de abril de 2012.
           


Há algumas semanas a revista Veja trouxe uma matéria mostrando que os brasileiros pagam mais por alguns produtos aqui no país do que quando comprados em lá fora. Não se tratava de produtos similares, mas sim do mesmo produto, saído das mesmas fábricas, geralmente chinesas. Não são apenas  iPhones, jeans, tênis e relógios, que foram os produtos exemplificados na reportagem de capa, mas de cosméticos a automóveis, tudo é mais caro aqui no Brasil. Com o dinheiro desembolsado para comprar um Uno aí na sua cidade, mesmo com a isenção de IPI, você poderá sair de uma concessionária europeia guiando um Honda Civic. Apesar disso, o brasileiro nunca comprou tanto como agora, seja aqui no Brasil, seja nos EUA. Hoje está mais fácil entrar no país norte-americano, pois eles sabem que os brasileiros são a mina de ouro deles. Centenas invadem suas lojas todos os meses para comprar, e comprar muito, pagando à vista. Atualmente somos o principal consumidor estrangeiro naquele país.
          A revista aponta algumas causas prováveis para a absurda diferença de preços, que não são mais baratos apenas nos EUA, mas em diversos outros países. Alguns produtos chegam a custar 250% a mais aqui no Brasil. A principal razão é alta carga tributária, aliada à política cambial. O nosso imposto sobre consumo – o ICMS – é um dos mais elevados do mundo, e acaba castigando os consumidores com menor poder aquisitivo. As classes C e Média são as maiores consumidoras de produtos e serviços no país, e não é todo mundo que pode juntar a família, entrar num avião e encher as sacolas de compras nas lojas de Miami. Restam-nos os crediários, e no final da compra acabamos pagando dois e lavando um. Isto, porém, não tira a alegria do brasileiro, como mostra uma recente pesquisa que aponta o Brasil como o país mais feliz do mundo.


           De algum tempo pra cá a fotografia verde e amarela tem se alterado visivelmente. A economia do Brasil cresce constantemente e temos hoje uma das moedas mais valorizadas do mundo, à frente, inclusive, do dólar americano. 
          Desconheço os critérios da pesquisa que nos agraciou pela quarta vez com o título de Povo Mais Feliz do Mundo, mas se a pergunta me fosse direta e objetiva eu responderia sem hesitar: serei o povo mais feliz do mundo quando meus filhos tiverem educação eficiente e quando seus professores tiverem salários descentes. Serei o mais feliz do mundo quando nossos doentes tiverem hospitais equipados e atendimento para todos. Serei muito feliz quando cessarem as mortes nas estradas e quando não precisar pagar tão caro para transitar por elas. Serei imensamente feliz quando puder andar pelo meu bairro sem medo de ser assaltado, quando os corruptos forem punidos, quando não me sentir roubado na bomba de gasolina ou quando puder deixar o carro na rua (tive três carros roubados num período 4 anos em Porto alegre). Serei incrivelmente feliz quando não precisar ir tão longe para pagar um preço justo por uma mercadoria. Até que isso aconteças, vou atrás dos meus momentos felizes.


*Próxima postagem:

Como um policial militar teve influência direta para a criação do Bando, minha efêmera banda do final dos anos 1980. Veja as fotos do show no Cine Esperança.

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