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terça-feira, 26 de junho de 2012

A Invasão

A Invasão

          Na estrada antiga que liga Pelotas a Pedro Osório, logo na saída do Cerrito em direção a Pelotas, existe uma estrada secundária, um corredor, que leva ao Cerro Pelado, onde foi instalada a antena que recebia o sinal de televisão, e ainda recebe, acredito. Pois bem, por esse corredor, antes de chegar ao topo do cerro, está localizada a estância de Afrânio La Rosa Amaral, gauchão dos quatro costados, do qual tenho o privilégio de conhecer.
          Tinha chegado um inverno daqueles que até cavalo anda de touca, e o Afrânio, na madrugada, resolveu descer o Cerro, à cavalo, para ir à cidade fazer umas compras. Acendeu um palheiro para espalhar a cerração (naquele tempo ainda fumava), quando na curva da entrada da estrada, bem próximo a uma figueira, enxergou um vulto, que a seu ver, só podia ser uma nave espacial.
          Luzes de todas as cores, piscando, volteando, que chegou a tontear em cima do cavalo. E ao lado da nave, um vulto menor, de mais ou menos um metro de altura.
         Mas o Afrânio, que não tem medo de nada, pois se é para morrer, que se morra peleando, e se é para viver, que não seja fugindo.
        Atirou fora o palheiro, apeou do cavalo, e foi se chegando de relho na mão, pronto para fazer um discurso.
        Bem próximo ao vulto, em posição de combate, falou bem alto:
       Sou Afrânio La Rosa Amaral, terráqueo, dono destas terras, fazendo contato.
E foi quando, depois de um silencio comprido, veio a resposta numa voz assustada:
       Sou o Eloni, cerritense, dono deste caminhão, fazendo cocô.

Adaptação de Jou Silveira

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