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segunda-feira, 25 de junho de 2012

microcontos

                                                              Aline Valek

          “Quando acordou o dinossauro ainda estava lá.”
          Você conhece esta frase? Sabia que se trata de uma obra literária completa?  E esta outra: “Vende-se sapatos de bebê, sem uso.” Você sabe quem é o autor? Estes são dois dos mais conhecidos minicontos, ou microcontos, já escritos.   O primeiro é de autoria do hondurenho Augusto Monterroso que, diferente de seus contos, teve uma vida longa, falecendo aos 82 anos, na Cidade do México. O segundo microconto é do escritor Ernest Hemingway, que dispensa maiores apresentações.
         A principal característica desse gênero literário, o microconto (ou nanoconto) é o minimalismo. Mesmo sem regras definidoras, os microcontos têm no máximo 150 caracteres. Embora se tenha registros de obras escritas há muito tampo, dizem que sua popularização  se deve à tecnologia da informação e da comunicação, já que um miniconto pode ser enviado via mensagem de celular (SMS) ou ainda postado no twitter. O gênero também pode ser encontrado em várias obras impressas, como Retalhos - Contos e Microcontos e Folhas ao Vento, ambos de Edson Rossatto. A ideia principal de um microconto é instigar seu leitor a imaginar toda uma história que se esconde por de trás de poucas palavras.
 
        Para exercitar, escrevi alguns:

     Ele preferia morrer a dizer que não a amava, pois isso acabaria com a sua vida . Resolveu se matar, acabando com a vida dos dois.
 
         Um olhar de canto-de-janela e um sorriso a meia-porta mostravam uma casa feliz: foi dia de faxina.
 
         Encheu a boca para falar tudo que tinha vontade, mas engasgou com a cedilha e tossiu, jogando as letras na cara dela, que ficou sem entender nada.
 
        Estava obcecado pela morte. Disse que a encontraria nem que fosse a última coisa que fizesse na vida. Morreu tentando.

        - Preciso te contar um segredo.
        - Não, por favor, minha cabeça já está cheia deles.
        - Libere algum pra acolher o meu.
        -Não posso, são de outros. Apenas os guardo.

       Essa mania que minha alma tem de sair para visitá-la à noite enquanto eu durmo... Vá que um dia não volte e eu me atraso pro trabalho.

       Achei um beijo teu caído no tapete, depois que você foi embora. Plantei no quintal e cresceu uma linda árvore. Agora terei seus beijos sempre que quiser.
 
       Abriu a cabeça no meio-fio. Desesperou-se. Viu todos seus segredos espalhados na calçada.
 
      Morro um pouco a cada dia - uns dias mais do que outros - e renasço a cada sorriso teu. Não tenho mais vidas que o gato? (para Brenda e Marina)
 
      Era tanto (a)mar, tanto azul, que me vi assim, naufragando em teus olhos. 

"Ah!" O o microconto escrito na palma da mão da gravura lá em cima é de autoria da Aline Valek, cujo blog a gente segue aqui.

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