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terça-feira, 26 de junho de 2012

O Cacique e o Inseto

Jou Silveira

          Sempre me orgulhei de ser muito seguro em minhas atitudes, muito embora, também sempre, não aprecie demonstrações de auto-suficiência. O bom da vida, na verdade, é estar sempre sendo posto à prova para que possamos confirmar nossos valores ou, no mínimo, refletirmos sobre o que podemos melhorar.
          Dentro desse contexto, nada melhor do que ser casado e ter filhos. Parece que a turma, mesmo que não queira, dá uma torcidinha pra que a gente faça uma cagadinha, não dessas de não poder pagar as contas, mas daquelas de ter que ficar quieto e ter que aguentar gozações por um bom tempo.
          Nunca fui voltado para assuntos naturais, acabei aprendendo algumas noções sobre nossa flora, fauna e outras coisas, sempre para poder me manter na conversa e atual, já que a sacada é manter nosso ambiente saudável, assim sendo, em casa, sempre que posso, assassino um mosquitinho, procuro torturar uma mosquinha e tal, o que é uma maneira de  superar essa coisa toda, mas sempre sem esquecer de educar sobre o nosso meio ambiente.
          Pois bem, em um dia desses, depois das compras de final de tarde para o lanche, chegando em nossa casa, que é um pequeno bosque, ao descer do carro, minha esposa reclamou de um inseto, uma violinha depois que vi, nas compras que ela carregava . Foi então que exerci minha condição de cacique, ensinando, elucidando, sobre a natureza e a vida, e coloquei minha mão ao lado para que ela deixasse de importunar minha esposa, e foi quando então, ao subir em um de meus dedos, o indicador mais precisamente, decidi encerrar o incidente e, com um toque pra lá de charmoso, resolvi soprar a violinha. E foi então que o bichinho, meio assustado, talvez, com o ciclone, resolveu se agarrar com toda sua forcinha no meu dedo. Acabou o cacique! O queijo foi encontrado próximo ao Teatro Avenida e o presunto ao lado da portaria do Cine Tabajara, do pãninguém soube mais nada. Até hoje pago o aluguel sem contestação, e às vezes tento negociarmeia conta de luz, mas acho que vai demorar para recuperar meu prestígio de cacique.
 

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