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terça-feira, 26 de junho de 2012

O Mascarado

Jou Silveira
          

          Fui morar no Arroio Grande, cidade próxima de Pedro Osório, na década de 1970. Meu pai plantava arroz por lá, então alugamos uma casa antiga na rua Dr. Monteiro, 92, centro.
             Época de descobertas, quando fui trocando a bicicleta Monareta pelos bailes e boates. Em um desses bailes, prá fora, o Nero, Paulo Cesar Peluffo, apanhou de uns brigadianos, da entrada do baile até a cidade, algo em torno de 10 km, e contou com orgulho depois: Apanhei mas xinguei eles o tempo todo.
Na quadra abaixo, paralelo à rua Dr. Monteiro, na rua Julio de Castilhos, moravam o Beto e o Birinha, dois irmãos de quatro, boleiros, filhos do seu Gita, ex-jogador do Grêmio, vereador pelo MDB, contador e professor. Bonifácio Ubirajara da Porciúncula Nuñes.
           Carnaval! E no Arroio Grande a festa era grande na rua e nos salões, e naquela noite tinha baile no Clube Comercial, e o seu Gita, depois de uma garrafa de Whisky Abbey, resolveu sair de mascarado, como se dizia. Meia noite soaram os primeiros acordes do baile, e lá se foi o seu Gita. Na entrada do baile, quem estava mascarado tinha que entrar em uma sala para tirar a máscara e se identificar. Ao sair da sala, seu Gita foi direto para o salão quando viu o Birinha, disfarçou o caminhar e se chegou, devagarzinho, agarrou o braço do Birinha e perguntou, numa voz bem fininha: Adivinha quem é? O Birinha olhou de volta e falou: Ô pai, não faz fiasco. O seu Gita, depois daquele whisky todo, tinha esquecido de colocar a máscara de volta.




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