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segunda-feira, 25 de junho de 2012

O Rio de Carlos



          Na primeira aula de natação o professor perguntou se eu sabia nadar. Ante minha afirmativa, ele então mandou que eu entrasse na água e desse umas braçadas: - Vá até o fim da piscina e depois volte. Barbada. A piscina era curta, uns 25 metros, água quentinha. Quando saí ele sentenciou: - Dá pro gasto, mas se tivesses que ir um pouco mais e estivesses em águas profundas, serias um homem morto. Minha respiração, disse ele,  era toda errada, ou pior, era inexistente. Fiz um mês de natação, mas como diz o ditado, cachorro velho não aprende truque novo. Como nadador eu era um ótimo mergulhador.
       Já escrevi aqui no blog que conheço o mar desde quando usava fraldas, porém prefiro águas calmas, tipo Ponta das Canas, em SC, lagoa de São Lourenço ou o rio Piratini, que separa as cidades de Cerrito e Pedro Osório, onde nasci e cresci. Deveria, portanto, ser um ótimo nadador, como são alguns dos meus amigos de infância, já que desde cedo tivemos contato com rios e mares.

O rio que todo mundo vê

          Nos verões de Pedro Osório, o camping do rio Piratini lota de campistas. Muita gente vem de outras cidades da região para passar o fim de semana e se refrescar nas águas calmas e limpas do rio, que é o principal ponto de encontro dos pedrosorienses e cerritenses durante os meses de janeiro e fevereiro. Quase não dá pra imaginar que esse rio (ou arroio, como muitos o chamam), em outras épocas, invadiu as duas cidades deixando mais de dez mil pessoas desabrigadas, esse mesmo rio que hoje mal cobre os joelhos dos banhistas, esse mesmo rio que é fonte de inspiração para as fotografias de Carlos Aires.

O rio que todo mundo vê

          Estudei com Carlos no Ensino Médio na época em que chamávamos de Segundo Grau. Não éramos vizinhos de carteira porque Carlos sentava no fundão e eu preferia mais o centro da sala ou as laterais, para me encostar à parede. Apesar de ficar lá atrás, Carlos Aires não era bagunceiro.  Longe disso, mal conversava. Era do tipo quietão, calado. Sempre educado e gentil quando conversavam com ele, mas silencioso na maior parte das aulas. Era um observador. Depois da formatura fiquei um longo tempo sem vê-lo, até reencontrá-lo novamente na internet, nas redes sociais. Visitando seu álbum de fotografias, notei que Carlos ainda mantém a veia de observador atento, e fico lhe imaginando caminhando solitário e silente pelas margens do Piratini com uma câmera fotográfica na mão, registrando o rio que ninguém vê.

O rio que Carlos Aires vê



















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