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quarta-feira, 27 de junho de 2012

Os Gansos do Lauri

Jou Silveira
Arriado depois de terminar um namoro, o Lauri resolveu ir atrás das raízes, partindo para visitar uns tios no interior, esperando, como disse, esfriar a cabeça por uns tempos e aproveitar para caçar uns capinchos, andar à cavalo (seu tio tinha uma chácara próxima de Pedro Osório), e quem sabe, desfazer esse nó que se formara na cabeça, já que o namoro durara o suficiente para que fossem feitos alguns planos (tinha comprado até uma camiseta oficial do Grêmio em Porto Alegre, para garantir, caso tivesse filho cedo).
       Chegou à noitinha na chácara e foi recebido calorosamente entre beijos e xingamentos, pois fazia bastante tempo que não os visitava, sendo prontamente encaminhado para um arroz de carreteiro que fora preparado à pouco.
      Depois das formalidades, foi instalado no quarto dos fundos, e , já deitado, imaginou que não iria tão cedo embora, pois a hospitalidade era cativante.
Na manhã do dia seguinte, mateando com o tio, homem rude mas extremamente prático, este pede para ajudá-lo a investigar um mistério que a semanas não conseguia resolver: Os gansos estavam sendo atacados e mortos, um a um, por um animal aparentemente grande, pois sobrava pouco para contar a história quando encontrados.
      Desconfiado que pudessem ser os cães (haviam três), o Lauri sugeriu que prendessem os animais, e eis que, nos próximos dias não apareceu nenhum bicho morto. Era preciso identificar qual era o serial killer, mas o tio soltou os três e logo apareceu, no campo em frente da casa, mais uma vítima.
       Depois de verificarem que os sinais eram os mesmos das outras vezes, sentaram no alpendre para definirem a estratégia do combate quando, para espanto do Lauri, do outro lado do alpendre, dormindo preguiçosamente, estava ou cachorro de algum índio, ou o indefectível caçador, já que pendia do lado esquerdo da boca uma esvoaçante pena de ganso. Ainda em choque, pois não era dado à essas aventuras, ele vê o tio entrar na casa e sair com a winchester, apontar e acertar a cabeça do cachorro com um tiro, e logo após gritar para um guri, um agregado de uns onze anos: Pega e atira no rio.
      O Lauri conta que nunca um nó se desfez tão rápido, pois conseguiu reatar o namoro, casar, e hoje tem um piá treinando nos juniores do Grêmio.



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