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terça-feira, 26 de junho de 2012

Sonhar Não Custa Nada

Texto publicado no Diário Popular de 18 Abr 2012

          Com alguma frequência viajo entre Pelotas e Porto Alegre. Às vezes escolho a tranquilidade do ônibus, mas na maioria delas vou dirigindo. É quando passo a observar o comportamento dos motoristas. Normalmente, quando não há tráfego intenso à frente, gosto de andar a 120km/h, o que considero uma velocidade segura, apesar de estar incorrendo em falta por dirigir acima do permitido. O preocupante é que mesmo eu andando nesta velocidade eu sou ultrapassado dezenas de vezes por motoristas que trafegam a 140, 150 por hora, e muitas vezes essas ultrapassagens ocorrem na faixa dupla contínua. São portadores de armas, digo, carros velozes, pick ups importadas e possantes, ou, não raro, um “Golzinho” envenenado. Tudo bem, alguém pode dizer que velocidade com responsabilidade está valendo, os carros estão cada vez mais seguros, etc, mas a BR116 está dominada por caminhões lentos e pesados, que andam em dois, três ou até mais, colados na traseira um do outro, impedindo qualquer ultrapassagem segura. Na última viagem que fiz me deparei com três caminhões bitrens andando em comboio, uma verdadeira composição férrea. A coisa fica pior quando um resolve ultrapassar o outro. Aquela manobra parece levar uma eternidade, os motoristas parecem que estão em um cabo de guerra, ninguém quer ceder. De repente surge em sentido contrário um carro de passeio e... nossa!, foi por pouco. Mas infelizmente nem sempre é assim. Ultrapassagens arriscadas e imprudentes são as maiores causas de colisões frontais, e sempre fatais.

          Falam em duplicação da rodovia, e quando essa bendita obra sair – e se sair – metade desses problemas serão amenizados. É um absurdo o que pagamos de pedágio para transitar por esta estrada perigosa e arcaica onde caminhões, ônibus, utilitários, carros de passeio e motos disputam uma única pista. Nesta época de escoamento de safra, então, as complicações aumentam. Pude contar numa praça de pedágio sete caminhões e apenas dois veículos leves nas filas das cabines. Fico sonhando com uma ferrovia ao lado da BR116, com máquinas puxando vários vagões carregados de soja, arroz, equipamentos, gado e – por que não? – passageiros. Mas aí é sonho meu mesmo. Em um país onde o que prevalece são os interesses pessoais, de uma minoria, em detrimento do benefício da coletividade, do bem social,  querer que se construam alternativas de transporte mais baratas e talvez um pouco menos lucrativas, porém mais eficientes, só em sonho. Mas como disse o carnavalesco (aqui tudo acaba em samba): sonhar não custa nada.

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