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segunda-feira, 25 de junho de 2012

Sonhos e Talento

(Texto   publicado no Diário Popular   em 13/03/12)

“Paciência, aplicação, perseverança e, acima de tudo, vontade inabalável de chegar à meta”
por Beethoven

 
          Houve um tempo em que resolvi ser músico. Ou resolvi que queria ser. Sempre tive bom ouvido para música, coisa de família. Com 12 anos tocava acordeão na invernada mirim do CTG da minha cidade, tínhamos até um conjunto “gaudério” com guris da minha idade.  Apresentamo-nos em diversas cidades da região, o público gostava, aplaudia, curtiam mesmo. Eu me sentia o cara. Certo, eu tocava direitinho, nada demais, e hoje sei que o que agradava a plateia era o fato de eu ser um piá tocando gaita. Lembro quando toquei a valsa Desde l’Alma  em um evento em Piratini. Nossa!, o pessoal realmente gostou, poucas vezes fui tão aplaudido. Eu era um acordeão com botas embaixo e cabelos em cima. O instrumento era quase maior do que eu.

          Mas resolvi mesmo que queria ser músico quando conheci o rock e ganhei uma guitarra, já com 15 ou 16 anos. Montamos uma banda, dessas de garagem. Na época se ouvia muito Raul Seixas, Engenheiros, Legião, Pink Floyd, essas coisas que eram boas naquele tempo e que são ótimas ainda hoje. Era o que a gente tocava. Ouvíamos a música no vinil e saíamos tocando. Nossos ensaios duravam o tempo de uma garrafa de vodka. Fizemos alguns shows, bem poucos. Era divertido.
Naquele tempo eu não sabia, mas hoje percebo que dom e talento não são tudo. Miles Davis ganhou seu primeiro trompete aos 12 anos, e já sabia o que queria ser na vida. Estudou e trabalhou duro. Cercou-se dos melhores músicos, aprendeu com eles, foi atrás do seu sonho. Tornou-se um dos mais importantes jazzistas de todos os tempos.

          Hoje sei que para sermos bons no que fazemos é preciso, além de talento, muito trabalho, vontade, esforço, e algum sacrifício. Não me tornei músico, mas ainda toco em uma banda. Amadores no sentido da palavra. Amamos a música, os sons, a companhia dos amigos, as festas, os shows. Fizemos alguns e faremos outros. Saímo-nos bem. Nossos ensaios duram mais do que uma garrafa de vodka, talvez duas. Procuramos fazer o melhor, com seriedade, esforço, trabalho, algum sacrifício e, sobretudo, talento.  Nesta semana talvez façamos o último ensaio como a atual formação. É que o nosso baixista alçará outros voos. Lúcio reúne tudo isso:  dom, talento, esforço, estudo (recém formado em Produção Fonográfica) e muito trabalho, agora chegou a vez do pouco de sacrifício, afastar-se da família, dos amigos, da namorada, da banda. Devemos plantar a semente onde o solo é mais fértil para germiná-la, e muitas vezes precisamos ir longe em busca destes campos. É o que Lúcio está fazendo, indo atrás do seu solo, do seu sonho. Nós aqui estaremos na torcida, no celular e no MSN. E estaremos no estúdio, porque o som não pode parar.
Sucesso e sorte, Lúcio Ferro.


2 comentários:

  1. Matchê... voltou pro pago. Aquela história de beber água do Piratini.

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