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sexta-feira, 27 de julho de 2012

Madruga Junior em Revista.



“O que é ter sucesso? É nascer e morrer. E no intervalo, fazer o que mais gostamos.”
Essa é, para mim, a melhor definição de Sucesso.  Acho que descreve bem a carreira desse cara que foi colega de aula do meu irmão mais velho. Naquele começo dos anos 1980 estudávamos todos na escola Odilo Marques Gonçalves, carinhosamente chamada de grupinho. Numa tarde de sol fui com meu irmão visitar o cara em sua casa, que ficava bem em frente à de minha avó Jacy. Como toda criança inventiva que se prezasse na época, o Cláudio tinha em sua casa uma peça que a gente chamava de “quartinho”. O quartinho da casa do colega do meu irmão estava mais para laboratório, ou então estúdio. Havia um tubo preto que saia pela janela e terminava em um cone do lado de fora que fazia as vezes de microfone. Tinha ainda um cinematógrafo construído com papelão, lâmpadas e dois rolos de madeira que faziam rodar tiras de historinhas em quadrinho. Se perguntássemos àquele guri tímido de 10 anos, talvez menos, o que ele queria ser na vida, sem dúvida responderia: comunicador.

Maurício Pons – Madruga Junior: quantos anos de rádio?
Madruga Junior – 27 anos. Comecei na Rádio Clube, que foi meu grande laboratório. Lá eu  desenvolvi o ofício de comunicador que consiste em, além do trabalho de locução, operar a mesa técnica, ou seja, eu trabalhava a parte musical e também a do locutor. Depois de dezessete enriquecedores anos na Clube eu fui realizar o sonho que eu tinha, que era fazer FM, e aqui estou, na Portal Sul FM, há 10 anos.

MP – Uma das características do teu programa é o alto astral. Você transmite muita positividade e otimismo aos teus ouvintes. O Madruga tem aqueles dias em que pensa “pô, hoje não estou num bom dia”? De onde você tira forças para fazer um programa diário com essa energia?
MJ – Claro que, como todo mundo, eu tenho aqueles dias em que eu queria sumir, ficar no meu canto quietinho sem fazer nada. Mas acredito, também, que todos nascem com uma vocação, e a minha vocação é ser comunicador e a animador. Esta vocação deve ser trabalhada e, principalmente, vivida. E eu vivo minha vocação, afinal foi um presente de Deus, e eu acredito muito Nele, e é Dele que eu tiro forças para enfrentar os meus problemas e poder levar música, informação e alegria para o público ouvinte.


MP – Nem todos conhecem a figura do Madruga Junior, mas sem dúvida sua voz alcança quase que a totalidade dos lares da cidade, pois além do rádio ela está também na propaganda volante. Como é sua relação com o ouvinte?
MJ - Temos uma incrível troca de energia, de reciprocidade. Claro que muitos não me conhecem e eu também não conheço a maioria, mas durante meu programa eu mando abraços para muitas Marias e muitos Josés, que são pessoas que eu não conheço mas que existem, estão por aí, em seus lares, seus trabalhos, que estão ouvindo o programa, que ligam pra pedir música ou simplesmente para me mandar um abraço. Com a fé que eu tenho em Deus e com esse carinho do público, eu supero qualquer problema.

MP – Alguma vez você já enfrentou alguma saia justa no ofício? Conta pra nós.
MJ – Tenho uma dificuldade muito grande em gravar fisionomia, sou péssimo fisionomista. Certa vez, fazendo a cobertura do Festival Terra e Cor da Canção Nativa, eu fui entrevistar um cidadão que estava por ali. Essas são as peças que o rádio ao vivo nos prega. Eu estava entrevistando uma pessoa quando avistei uma outra personalidade e de imediato já comecei a articular mentalmente uma pergunta para lhe fazer, e tudo isso enquanto o atual entrevistado conversava comigo no ar. Terminada essa conversa eu prontamente me dirigi ao outro cidadão e comecei assim a entrevista: “Estou aqui com o deputado Fulano de Tal, blá blá blá e entrevistei o cara. Quando saímos do ar ele me chamou, agradeceu pela oportunidade da entrevista, sentiu-se muito honrado e tascou: “Só que eu não sou deputado, aliás eu nem conheço esse deputado”. Foi muito engraçado, mas ao mesmo tempo ficou um clima chato. Mas como eu disse: fazer ao vivo, e em eventos como esse, tem dessas armadilhas.

MP – Você, além de comunicador e apresentador de rádio, também cuida da questão das carteiras de motorista em Pedro Osório. De onde tira tempo para todas essas atividades?
MJ – E ainda faço eventos (risos).

MP – Vamos falar disso também, mas agora quero saber: você trabalha 16 horas por dia?
MJ – (risos) Sim, acho que estás certo. Meu pai (Carlos Roberto Fontoura, radialista que trabalhou nas grandes rádios do Brasil, hoje empresário do ramo de academias) costumava me chamar de bicho carpinteiro porque sempre que vou visitá-lo nas Missões, em férias, eu não consigo ficar parado.  Mas a questão das CNHs. Minha outra profissão é a de despachante, e notei que Pedro Osório necessitava de uma autoescola para suprir a demanda. Com ajuda de outras pessoas eu consegui trazer para a cidade uma empresa de autoescola para que o pessoal não precisasse viajar durante o curso.

MP – Agora sim, vamos falar de festa. Você tem a Madruga Eventos. Como é organizar festas em Pedro Osório?
MJ – Eu posso afirmar que já cheguei a um nível de organização de eventos de excelência. Tenho uma galera que me ajuda muito e que ganha para isso, é uma turma de jovens engajados que, por eles, trabalhariam de graça, apenas pelo prazer de colaborar. Mas não acho certo. Trabalho é trabalho, e organizar eventos exige muito. Não estou dizendo que estou ganhando muito dinheiro, longe disso. A recompensa maior vem dessa troca de aprendizado e ensinamento com esses jovens que me ajudam muito. Pedro Osório precisa dessa atitude, do arregaçar as mangas e fazer. É o que nós estamos fazendo.
MP - Sua próxima festa será no dia 18 de agosto no Clube Piratini. O que os festeiros de plantão podem esperar dessa noite?
JP - Com certeza, a mesma animação de sempre. Muita música e galera animada. Estamos trabalhando com o nome provisório de Noite da Esquenta, e já temos, para esta noite, excursões confirmadas das cidades de Piratini e Arroio Grande. Sem dúvida será uma grande balada.

MP – Qual a maior dificuldade que você encontra no trabalho de eventos?
MJ – Dificuldades sempre existirão, mas a politicagem, às vezes, atrapalha bastante, ou porque você não é do partido do fulano, ou porque você apoia o sicrano. Várias vezes, não foi uma nem duas, foram várias, eu cancelei evento agendado, com banda e tudo, porque a escola tal, ou outra empresa do ramo, vai fazer uma festa e não tem outro dia pra remarcar, essas coisas. Se eu posso reorganizar um evento meu para não prejudicar a outro, não importando de quem seja, não vejo problema algum, afinal eu não vivo disso.  Agora, se você me perguntar se eu gosto de fazer eventos, eu te respondo: irmão... é o que eu mais gosto de fazer, depois do rádio!

MP – Madruga Junior, pra finalizar: algum recado final para os teus ouvintes?
MJ – Quero deixar um abraço para todos os ouvintes do meu programa e para os festeiros da cidade. Quero também afirmar minha sinceridade quando digo que gosto de todos, que sou amigo de todos. Tenho muito carinho e amizade por todo mundo. Como diz meu amigo Osório Vergara: em Pedro Osório e Cerrito somos todos parentes, uma enorme família. Então, um abraço grande para toda essa família querida.

Abaixo, um original de 1985, quando Madruga fazia a chamada para as seções de cinema do Cine Esperança.








quinta-feira, 19 de julho de 2012

O Homem da Capa Preta

Por Jou Silveira

Entre os municípios de Pedro Osório e Herval do Sul, região povoada de fantasmas de antigas batalhas revolucionárias, está escondida a Estância da Solidão, de propriedade de um médico e político pelotense.
No ano de 1981, por ter mudado com a família para Porto Alegre, arrendou a propriedade para um filho de libaneses que, para minha sorte, é meu tio, quando esse então deu início à sua aventura na pecuária.
Nesse contexto, parti de Pelotas, onde morava, para passar alguns dias de minhas férias de julho em companhia de um primo, filho do estancieiro, e de um tio (dizem que a estátua do laçador lembra mais ele que o Paixão Cortes), na referida estância.
Lá chegado integrei-me rapidamente às lides, que consistiam, além de beber, comer e jogar, o transporte e plantio de mudas de cebola, onde fui gentilmente convidado a ajudar no preparo dos canteiros para o plantio, virando a terra de pá; algumas campereadas fantásticas, onde em uma delas dispus-me resgatar um novilho à tropa, partindo em rápido galope coxilha abaixo em seu encalço, onde pude perceber claramente que de gaúcho eu só tinha a geografia além do orgulho, pois quase me esborrachei, terminando a carreira agarrado ao pescoço da égua, e em outra oportunidade, forcei a infeliz égua a entrar em um olho d’água que só eu não tinha visto (soube, um tempo depois, que após a minha visita ela nunca mais aceitou montaria), tendo que sair quase a nado pois o bicho atolou até a barriga; e causos, e entre eles, o do famoso Homem da Capa Preta, um estropiado da revolução de 23, que segundo dizem,  não conseguiu fugir de um piquete de chimangos, pois encontrara tudo quanto era porteira fechada em seu caminho, e estando seu cavalo manco por um balaço, tinha que parar para abrir, sendo assim alcançado e degolado naquele ermo.
À partir de então, conta-se que na data de seu infortúnio, ele aparece, sempre procurando porteiras abertas.
Numa daquelas noites, numa quinta-feira mais precisamente, durante um carteado, surgiu a conversa sobre o desgraçado, e que casualmente era a data do acontecido; isso dito solenemente como numa missa.
Tentando não deixar transparecer, impressionei-me imediatamente.
Emudecido pelo cagaço, recolhi-me com os outros dois, pois estávamos os três no mesmo quarto e eu não me atreveria cruzar sozinho com o taura.
Já deitado, minha cama ficava entre as duas outras, em frente à porta, com a arma calibre 36 de meu pai ao lado, que tinha levado para caçar caturritas, dei de mão num livro, pois já naquela época não dormia sem ler (e quando se está com medo parece que o sono vem devagarinho).
Era tarde quando desliguei a luz. Escuridão total. Mesmo podendo ouvir a cadência do caminhar das formigas, pude identificar um ruído assustador: um banquinho da cozinha estava sendo arrastado.
Rapidamente acendi a luz e acordei os dois, contando-lhes o que ouvira, sendo repreendido severamente, pois tínhamos de levantar muito cedo para tratar daqueles malditos canteiros.
Ainda assustado, cedi aos protestos, apagando novamente aquela preciosa luz.
Não mais que alguns minutos depois, ouvi novamente o terrível ruído e gritei: tem gente na casa.
Pulei da cama de arma em punho e vasculhei cada canto da casa sem nada encontrar.
Ao retornar ao quarto, fui enquadrado na lei de segurança nacional, pois a arma estava carregada e minha imaginação tornara-se muito perigosa.
Para o bem de todos tirei a munição da arma, mas tranquei o quarto de tal maneira que quem se apertasse  antes do nascer do sol, teria que fazer suas necessidades em algum canto.
Pela manhã, quando todos os fantasmas tinham se recolhido, fui à cozinha, onde pude constatar que o mal (no bom sentido) pode ser hereditário, pois meu primo, filho de um dos mais criativos pregadores de peças que conheci, amarrara uma linha de pescar no pé do banquinho, arrastando-o de sua cama.
Muitos anos e risadas depois, ao escrever essa crônica, fui surpreendido por uma estranha sensação ao perceber que nunca tive, à partir daquela época, um banquinho sequer em minha casa.


domingo, 15 de julho de 2012

O Dia em Que o Cantor Foi Expulso do Baile

Publicado no Diário Popular do dia 25 de julho de 2012
Sou do tempo em que se usava boné para se proteger do sol e dos seus efeitos nocivos. Hoje se usa boné à noite, em casa, no restaurante, na balada (muito), e até na sala de aula. No exército ensinavam, e ainda devem ensinar: ao entrar em um recinto fechado, retire a “cobertura”. Se bem me lembro, nas escolas também era proibido. Hoje não sei.
Fato curioso envolvendo o uso (neste caso, a proibição) do boné em local fechado aconteceu em data não muito distante numa cidadezinha do interior. Festa no clube! O presidente da associação instruiu a segurança: é terminantemente proibida a entrada com boné. Pode chiar, espernear, praguejar. De boné não entra. E muitos chiaram, espernearam, praguejaram, mas os bonés ficaram na portaria para serem recolhidos no fim da festa. Teve aqueles do tipo “ou meu boné entra comigo ou eu fico aqui fora com ele”. Ficavam fora, assistindo a fresta pela festa da porta, digo, a festa pela fresta da porta.
       Pois eis que chega uma figura brilhosa, sapatos bem engraxados, blazer branco como seu sorriso sobre suspensórios pretos como seus cabelos. E sobre os tais cabelos, um estiloso boné. O chefe da segurança, que comandava a portaria, não titubeou: o boné, por favor. Sua gentileza antagonizava com seu porte. O outro se apresentou, olhando pra cima pra enxergar o rosto do gigante:
      - Sou o vocalista da banda.
      - Prazer, eu sou o segurança do clube. O Boné, por obséquio.
      - O senhor não está entendendo. Eu sou o cantor, preciso do boné.
    - Ninguém precisa de boné a menos que faça sol. Pode deixar na secretaria que na saída o senhor pega.
     - Mas amigo, o boné faz parte da minha indumentária de cantor, tipo Michel Jackson, sabe?
     Chamaram o presidente, deliberaram. O presidente quis abrir exceção, o segurança ficou pé. Ou é pra todos, ou é pra ninguém. Acertaram:
     - Certo! Lá no palco o senhor usa o boné e até pode tirar as calças, se isso fizer parte do show, mas até lá guarde o boné no bolso.
     Todos concordaram e o cantor entrou com o boné escondido no casaco, dizendo ainda que eles estavam com razão, se é pra um, é pra todos.
     Minutos depois a banda estava no palco e o vocalista, com seu boné, agitando a massa no salão. Depois de hora e meia a banda faz aquele providencial intervalo e o vocalista, com a boca e o gogó secos, desceu do palco e foi direto ao bar pra comprar uma bebida. Quando o barman lhe entrega a cerveja uma mão do tamanho de uma raquete lhe apertou firme o braço. O cantor se volta e bate o nariz no peito do chefe da segurança que grunhe:
    - Eu te avisei, Michel Jackson. Lá no palco o senhor é quem manda, mas aqui no salão mando eu. E no meu salão, NÃO PODE USAR BONÉ.
     E engolindo o riso, saiu arrastando o pobre canarinho até o olho da rua.


quarta-feira, 11 de julho de 2012

Novelas e Novelas

Publicado no Diário Popular em 17 de julho 2012
Para você se situar, vou descrever a cena. Uma sala de, mais ou menos, oito por quatro. Quatro mulheres, uma criança e, comigo, dois homens. Duas mulheres fazem tricô. A criança corre, brinca, canta, pede isso e aquilo. Os homens tentam se inserir no ambiente notadamente feminino. Na TV, a novela das nove. Não acompanho o folhetim, embora saiba o nome de algumas personagens e conheça um pouco do enredo. Acabei de ler o Diário, de rabo a cabo (começo geralmente pelo fim), de modo que o que restaram foram as conversas cruzadas na sala com o volume da TV.
        Cada um concede ao televisor a utilidade que mais lhe convém. No meu caso, filmes (DVD) e futebol, quando é meu time que joga. Mas quero falar de novela. Novela, para mim, é como a Fenadoce: com exceção de alguma novidade, quem viu uma viu todas. Gabriela e Jorge Amado à parte, a obviedade das tramas chega a ser um insulto ao espectador. Essa que estamos, entre conversas, tricôs e risos de criança, assistindo agora, por exemplo. Tem esse senhor-garotão chamado Leleco que insiste em testar a fidelidade de sua jovem namorada. Para tal feito, ele, mancomunado com um rapaz tatuado – e torturado, vive a preparar armadilhas para provar (ou desaprovar) a honradez da morena. Três ou quatro capítulos nessa história e já se pode prever: o velhote vai alcançar seu intento. Os jovens viverão um romance novelesco e o tal Leleco voltará para sua ex, vivida pela ex do Paulo Betti. Guardem essa crônica e me digam depois se estou errado.
         Mas óbvio assim, por que, então, uma novela tem que durar todos os seus seis (ou sete) meses se metade desse tempo seria suficiente para o desenvolvimento do enredo? Porque é estupidamente lucrativa, e quanto mais prender a atenção do espectador, maiores serão seus dividendos. E não é só novela comprida que atrai dinheiro. O BBB, novelinha com atores amadores e com direção de profissionais, é uma verdadeira mina de ouro em seus três meses de duração.

          Não obstante, nem todas as novelas têm dia e hora pra terminar. Algumas se arrastam por meses, anos até. A americana Dallas é uma das recordistas de permanência no ar, com seus mais de vinte anos em exibição e que agora acaba de voltar às telas com nova geração.
       E têm aquelas obras da dramaturgia que não são nenhuma Dallas, mas que também são arrastadas como véu de noiva. Nelas se têm todos os ingredientes de uma trama global: tem o vilão (nessas, eles são a maioria), tem várias câmeras e microfones, tem o diretor (da empreiteira), paisagens (Cachoeira), tem até musa (Andressa Mendonça). E como as novelas romanescas, essa também é altamente lucrativa. Uma delas está para terminar, e poderia se chamar Diários de Um Mensalão. A outra em exibição, Nas Águas da Cachoeira (ou Comando Delta) ainda deve ir longe. Espera-se que nestas obras os “atores” não tenham um final feliz, pois comparados a eles, Odete Roitman e Carminha são fadas madrinhas. Viva o país das novelas.
                                                           Tá cheio de Odorico por aí.


sábado, 7 de julho de 2012

Prata da Casa por Pedro Osório Net


Dj's fazem a festa Prata da Casa no Clube Piratini

por Rodrigo Netto
Na madrugada de sábado, dia 30, para domingo o Clube Piratini foi palco de um encontro de três Dj's locais que fizeram a festa prata da Casa. Participaram nos comandos das pick-up Mauricio Pons, Didi e Kristopher KBT.
A festa preparada e feita exclusivamente pela direção do Clube Piratini teve um bom público presente e quem foi gostou de ter três Dj's de estilos diferentes comandando a festa.

Tributo

(Homenagem à Bianca Velleda dos Santos)

Você chegou como chegam os anjos: miudinha, com olhar curioso e assustado, chorando fininho, mas com força e vontade. Já chegou amada pela família, e no decorrer de sua vida foi conquistando o amor dos amigos. Estudou, cresceu, amadureceu, e em um dia qualquer de 1999 chegou a esta Casa. Já não tinha mais o olhar assustado, mas chegou ainda curiosa, com força e vontade. Destemida, como são as heroínas. Humilde, como são os que servem. Por treze anos ajudou esta Casa a crescer, com seu trabalho, seriedade e competência.  Aprendeu e também ensinou. Sabia descontrair nas horas em que um sorriso era necessário, mas sabia, também, ser firme nos momentos decisivos. Você lutou por seus sonhos, e eram tantos, sem jamais desistir.  Você foi mãe e esposa dedicada e amorosa. Você, Bianca, foi colega sem nunca deixar de ser amiga. Foi mulher sem nunca deixar de ser criança. Você foi irmã sem jamais deixar de ser companheira. E foi mãe sem nunca deixar de ser filha. Você foi cedo, e levou um pouco de cada um de nós consigo, mas deixou muito de si conosco. Deixou os sorrisos, os sonhos, as boas lembranças. Gostaríamos de termos tido tempo de lhe agradecer por tudo, por sua dedicação à esta Casa, à família, aos amigos. Queríamos muito termos tido uma chance de olhar em seus olhos e dizer obrigado, por seu trabalho, por suas palavras de afeto, por seu carinho. Gostaríamos de um último abraço, um último sorriso. Mas a vida é misteriosa, e às vezes custamos a entendê-la. Resta-nos aceitar os desígnios de Deus e agradecer, a Ele, por um dia ter cruzado nossos caminhos, pela sorte que tivemos em conviver com você. Obrigado, Bianca, por todos esses anos juntos. Que foram breves, mas foram plenos. Fique com Deus, nossa amiga!

terça-feira, 3 de julho de 2012

Água no Peito

Jou Silveira


O rio Santa Maria nasce lá nos grotões do município de Herval do Sul, e vem serpenteando até unir-se ao rio Piratini, já dentro da cidade de Pedro Osório.
Pouco antes de unir-se ao Piratini, dentro da cidade, está localizado o balneário da Orqueta, frequentado por um eclético público.
Verão, calor de rachar cana verde, o Alberi, um dos maiores rufiões que se tem notícia (só rivalizado por um certo guarda que tirava serviço somente à noite, e de sacola, para guardar o capacete e trocar os coturnos por um par de chinelos Havaiana com silenciador) resolve banhar-se no referido balneário, quando, para seu espanto, chega uma excursão oriunda de Rio Grande (até hoje não se sabe o que fazia uma excursão de Rio Grande na Orqueta, numa terça-feira à tarde).
Identificados como bárbaros pelo Alberi, tal era a gritaria que faziam, este procurou a sombra de um pontilhão de madeira que atravessava o rio e onde era mais sossegado.
Lá chegando, e ainda sem recuperar o fôlego, foi imediatamente interpelado por um desgarrado da excursão, sobre as condições da água, respondendo com um sinal de positivo, ao qual o desvairado se atira do pontilhão.
O Alberi, com água pelo pescoço, não pensa duas vezes, e, fazendo uso de recursos sobrenaturais, conseguiu sair da água antes do homem testar o solo do rio, pois o anão media pouco mais de um metro de altura, e por estar sem fôlego, não tivera tempo de avisar o infeliz.
Do imprudente banhista não se teve mais notícia, mas do Alberi sabe-se que nunca mais voltou à Orqueta, pois, segundo dizia, com receio de ser mal interpretado.