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terça-feira, 3 de julho de 2012

Água no Peito

Jou Silveira


O rio Santa Maria nasce lá nos grotões do município de Herval do Sul, e vem serpenteando até unir-se ao rio Piratini, já dentro da cidade de Pedro Osório.
Pouco antes de unir-se ao Piratini, dentro da cidade, está localizado o balneário da Orqueta, frequentado por um eclético público.
Verão, calor de rachar cana verde, o Alberi, um dos maiores rufiões que se tem notícia (só rivalizado por um certo guarda que tirava serviço somente à noite, e de sacola, para guardar o capacete e trocar os coturnos por um par de chinelos Havaiana com silenciador) resolve banhar-se no referido balneário, quando, para seu espanto, chega uma excursão oriunda de Rio Grande (até hoje não se sabe o que fazia uma excursão de Rio Grande na Orqueta, numa terça-feira à tarde).
Identificados como bárbaros pelo Alberi, tal era a gritaria que faziam, este procurou a sombra de um pontilhão de madeira que atravessava o rio e onde era mais sossegado.
Lá chegando, e ainda sem recuperar o fôlego, foi imediatamente interpelado por um desgarrado da excursão, sobre as condições da água, respondendo com um sinal de positivo, ao qual o desvairado se atira do pontilhão.
O Alberi, com água pelo pescoço, não pensa duas vezes, e, fazendo uso de recursos sobrenaturais, conseguiu sair da água antes do homem testar o solo do rio, pois o anão media pouco mais de um metro de altura, e por estar sem fôlego, não tivera tempo de avisar o infeliz.
Do imprudente banhista não se teve mais notícia, mas do Alberi sabe-se que nunca mais voltou à Orqueta, pois, segundo dizia, com receio de ser mal interpretado.

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