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quarta-feira, 11 de julho de 2012

Novelas e Novelas

Publicado no Diário Popular em 17 de julho 2012
Para você se situar, vou descrever a cena. Uma sala de, mais ou menos, oito por quatro. Quatro mulheres, uma criança e, comigo, dois homens. Duas mulheres fazem tricô. A criança corre, brinca, canta, pede isso e aquilo. Os homens tentam se inserir no ambiente notadamente feminino. Na TV, a novela das nove. Não acompanho o folhetim, embora saiba o nome de algumas personagens e conheça um pouco do enredo. Acabei de ler o Diário, de rabo a cabo (começo geralmente pelo fim), de modo que o que restaram foram as conversas cruzadas na sala com o volume da TV.
        Cada um concede ao televisor a utilidade que mais lhe convém. No meu caso, filmes (DVD) e futebol, quando é meu time que joga. Mas quero falar de novela. Novela, para mim, é como a Fenadoce: com exceção de alguma novidade, quem viu uma viu todas. Gabriela e Jorge Amado à parte, a obviedade das tramas chega a ser um insulto ao espectador. Essa que estamos, entre conversas, tricôs e risos de criança, assistindo agora, por exemplo. Tem esse senhor-garotão chamado Leleco que insiste em testar a fidelidade de sua jovem namorada. Para tal feito, ele, mancomunado com um rapaz tatuado – e torturado, vive a preparar armadilhas para provar (ou desaprovar) a honradez da morena. Três ou quatro capítulos nessa história e já se pode prever: o velhote vai alcançar seu intento. Os jovens viverão um romance novelesco e o tal Leleco voltará para sua ex, vivida pela ex do Paulo Betti. Guardem essa crônica e me digam depois se estou errado.
         Mas óbvio assim, por que, então, uma novela tem que durar todos os seus seis (ou sete) meses se metade desse tempo seria suficiente para o desenvolvimento do enredo? Porque é estupidamente lucrativa, e quanto mais prender a atenção do espectador, maiores serão seus dividendos. E não é só novela comprida que atrai dinheiro. O BBB, novelinha com atores amadores e com direção de profissionais, é uma verdadeira mina de ouro em seus três meses de duração.

          Não obstante, nem todas as novelas têm dia e hora pra terminar. Algumas se arrastam por meses, anos até. A americana Dallas é uma das recordistas de permanência no ar, com seus mais de vinte anos em exibição e que agora acaba de voltar às telas com nova geração.
       E têm aquelas obras da dramaturgia que não são nenhuma Dallas, mas que também são arrastadas como véu de noiva. Nelas se têm todos os ingredientes de uma trama global: tem o vilão (nessas, eles são a maioria), tem várias câmeras e microfones, tem o diretor (da empreiteira), paisagens (Cachoeira), tem até musa (Andressa Mendonça). E como as novelas romanescas, essa também é altamente lucrativa. Uma delas está para terminar, e poderia se chamar Diários de Um Mensalão. A outra em exibição, Nas Águas da Cachoeira (ou Comando Delta) ainda deve ir longe. Espera-se que nestas obras os “atores” não tenham um final feliz, pois comparados a eles, Odete Roitman e Carminha são fadas madrinhas. Viva o país das novelas.
                                                           Tá cheio de Odorico por aí.


2 comentários:

  1. O Leléco quer um motivo para se livrar da Tessália e voltar rosnando para a ex. Não esquecendo, a assassina de Odete Roitman ficou impune pois fugiu para o exterior com o namorado figurão e, mesmo a Carminha, depois de alguns crimes, será uma vítima do lixão. Novelas...Espelhos...

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  2. Bem lembrado e comparado, Regina. Há ainda quem defenda a tese de que a vilã da novela é a heroína e vice-versa. Abraço e obrigado pela participação. Já tens um número pra concorrer ao jantar.

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