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terça-feira, 21 de agosto de 2012

A Cura


Jou Silveira
            Essa aconteceu nos anos 90. Na época trabalhava em Porto alegre, e um amigo, o Nereu, casado, esposa grávida na época, se apaixonou por uma colega de trabalho, e aí foram tempos de assédio (à colega), conversas (comigo), e porres (nossos), com muito choro. Nessa turbulência saí de férias.
            Poucos dias antes de retornar das férias, o Nereu me telefonava diariamente e, desesperadamente, me dizia que assim que colocasse meus pés em Porto Alegre, eu precisava avisá-lo.
            Chegando na capital, segunda – feira, renovado, de mala e cuia, trabalhei o dia todo e depois fomos para um bar para que ele então pudesse desabafar.
            De tanto tentar, a colega acabou cedendo e ele então teve uma noite inesquecível, e como todo apaixonado, já tinha começado a fazer planos, que incluía a separação, mudança de endereço, e muito sexo, mas eis que, quando ele tinha preparado uma segunda noite melhor ainda, a colega estraçalhou, dizendo: “Tu já não teve o que queria?” Nessa altura, 12 chopes contados, o Nereu com lágrimas nos olhos, foi então que tive a idéia da cura para aquela  dor terrível. Falei: Tu precisa encontrar outra paixão prá curar essa. E então ele falou: Vamos prá noite.
            E eu de mala e cuia numa segunda-feira, mas o que não se faz por um amigo.
            E lá estávamos, quase perdendo a esperança, quando ele encontrou outra paixão, e se mandou. Fiquei ali, terminando minha cerveja, 2h da manhã, quando me lembrei que minha mala e minha pasta, com carteira, talão de cheques e chave de casa tinham ficado no carro do Nereu. Só me restou a negociação. Procurei o dono do bar, expliquei a situação, e disse que só tinha o relógio para deixar como garantia, pois a conta não tinha sido paga, e eu retornaria no dia seguinte para pagar e resgatar o relógio. O sujeito pensou um pouco, acho que estava escolhendo o rumo, e para minha sorte ele falou: “Cara, se tu mora mesmo onde tu me contou (a distância era de aproximadamente 4 km), e tá sem grana, se tu aparecer aqui amanhã, pode levar o relógio que eu não vou te cobrar nada.
            Nunca caminhei tanto e tão rápido, mas no outro dia recuperei o relógio, que não pagava duas cervejas de tão muquirana.
            E do Nereu, a última notícia que tive foi de que continua casado, e o guri, apesar de colorado, deve estar com uns 15 anos de idade.


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