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quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Bailão do Branco


 (Jou Silveira)
            
Num arroz com galinha em homenagem ao Jacaré, um campeão local de palitinho, fiquei sabendo de um caso, semelhante ao do performático Sombra, motorista de táxi e instrumentista (tocava maracas com um terninho verde lindíssimo), que costumava frequentar a casa da amante entrando pela janela do quarto, sempre à noite, em horário combinado, e que, ao descobrirem, arredaram a tampa do poço negro, que ficava debaixo da janela do quarto, fazendo com que este, ao tomar impulso para saltar, quase morresse afogado.
            Por volta de 1972, Nazareno Minuto, um caminhoneiro e gaiteiro dos bons, costumava tocar no Bailão do Branco, de propriedade de Orondino Moura, seu sogro, quando depois de algumas doses de cachaça com açúcar, e aproveitando um intervalo para descansarem os músicos, resolve ir ao banheiro (o banheiro masculino ficava fora do salão, a tradicional casinha, que consistia de um banco de madeira com um buraco no meio, em cima de um buraco fundo, cercado e coberto como uma casa pequena). Chegando ao pátio deparou-se com uma novidade: como a luz era escassa, o proprietário estendera um fio de arame, da porta dos fundos até o sanitário, ou patente, como chamavam, à altura dos ombros, servindo de corrimão para os usuários.
            Reiniciado o baile, logo o Orondino percebeu que começaram a sumir os homens. Amuado, deu-se por vencido, pois fora avisado que haveria um grande fandango no CTG Fogo de Chão, e que, portanto, não seria indicado concorrer.
            Lá pelas duas horas, restando pouquíssimos homens no salão, e já escasseando o mulherio, resolve encerrar o baile e recolher-se.
            Na manhã do dia seguinte, ao chegar ao pátio, percebeu um grande buraco em frente ao banheiro. Ao investigar o estranho acidente, entendeu o porquê da evasão da noite anterior. O Nazareno tinha afastado o banheiro, assim como aumentado o corrimão, mais ou menos um metro, fazendo com que os que seguissem o arame não mais pudessem voltar ao baile, já que, cagados até o pescoço, só tinham o chuveiro como rumo.
            O Orondino partiu dessa pra melhor logo após o ocorrido sem conhecer o autor da façanha, pois, segundo afirmam, era de gênio ruim e teria dado fim no querido genro.

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