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quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Bullying

(Publicado no Diário Popular de 12 de agosto.)
Na minha escola tinha negros. Tinha, também, brancos e pardos. Havia gordinhos, magrinhos, baixinhos, tinha até um que parecia um poste de tão alto. No fundão sentava um garotinho com problema de gagueira, e bem na frente, pertinho do quadro negro, sentava outro que usava um desses óculos de lentes bem grossas. Na minha escola tinha até uma garotinha que usava essas botinhas estranhas para corrigir o pezinho torto.
                Na minha escola havia, ainda, aquele menino que não sabia jogar bola, que não sabia pular corda, que mal sabia correr e que na hora do jogo do futebol ficava sozinho no canto do pátio, com um gibi nas mãos; esse garotinho tirava 10 em matemática. Sempre!
              No meu colégio tinha aluno pobre e tinha aluno rico. Tinha alunos descalços e outros com sapatos caros. Porém, acima de tudo, no meu colégio tinha educação. Se tinha bullying, nunca ouvi falar.
             A palavra valentão (em inglês, bully) deu origem ao termo. Velentões sempre existiram, mas as escolas tinham seus próprios meios para coibirem seus excessos. Hoje não é mais assim. O Estado, através de estatutos, regulamentos, portarias, normas e não sei que tipo mais de expediente insiste em meter o nariz burocrático onde não é chamado. Suprimiu-se do professor a tarefa de educador. Agora ele, o mestre, está na sala de aula apenas para ler livros didáticos e aplicar as provas, e se o aluno rodar aplica-se outra, e outra e mais outra, até a aprovação. Nem saber ler direito mais é preciso. Hoje não existe mal aluno, o professor é que é ruim. Antigamente, se eu chegasse em casa com uma advertência da diretoria, o famoso “papelzinho para o pai assinar”,  minhas orelhas eram puxadas. Hoje, os pais querem puxar as orelhas do professor, com o aval do Estado. E como diria o gênio do humor: e o salário, ó!
         Mas estou tergiversando, pois minha intenção era, e ainda é, analisar o bullying, e não os métodos atuais de educação escolar. Tolerar e respeitar as diferenças sempre foram tarefas difíceis para o homem, e parece que, hoje, essas diferenças aumentaram ou, por outra, ficaram mais explícitas. Porém, quando se usa da violência gratuita – e toda violência me parece ser gratuita – para intimidar, ofender, atacar, ou simplesmente para machucar um ilusório oponente (ilusório, porque é só na mente doentia do agressor que o “seu diferente” é um inimigo) uma outra falha social vem à luz: a educação familiar. Eis aí a fonte do problema, e até nela, na educação familiar, o Estado tenta se intrometer (vide Lei da Palmada). Óbvio que não é regra, mas tampouco é exceção: famílias desestruturadas geralmente geram filhos propensos a terem algum tipo de problema social, independente da classe econômica. E não adianta apenas dar roupa, comida, escola e mesada. Amor é fundamental, mas bons exemplos são essenciais. Como disse alguém: sempre nos perguntam que tipo de mundo queremos deixar para nossos filhos, mas ninguém questiona que tipo de filhos queremos deixar para o mundo.


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