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terça-feira, 18 de setembro de 2012

A Democracia dos 200 Partidos

(Publicado no Diário Popular em 12 de setembro de 2012)

Em nenhuma outra época do ano a democracia brasileira fica mais latente, mais em evidência e mais exercida do que neste período eleitoral. A decisão de todos os cidadãos, através do voto, tem peso, indiscutivelmente, igual. O voto do pobre tem o mesmo valor do voto do rico; o do homem pesa tanto quanto o da mulher. Daqui a 25 dias nós, brasileiros, iremos às urnas para escolhermos nossos candidatos, dentre mais de duzentos partidos, para dirigir nossos municípios.
       Não estou aqui cometendo desvario matemático e tampouco parodiando o milagre da multiplicação dos peixes, mas peço, contudo, que acompanhem meu raciocínio.
     Existe no Brasil, oficialmente, trinta partidos políticos- número muitíssimo elevado mesmo em um país gigante pela própria natureza. Se pegarmos, desses 30 partidos oficiais, apenas cinco - os de maior representatividade e tradição, e multiplicarmos, digamos, pela metade do número de municípios gaúchos, ainda assim teríamos a absurda quantidade de 1240 partidos, número que obtive pela simples constatação de que, pra citar um exemplo e usando partidos fictícios, o PRX de Pelotas não é o mesmo PRX de Camaquã, e o PNTZ de São Lourenço tem comportamento diferente do PNTZ de Porto Alegre. Isso para ficarmos apenas em território gaúcho. Extrapolando nossas divisas as dessemelhanças aumentam. Os que aqui se coligam, não se coligam acolá, e é bastante comum observarmos, dentro de uma mesma sigla partidária, duas ou três frentes de pensamento ideológico, resultando em rupturas internas e até apoios velados ou explícitos.
      Antigamente a ascensão do homem político se dava, primeiro, dentro do próprio partido. Conquistava-se o prestígio entre seus pares para depois alçar voo às esferas públicas. Hoje muitos partidos são fundados, ou fabricados, com o simples objetivo de permitir candidatura a um cargo eletivo, já que a constituição vigente permite. Resulta daí que muitos eleitores ainda encontram dificuldades em reconhecer a qual sigla determinado candidato pertence.
       Mas partidos políticos são constituídos de homens e de mulheres, e são neles que votamos, apesar de que o contestado quociente eleitoral pode eleger candidatos preteridos pela maioria dos eleitores.
       As frentes partidárias, ou coligações, se alternam a cada pleito. Um ou dois partido de maior expressão juntam-se a outros que ainda procuram um lugar ao sol para conquistar eleitores e espaço nas propagandas eleitorais gratuitas – que de gratuito não tem nada, porque alguém precisa pagar o preço da veiculação. Essas coligações criam jingles e slogans inventivos para vincular seus candidatos às suas bandeiras, já que muitas vezes são tantos os partidos coligados que nem os filiados conseguem nominar todos.
      Mas em um país pluricultural, plurirreligioso e plurirracial como é o Brasil, nada mais natural que também sejamos um povo pluripartidário; o voto, porém, é singular. Usemo-lo, portanto, democraticamente. E com sabedoria.


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