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sábado, 29 de setembro de 2012

Memórias de Corredor 6 - De volta para o hospital.


A porta traseira da ambulância se abriu ainda sob a luz da tarde. Além da minha família, alguns amigos já me esperavam em casa. Carregaram-me até o quarto da minha irmã, onde eu ficaria os primeiros dias. Nas paredes, balões coloridos e cartazes de boas vindas. Logo a casa ficou cheia, amigos e parentes que vieram me visitar e oferecer ajuda no que fosse preciso. O chimarrão fazia roda, e até um violão se materializou. Foi um dia memorável.
      Março ia a trote e o verão persistia. Depois de algum tempo eu troquei de quarto, voltei para onde eu dormia antes de mudar para Porto Alegre. Em minha primeira saída de casa, fui carregado num cadeirão de praia, na caçamba de uma camionete Pampa, do meu primo Mario Madruga, para um bar no Cerrito, onde hoje é o Matrix Pub. Ah!, a primeira cerveja, depois de tanto tempo, desceu justinha. É bom estar em casa.
      Foi legal sair pra rua, aproveitar a noite, beber uma cervejinha com os amigos, encontrar conhecidos e ouvir um som ao vivo. Também era ótimo ficar em casa. Alguns amigos sempre ficavam até tarde, jogando cartas ou dados, ouvindo música, tomando chimarrão, assistindo filme, conversando.
     Abril chegou e chegou também o dia da revisão em Porto Alegre, com o mesmo médico que havia me operado. Estava curioso para sabe o que ele diria sobre o liquido amarelo e espesso que ainda saia de um pequeno vulcão na minha perna.
    Nestas alturas do campeonato eu já estava destro com as muletas. Fomos de ônibus, eu e minha mãe, de Pelotas para Porto. A consulta foi marcada para cedo da manhã. Depois de uma razoável espera no corredor apinhado de gente, fomos atendidos. Fui encaminhado para fazer uns raios-x e orientado a retornar. Nova espera. Como de hábito, abri os exames antes de entrar na sala do médico pela segunda vez naquela manhã, e o que vi realmente me preocupou. O Dr. Mauro, porém, deu sua palavra de especialista, que discordava da minha de leigo: a infecção era superficial e em breve iria estancar, bom retorno, prazer em revê-los, adeus.
      Maio entrou de supetão e em seu primeiro dia levou nosso ídolo, Ayrton Senna. No sétimo fiz 22 anos, com direito a festa surpresa e tudo. Todos meus amigos vieram, alguns de Porto Alegre, até. Ganhei presentes, abraços, beijos e uma namorada. O prato principal da festa na garagem era Churrasco de linguiça, pão e muita cerveja. O resto do mês transcorreu normal, com a chegada das primeiras frentes frias e dos estoques de lenha. O quarto já não era mais o ponto de encontro da gurizada, que agora disputava os espaços perto da lareira.
      Veio junho. Quatro meses após minha saída do Cristo Redentor, quando chegou a hora, quase que tardia, de procurar outro médico. A infecção não cedeu, como tinha dito que cederia o doutor da capital, então fui buscar duas opiniões de especialistas em Pelotas, e o diagnóstico de ambos foi análogo. Dias depois eu entrava no hospital, pela segunda vez, para, literalmente, salvar os meus ossos.  
Primeiro dia em casa

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