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terça-feira, 30 de outubro de 2012

Esperança

Jou Silveira

            A janela da sala não parava de bater, era uma tarde de muito vento, de muitas lembranças, pensava Tereza. Uma casa de praia fora de estação sempre traz recordações, e já fazia alguns anos das melhores. Verão, casa cheia, conversas intermináveis, noites tão pequenas para tantos assuntos, planos e mais planos, e a sensação de que o mundo iria parar por ali. Tinha que dar um jeito naquela janela, mas tinha receio, pois parecia que era ela que trazia as recordações. Quando seus pais faleceram, deixaram, além da casa na praia, uma renda que garantiria seu sustento sempre e, como não casara e nem tivera filhos, dinheiro não lhe faltava, mas tampouco servia para satisfazer sua maior necessidade, recuperar sua vida.
            Depois de incontáveis viagens ao exterior, cursos dos mais variados, desde “Culinária para principiantes” ao doutorado em Filosofia, resolveu recolher-se na casa da praia para escrever suas memórias e, por consequência, encontrar um novo começo. Já estava passando dos 50 anos, era preciso aproveitar nem que fosse o 2° tempo.
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            Júlia tinha esgotado o estoque de paciência com sua vida no interior, que ela achava sem graça. Tudo se resumia em algum trabalho (era professora), pouco dinheiro, alguma bebida a mais no final de semana, e uma insatisfação que lhe torturava amargamente. Morava com os pais, que sustentavam a casa, e dispunha de tempo, de um amaldiçoado tempo, e era preciso fazer alguma coisa com ele. Fizera 32 anos e sair da casa dos pais era uma condição.
            Alugou um apartamento, trocou de emprego (continuava no Magistério), e teve um filho.
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            O livro estava indo bem para Tereza, o prazo que a editora havia estabelecido estava dentro de seu cronograma, e aparecia, todas as vezes em que ela começava a escrever, uma alegria juvenil, um colorido parecido com os dos verões de seu passado.
            Na feira de hortifrutigranjeiros, que ia todos os sábados pela manhã, Tereza fez amizade com Olga, um pouco mais velha que ela, e que também morava só desde que sua filha casara. Do ex-marido não tinha notícias desde que se separara, anos atrás. Tereza tornou-se amiga inseparável de Olga, acompanhando a amiga em todas as oportunidades possíveis.
            Certa noite, quando conversavam sobre o livro, lembrou que ele ainda não tinha título, o que fez com que Olga, sabedora do conteúdo, sugerisse o nome de “ESPERANÇA”, por que, segundo ela, ele havia resgatado Tereza.
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            No novo emprego, Júlia conheceu Berenice, uma professora aposentada mas que insistia em continuar lecionando, viúva, e de uma candura que logo cativou Júlia.
            A vida era dura com Júlia, o relacionamento com o qual tivera seu filho não deu certo e ela tinha de enfrentar uma carga horária pesada para poder dar conta das despesas, e mesmo nas férias aproveitava para fazer um dinheiro extra ministrando aulas particulares. Muitas vezes teve vontade de abandonar tudo e voltar para a casa de seus pais, mas sempre tentava mais uma vez.
            Final do ano, férias, Júlia já prospectava  alunos, quando Berenice a convidou para passar alguns dias em sua casa na praia. Por que não?, pensou Júlia, afinal alguns dias serviriam para refletir sobre sua possível última tentativa.
            Instalada com o filho em um quarto grande com banheiro, no segundo andar (a casa tinha oito quartos), não resistiu a uma inquietante dúvida, desceu as escadas e encontrou Berenice preparando um lanche para todos. Após algumas trivialidades, Júlia pergunta como, sendo professora a vida inteira, Berenice conseguira adquirir um imóvel daqueles, que além de muito grande, era maravilhoso, com jardim, piscina, e todo o conforto que alguém poderia imaginar. Berenice então contou que herdara de sua mãe, mas que essa também não conseguiria adquirir, pois também fora professora. Sua mãe tinha herdado de uma amiga, que perdera seus pais e seus quatro irmãos em um acidente  e nunca casara nem tivera filhos. Berenice disse também que as duas haviam sido amigas inseparáveis.
            Comovida, Júlia fala para Berenice que está cansada da viagem e que iria recolher-se. Ao deitar, percebe, na estante de livros do quarto, um volume em destaque. Levanta, caminha até a estante, apanha o volume e lê na capa dura, escrito em letras douradas: “ESPERANÇA”. Abre a primeira página, e a dedicatória diz:
PARA MINHA QUERIDA AMIGA OLGA, COM QUEM REENCONTREI A VIDA. TEREZA.
Quando amanheceu, Júlia fechou o livro E estava pronta para tentar novamente.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Contos Apressados

Publicado no Diário Popular de 24 de outubro de 2012 
Tem uma obra literária que começa, e também termina, assim: “Quando acordou o dinossauro ainda estava lá.” Outra: “Vende-se sapatos de bebê, sem uso”.
São dois dos mais conhecidos minicontos, ou microcontos - como também são chamados. O primeiro é de autoria do guatemalteco Augusto Monterroso que, diferente da brevidade de seus contos, teve vida longa, falecendo aos 82 anos, na Cidade do México, em 2003. O segundo microconto é do escritor Ernest Hemingway.
 A principal característica desse gênero literário, o microconto (ou nanoconto), é o minimalismo. Sem regras definidas e regulamentadas, os microcontos têm no máximo 150 caracteres. Embora se tenha registros de obras escritas há muito tampo, sua popularização se deve às tecnologias da informação e da comunicação, já que um miniconto pode ser enviado via mensagem de celular (SMS) ou ainda postado no twitter. A ideia principal de um microconto é instigar seu leitor a imaginar toda uma história que se esconde por de trás de poucas palavras.
Dizem que um contista é um romancista com presa. Imagino, então, que um microcontista é alguém com muita, mas muita pressa. Escrevi os meus, num desses momentos de sofreguidão.
“Preferia morrer a dizer que não a amava, pois isso acabaria com a vida dela. Resolveu se matar, e acabou com a vida dos dois”.
“Um olhar de canto-de-janela e um sorriso a meia-porta mostravam uma casa feliz: foi dia de faxina”.
“Encheu a boca para falar tudo que tinha vontade, mas engasgou com a cedilha e tossiu, jogando as letras na cara dele, que ficou sem entender bulhufas”.
“Obcecado pela morte, disse que a encontraria nem que fosse a última coisa que fizesse na vida. E foi”.
- Preciso te contar um segredo.
- Não, por favor, minha cabeça já está cheia deles.
- Libere algum pra acolher o meu.
- Não posso, são de outros. Apenas os guardo.

“Essa mania que minha alma tem de sair para visitá-la toda noite enquanto eu durmo... Vá que um dia não volte e eu me atraso pro trabalho”.
“Achei um beijo teu caído no meu tapete, depois que você foi embora. Plantei no quintal e cresceu uma linda árvore. Agora terei seus beijos sempre que quiser”.
“Abriu a cabeça no meio-fio. Desesperou-se. Viu todos seus segredos espalhados na calçada”.
“Morro um pouco a cada dia - uns dias mais do que outros - e renasço a cada sorriso teu. Não tenho mais vidas que o gato?”
“Era tanto mar, tanto azul, que me vi assim, naufragando em teus olhos”.




John McClane em Balneário Camboriú


Dia desses fomos tocar em Camboriú. Balneário, não o outro. Uma curtida desde a saída. Alguns de nós saíram da balada direto pro microônibus. Eu saí de casa, dormido. Na bagagem, instrumentos musicais, filmes, rango e cervejas. Treze horas de estrada e chegamos, recepcionados por amigos e conterrâneos. Banho no hotel e rua de novo, beira da praia, mais chope.
No outro dia, um pouco de descanso, reconhecimento do local, passagem de som e aguardar a noite chegar. O local escolhido pela Pax Filmes, nossa contratante, foi o Didge Steakhouse Australian, um pub australiano, como diz o nome. Depois do Sérgio Malandro foi a nossa vez. Puta festa, que fazia parte da convenção anual da Viacabo TV. Voltamos no dia seguinte, um tanto diferentes, e com o dever cumprido.
Algumas imagens:

Participação da platéia



Até Sérgio Malandro curtiu 
Vídeos:
Meu Erro
http://www.youtube.com/watch?v=MqhaGmW4jw4&list=UUIeyPTnXUycHYzBxpOgs1SQ&index=1&feature=plcp

Another Brake The Wall
http://www.youtube.com/watch?v=BluUDGQR1OY&feature=youtu.be

Camila
http://www.youtube.com/watch?v=9Hq54RiE7GU

Outras apresentações:
Canguçu -

http://www.youtube.com/watch?v=QT2AwPd44lY&feature=youtu.be

Ensaio:



https://www.facebook.com/photo.php?v=175639949251599&set=vb.126958110786450&type=2&theater

 

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Memórias de Corredor 7 - Furadeiras e Sonda de Alívio


Chegamos ao hospital numa tarde fria e ensolarada de junho. A primeira vista, não me pareceu em nada com um hospital. O corredor onde eu ficaria por dois meses era bem iluminado pelo sol que entrava por janelas do tipo escotilha, em esquadria de alumínio, que iam de ponta a ponta do corredor. Não tinha movimento de macas, nem de enfermeiros, nem de nada. Calmo e silencioso. O quarto era igualmente arejado, com janelas semelhantes às do corredor. Tinha ar-condicionado, uma novidade pra mim. De resto, era igual aos outros: cama hospitalar, sofá para o acompanhante, uma poltrona, banheirinho, mesinha pra refeição e um pequeno guarda-roupa. Instalamos-nos, eu pronto para a cirurgia na manhã seguinte.
    A sala de cirurgia também tinha bastante luz natural. O anestesista escolheu a raquidiana – ou a epidural, não sei bem ao certo -  então eu ficaria acordado durante o procedimento. Para a equipe, era como se estivessem fazendo algo normal como consertar um aparador de grama. Todos conversavam entre si e comigo. Houve um momento de tensão quando a furadeira travou e não quis desligar. Ouvi o médico dizer que por pouco não furou uma artéria. Depois a furadeira substituta se negou a trabalhar e foi preciso convocar uma terceira. Parece que eles têm um estoque de ferramentas de carpintaria no hospital. Após quase três horas de cirurgia, o médico levantou minha perna para que eu pudesse ver o serviço acabado. Do joelho até o pé era só ferro, porcas e parafusos. Depois dormi.
   A sala de recuperação era vazia como parecia ser o resto do hospital. Apenas eu e outro paciente esperávamos para ir para o quarto. Quando chegou a minha vez, duas enfermeiras vieram me buscar, as únicas duas do turno naquele andar. Familiares e amigos já esperavam no quarto. Então começou o sufoco. Por causa do soro, logo minha bexiga ficou cheia, e quem diz que eu conseguia urinar, anestesiado que estava?! Força daqui, força dali, e nada, apenas uns puns barulhentos que, de minha parte, eu nem sabia se eram meus, pois não sentia nada da cintura para baixo. Solução: sonda de alívio.
   As duas enfermeiras que me trouxeram para o quarto vieram fazer a aplicação. Pediram que todos saíssem e se puseram a trabalhar. Pareciam que estavam com mais vergonha do que eu. Aliás, se tem algo que perdi nessa coisa toda foi, além do baço e parte do fígado, a vergonha. Uma delas advertiu: se tu rir ou fizer cara de quem está gostando, eu vou embora. Rir do quê?! Duas mulheres enfiando um canudo na tua uretra não é uma coisa muito engraçada. Em compensação, o alívio foi incrível, pude sentir direitinho a bexiga esvaziando. Mais um pouco e acho que teria estourado; sairia urina pela boca, olhos e ouvidos, uma cena horrível de se imaginar.
   Mas fiquei bem, era apenas o começo, o primeiro de 60 dias no Miguel Pilcher.





quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Criança Grande


Publicado no Diário Popular do dia 10 de outubro

Minha mãe me telefona e pede que eu vá até sua casa, pois tem algo que gostaria de me entregar. Sei que ela foi até Jaguarão, visitar uma tia querida. Não se contendo, atravessou a histórica ponte Barão de Mauá para comprar um doce de leite qualquer para o seu café da manhã, e deve ter comprado algo pra mim. No momento em que desligo o telefone juro ter ouvido um taptaptap, como faz um pezinho batendo: taptaptap. Penso que ouvi também palmas e risos alegres, mas não tenho certeza.
   Termino algumas tarefas simples, mas inadiáveis, e saio de casa. Vou caminhando, pois meus pais moram apenas a algumas quadras, e andar me faz bem. Passo em frente à casa do vizinho e vejo seus filhos jogando bola de gude no pátio. Sorrio pra mim mesmo, surpreso. Achei que ninguém mais jogasse bolinhas de gude, brincadeira tão comum na “minha época”. Pelo caminho encontro amigos - cidade pequena, sabe como é. Paro para conversar com alguns, apenas cumprimento outros, e vou andando. Vez por outro tenho a impressão de ouvir risos e olho pra trás, talvez as crianças do vizinho estejam me seguindo. Não vendo ninguém sigo, impassível, minha caminhada - hoje é feriado!
   Passo no bar do Jayme onde há 15 anos eu entrava, diariamente, para comprar cigarros, hábito que, pelo bem da saúde, eu abandonei; porém conservo o de tomar um cafezinho sem pressa no balcão e conversar com meu velho amigo. Algumas crianças brincam com um jogo de tabuleiro em uma das mesas. Escuto de novo o mesmo taptaptap que ouvi em casa. Mais risos abafados. Olho para a mesa onde estão as crianças, mas os ruídos não vêm dela. Estão concentradas, embora estejam se divertindo muito. Termino meu café, peço pra pendurar e vou embora.
    Vou andando, absorto em meus pensamentos de feriado quando sou surpreendido por dois garotinhos que cruzam, céleres em suas bicicletas, fazendo um som que não imaginava mais ouvir na minha vida. Eles fixaram tampas de margarina com prendedores de roupas nas rodas traseiras, para fingir barulho de motor.
    A escola ao lado da casa dos meus pais mantém o pátio aberto durante os finais de semana e feriados para as crianças poderem brincar em segurança. Andes de virar a equina já posso ver o colorido das pandorgas e a algazarra do jogo de bola. O pátio está quase cheio.
   Minha mãe me recebe com um fumegante bolo de laranja e uma xícara de chá. Sentamos no sofá e ela me conta notícias da tia de Jaguarão e outras amenidades. Quando me entrega o que trouxe pra mim da fronteira ouço novamente os gritinhos de alegria e o bater de pés. Então o vejo. Sentado lá num cantinho da minha jovem alma de quarenta e tantos anos um garotinho de cabelos dourados e olhos castanhos. Reconheço imediatamente a criança que fui um dia, e então deixo que ele venha receber o presente, iluminando o mundo com seu sorriso. Minha mãe me abraça e, divertida, diz: Feliz Dia da Criança. E vamos embora, eu e a criança que agora sou novamente. 

domingo, 7 de outubro de 2012

John McClane no Aniversário da Portal.


Nem só de eleição foi o fim de semana em Pedro Osório e Cerrito. Festa também faz parte da vida de nós mortais. Dia 06, véspera de eleições, a Radio Portal Sul FM comemorou 10 anos de atividades, no Matrix Pub, a casa que vem esquentando as noites em Cerrito e Pedro Osório.  E a banda John McClane participou desta grande festa, que contou ainda com a participação de Robson e Brussa (participação especial de Amin), banda Lenha Verde, fazendo uma bela homenagem ao maluco beleza Raulzito com o seu Tributo, e grupo Com Malícia, que encerrou a noite com muito pagode até às primeiras horas da manhã do dia 7.
     Foi uma noite de muita música e descontração, com a casa cheia durante toda a festa, e a John McClane (com participação de Maurício, da banda Paralelos) tocou o melhor do PopRock nacional e internacional, mostrando um pouco do que irá apresentar em algumas semanas em Balneário Camboriú.
   Abaixo, algumas imagens da festa.
Jonh McClane

Mauro


Mauricio e Tela



Manu e Vanessa

Denise Campos e o infinito

 prof. Paulo Correa e sua esposa Janete

Wagner e Mateus (banda Lenha Verde)

Edinho, Rui e esposas

Dani, Kiko, Geisa e Tatiana

Cristiane e Carla

Paulo, Fabiani e Catia



Juliano Quevedo

Maurício, Cristiane e Índio

Lu, Lui e Jéssica.




sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Ganhe Ingressos para a III FestFan



Venha se divertir na festa que vai ficar na sua memória. III FestFan - a Festa à Fantasia de Pedro Osório, onde a principal atração é você.
Siga nosso blog e concorra. É só clicar em Participar Deste Site na barra lateral direita e pronto, você já está concorrendo, e receberá um e-mail como esse:

Amigo(a) Seguidor(a):
Obrigado por acompanhar o blog. Você  está concorrendo a um ingresso para a III FestFan. Os sorteios (dois) serão feitos através de sites especializados de Sorteio Online. Cada seguidor receberá um número para concorrer, por ordem de adesão. Não poderão participar pessoas com o sobrenome Raatz, Pons, Alam e Satte.
As inscrições encerram-se no dia 01 de dezembro, e o sorteio será realizado no dia 02 de dezembro. Os ganhadores receberão  um ingressos cada para a noite de 08 de dezembro, para a III Festa à Fantasia

Boa sorte para
01 – Adalberto Batista Silva.
02 - Daniela Bernardi
03 - Família Caldeira Ribeiro
04 - João Carlos Rosenthal 
05 - Laura Paranhos
06 - Regina Lima
07 - Taciane Brussa
08 - Glaci Moraes Machado 
09 - Lisiane Costa
10 - Lavínia Valin
11 - Celso Luis Martins
12 - Mauricio Mortagua
13 - Daniel Fraga
14 - Claudio André Oliveira
15 - Tati Aldrighi
16 - Angélica Maria
17 - Andressa Meireles
18 - Vanessa Barbosa
19-  Vitor Reis 
20 - Elisângela Gomes
21 - Carol Ferraz
22 - Camila Borges 

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Entrevista: Gino Cesar

Quem conhece Gino Cesar Brussa sabe o tamanho do coração que ele carrega. Polêmico para alguns, revoltado, malandro, sonhador e festeiro na opinião de outros,o fato é que esse cara já viveu muita coisa na vida. Tem grande amor pelos amigos e pela família, e está sempre pronto para ajudar (se rolar uma cervejinha depois, melhor). Esse é Gino Cesar, um cara que não liga para o que pensam dele e não tem medo de dizer o que pensa.


Maurício Pons: Sr, Gino, onde começou sua carreira como jogador profissional?
Gino Cesar: Foi em São Gabriel, no ano de 1987.  Disputei a segunda divisão do Campeonato Gaúcho pelo SER São Gabriel, e depois disso eu me transferi para o 14 de Julho, de Santana do Livramento. Nesta época eu estava com 18 anos.

MP: Em quais outros times o senhor atuou como profissional?
GC: Tive uma passagem pelo Fronteira, time uruguaio. Joguei, também, no Internacional de Santa Maria e no Guarani de Venâncio Aires. Quando voltei para Pedro Osório ainda joguei no Internacional de Arroio Grande, no Farroupilha de Pelotas e no Riograndense, em Rio Grande, meu último clube.

MP: De quais jogadores o senhor mais lembra, dos que atuaram pela série A, mas que jogaram ao seu lado durante sua carreira futebolística?
GC: Joguei com o Pino, que atuou pelo Grêmio de Porto Alegre e também com Claudiomiro, zagueiro do Grêmio no início dos anos 2000. Claudiomiro que também defendeu as camisas do Santos e do Curitiba. Joguei também com Claudio Vallejo, que jogou pelo Penharol de Montevideo e no Botafogo carioca.


MP: O senhor foi treinador da seleção de futsal de Pedro Osório, quando ela alcançou uma das melhores colocações na Copa RBS até hoje. O que faltou para chegar a final?
GC: Na verdade o que a maioria dos torcedores não consegue entender é que por mais que você tente fazer com que o atleta jogue pela cidade e honre sua camisa, se tu não pagar o jogador ele se acha no direito de não ser cobrado e se acha isento de compromisso. O que eu fazia era deixá-los bem à vontade pra terem prazer de jogar futebol, e de certa forma conseguimos alcançar um bom resultado, não o que todos queriam, que era chegar a uma final, mas valeu a luta. Reconheço que faltou comprometimento, mas, como eu disse, é natural nessas situações.

MP: E aquela história de que os jogadores foram para um bailão na véspera de jogo, é verdade?
GC: Repito que é muito difícil treinar jogadores que não ganham nada pra jogar. O que aconteceu foi o seguinte. Depois do primeiro jogo todos foram jantar. Isso já era mais de 23 horas e alguns jogadores pediram para dar uma caminhada pelo bairro do hotel para fazer a digestão. Eu os liberei ate umas 2 horas mais ou menos, inclusive eu os acompanhei. Passamos por um clube onde uma banda de pagode tocava e entramos para dar uma olhada. Todos que estavam comigo voltaram para o hotel lá por duas e meia da madrugada, mas teve um ou dois jogadores que abusaram e ficaram ate mais tarde, e eu não podia obrigá-los a voltar. Claro que eu tenho a minha parcela de culpa, sem dúvida, mas fiz o que achava que era necessário fazer.

MP: Depois você (posso chamá-lo de você?) ficou longe das quadras e gramados e se dedicou à realização de eventos. Como foi essa fase?
GC: Na verdade eu tinha na realização desses eventos dois pensamentos: um era o gosto de fazer, me envolver era bom; e outro era de correr atrás do dindin nosso de cada dia. Porém eu geralmente fazia uma loucura atrás da outra e botava os pés pelas mãos. Eu pecava muito pela falta de organização de minha parte, sobretudo nas finanças dos eventos que realizei, porque o dinheiro que entrava dos patrocinadores era pra tudo para os meus gastos e para os gastos do próprio evento, aí não tem nada que dê certo. Em alguns eventos não conseguia cumprir com as despesas combinadas com bandas e tal.  Não é desculpa, nunca fiquei com dinheiro no meu bolso, porém não conseguia cumprir, por vários motivos. Ou tempo ruim, ou venda dos ingressos e, como já disse, a falta de um planejamento mais detalhado. Ficou o aprendizado.

MP: Você também foi cantor, já foi premiado em concursos de calouros e fez shows para grandes plateias (Terra & Cor). Como foi isso?
GC: Foi uma fase da minha vida muito gostosa.  É muito bom cantar pras outras pessoas, são momentos que eu não esqueci (essa parte, Gino canta como o Rei Roberto). O grupo Chamego ficou na minha lembrança. Hoje canto só quando vou a Pedro Osório com meus amigos dos Paralelos. Isso quando eles deixam (risos).

MP: Depois de Pedro Osório, você foi morar em Porto Alegre, e atualmente está morando em Camboriú. Como está sendo esse momento?
GC: Minha vida sempre foi muito difícil e atribuo todas as dificuldades que passei por não ter estudado. Mas tive muita sorte de ter amigos que me ajudaram muito. Quando fui morar em Porto Alegre fui trabalhar com meu amigo e meu irmão Jayme. Minha passagem em Porto Alegre foi conturbada, fiz muitas besteiras e quase perdi as coisas mais valiosas que eu tinha, como meus melhores amigos, minha esposa. Ma graças a Deus hoje eu estou nesse paraíso chamado Balneário Camboriú, e hoje estou muito feliz, tenho minha família perto de mim, tenho minha filhinha linda, minha esposa que eu amo e tenho meu trabalho, que é treinar atletas que se preparam pra fazer testes em equipes de futebol.
Preparando atletas para testes
MP: Recentemente o senhor treinou o Tubarão. Como foi a experiência de voltar aos gramados tantos anos depois?
GC: Sempre tive capacidade para ser treinador de futebol. Depois de treinar a Seleção de Pedro Osório eu fui bicampeão com o time do Tropa Maldita e no ano seguinte fui campeão treinando o Piratini. Em Porto Alegre eu estudei e fiz o curso no Sindicato dos Treinadores Profissionais do Rio Grande do Sul. Quero aproveitar e mandar um abraço pro meu amigo Ricardo Alves, que num churrasco tentou limpar os espetos com meu diploma de treinador. Queriam me derrubar (risos). Minha estreia como treinador foi com os meninos da escola Pedro Brizolara, a pedido do meu amigo, a quem considero meu degundo pai, o professor Darlan Pons. O time acumulava derrota em cima de derrota. Treinamos por duas semanas, e para minha surpresa, fomos campeões do Torneio Estudantil naquele ano. Agora tive essa oportunidade de treinar o time de juniores do Tubarão de Santa Catarina, clube da segunda divisão que está subindo para a primeira no ano que vem, pois alcançamos a segunda colocação.
 Treino com o Tubarão de SC
MP: Agora, é curtir a Maria Luiza.
GC: Hoje percebo ainda mais a importância da família em nossas vidas. A Maria Luiza é realmente e uma benção de Deus por tudo que a minha mulher passou nos últimos anos.  Ela é muito linda, chegou cheia de saúde pra trazer muita alegria para nosso lar. Tenho, também, minha filha lá em pelotas que eu amo muito, mesmo não conseguindo conviver com ela, mas ela pode ter certeza de que ela está no meu coração.

MP: Senhor Gino, muito obrigado pela entrevista. Sucesso na carreira de treinador.
GC: Foi um prazer. Antes de terminar, quero deixar registrado aqui que mesmo estando longe dos meus amigos eu quero que saibam que estou sempre torcendo por eles, e que tenho saudades deles e que os amo muito, em especial os meus irmãos Mauricio, Luciano Alam, Jayme Pons Neto, o diretor Paulo Pons, meu pai Darlan Pons, e a toda a minha família, minhas irmãs e meus irmãos. 
Gino, Elizangela e a pequena Maria Luisa