Pesquisar neste blog

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Contos Apressados

Publicado no Diário Popular de 24 de outubro de 2012 
Tem uma obra literária que começa, e também termina, assim: “Quando acordou o dinossauro ainda estava lá.” Outra: “Vende-se sapatos de bebê, sem uso”.
São dois dos mais conhecidos minicontos, ou microcontos - como também são chamados. O primeiro é de autoria do guatemalteco Augusto Monterroso que, diferente da brevidade de seus contos, teve vida longa, falecendo aos 82 anos, na Cidade do México, em 2003. O segundo microconto é do escritor Ernest Hemingway.
 A principal característica desse gênero literário, o microconto (ou nanoconto), é o minimalismo. Sem regras definidas e regulamentadas, os microcontos têm no máximo 150 caracteres. Embora se tenha registros de obras escritas há muito tampo, sua popularização se deve às tecnologias da informação e da comunicação, já que um miniconto pode ser enviado via mensagem de celular (SMS) ou ainda postado no twitter. A ideia principal de um microconto é instigar seu leitor a imaginar toda uma história que se esconde por de trás de poucas palavras.
Dizem que um contista é um romancista com presa. Imagino, então, que um microcontista é alguém com muita, mas muita pressa. Escrevi os meus, num desses momentos de sofreguidão.
“Preferia morrer a dizer que não a amava, pois isso acabaria com a vida dela. Resolveu se matar, e acabou com a vida dos dois”.
“Um olhar de canto-de-janela e um sorriso a meia-porta mostravam uma casa feliz: foi dia de faxina”.
“Encheu a boca para falar tudo que tinha vontade, mas engasgou com a cedilha e tossiu, jogando as letras na cara dele, que ficou sem entender bulhufas”.
“Obcecado pela morte, disse que a encontraria nem que fosse a última coisa que fizesse na vida. E foi”.
- Preciso te contar um segredo.
- Não, por favor, minha cabeça já está cheia deles.
- Libere algum pra acolher o meu.
- Não posso, são de outros. Apenas os guardo.

“Essa mania que minha alma tem de sair para visitá-la toda noite enquanto eu durmo... Vá que um dia não volte e eu me atraso pro trabalho”.
“Achei um beijo teu caído no meu tapete, depois que você foi embora. Plantei no quintal e cresceu uma linda árvore. Agora terei seus beijos sempre que quiser”.
“Abriu a cabeça no meio-fio. Desesperou-se. Viu todos seus segredos espalhados na calçada”.
“Morro um pouco a cada dia - uns dias mais do que outros - e renasço a cada sorriso teu. Não tenho mais vidas que o gato?”
“Era tanto mar, tanto azul, que me vi assim, naufragando em teus olhos”.




2 comentários:

  1. "Hã! Viajei... e me perdi. Que diabos de lugar é este?"
    Você é muito bom nisso blogueiro, muito bom!
    Ps.: se for possível, conte outro pra que eu volte?! valeu! hehehehehehehe

    ResponderExcluir
  2. Ora, ora.. obrigado pela visita, blogueira. Mesmo que eu não conte outro, podes voltar sempre. Boa semana!

    ResponderExcluir