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domingo, 11 de novembro de 2012

O (des)Serviço do Fone 135

Publicado no Diário Popular do dia 7 de novembro.



Meu amigo Pedro sofre de gonartrose, um problema que degenera, sem volta, a cartilagem que protege a articulação do joelho, no caso dele. Sequela de acidente. Quando caminha mais de três quadras, a dor severa que sente o obriga a tomar uma condução pra retornar ao ponto de origem. Isso o impediu de trabalhar, representante comercial que era. Embora usasse carro em suas atividades, era um desce e sobe do veículo, com caixas de amostras de mercadorias, que só fez piorar seu estado.
Parou de trabalhar e procurou um médico. Necessitaria de uma cirurgia. Aconselhado, ligou para o 135 e marcou uma perícia médica, que foi agendada para 40 dias depois.
No dia marcado, lá estava ele, depois de viajar 60 quilômetros, cedinho da manhã. Após esperar por cerca de três horas, foi atendido. A médica, perita, leu o laudo do cirurgião e disse, deixando perplexo meu amigo, que era insuficiente, pois o documento só continha o código CID. Nem perderia tempo vendo as radiografias, pois precisava de mais detalhes do médico dele. Pedro achou estranho, pensou que ela é que fosse a perita.

Para evitar novo constrangimento, resolveu voltar após a cirurgia, aí, quem sabe, com a perna retalhada e engessada, fosse mais fácil receber o benefício que era seu por direito. Conseguiu remarcar para vinte dias após a operação.  Viajou novamente os 60 quilômetros e chegou na agência da Previdência cedinho. Nem esperou. A médica perita ficara doente e seu atendimento fora transferido para quatro dias depois. O tal dia amanheceu sob forte chuva, e meu amigo ponderou que viajar nestas condições seria imprudente. Ligou para o 135 para, quem sabe, remarcar para logo. A atendente, solícita, disse que ele só poderia remarcar uma única vez. - Tudo bem, disse Pedro.  Então a moça simpática remarcou para o dia 24 (cinquenta dias após a primeira perícia). - Ih, moça, dia 24 eu não posso viajar, então vou hoje mesmo, com chuva e tudo. - Desculpe, - devolveu a moça, – a perícia já foi remarcada. Pra desmarcar só indo na agência e pedir o cancelamento. Depois disso o senhor liga novamente para o 135 e marca nova perícia.
Pedro, então, para não perder mais tempo, fez uma procuração, conforme orientação da moça do 135, autorizando sua mãe a cancelar a consulta na agência. A mãe de Pedro, então, fez os 60 quilômetros de ônibus, ainda sob chuva, para cumprir o combinado. Lá chegando, foi informada de que houve algum engano, que não era possível cancelar a perícia, alguém do 135 tinha se equivocado. O correto era esperar passar o dia 24 para depois ligar novamente e remarcar nova perícia, que, com alguma sorte, seria realizada lá por dezembro. Até lá, se Deus quiser, meu amigo já estará sem o gesso, e o Estado poderá usar o benefício do pobre Pedro para algum outro investimento qualquer (Pedro voltou à agência de Pelota por mais duas vezes, e, até agora, não conseguiu remarcar a perícia).

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