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quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Brava Conquista

(Publicado no Diário Popular de 5 de dezembro de 2012)


Se existem os genes da bravura, da conquista e da liderança, certamente serão encontrados no DNA dos gaúchos. Ouvi falar de cidades fora do RS fundadas por gaúchos. Imagino que três ou quatro gaudérios chegaram em seus cavalos, apearam, plantaram a bandeira do Rio Grande, ergueram um CTG, trouxeram as prendas, a piazada e criaram raízes. Sobretudo, prosperaram. Não sei de cidades em Estado alheio onde a maioria dos moradores é de paulistas, cariocas ou baianos. Mas de cidades repleta de gaúchos em outros pagos, já ouvi falar.
       Getúlio Vargas era gaúcho de São Borja. Ocupou um dos dois principais cargos do Brasil: o de Presidente da República (o outro cargo é o de técnico da Seleção Brasileira, onde a gauchada também tem passe livre). Suas obras e realizações no âmbito social e trabalhista são, até hoje, demais importantes. Seu nome está gravado na história do Brasil. Poucas são as cidades que não tenha uma rua, praça ou avenida com o seu nome. Até um município Getúlio Vargas existe.
Estudei no Colégio Estadual Getúlio Vargas, de Pedro Osório. Muito do que sou foi moldado entre aqueles muros. Não existiam professores e colegas, éramos todos amigos, família. Alguns mestres da minha época ainda estão lá, ensinando e educando; e outros já não exercem mais a profissão de professor, como meu pai que se aposentou.
       O professor Darlan Pons dava aula de Educação Física no GV (até hoje a escola é carinhosamente chamada de Gevê). Naquela época as aulas práticas eram ministradas no pátio da escola, numa quadra de chão poeirento do tamanho que um campo de futebol de sete, ladeada por lindos e enormes pinheiros. Depois de alguns minutos de corrida e ginástica, vinha o momento mais esperado pela gurizada: o futebol. Diziam que eu tinha um chute forte, mas na verdade nunca passei de um jogador ruinzinho. Minha camiseta poderia muito bem ter um número à esquerda de zero.
      Dias atrás visitei a escola, durante as comemorações de seus 50 anos. Muita coisa mudou. Um forte temporal derrubou as grandes árvores ainda na minha época. Novas salas de aula foram construídas sobre a antiga quadra de terra, e a escola ganhou uma outra menor, de cimento. É nesta pequena cancha de futebol que treinam nossos mais ilustres atletas, os bravos conquistadores das Olimpíadas Escolares, a equipe campeã estadual de futsal, que depois de competir com escolas de todo o estado conquistou o direito de disputar a final nacional em Cuiabá, no Mato Grosso. Composta por alunos da oitava série e do ensino médio do GV, liderada por seus professores, a gurizada embarcou na última quinta-feira em um avião – a primeira vez para todos eles – com destino à terras, aventuras e adversários desconhecidos. Representam o RS nas Olimpíadas Escolares, uma grande honraria. Mas a honra maior é, sem dúvida, de todos nós, familiares, amigos e torcedores. No momento em que envio esse texto para o Diário, eles estão enfrentando a equipe de Santa Catarina pelas semifinais, mas independente do resultado, para nós, já são vencedores.
 

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