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quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Um Conto de Natal

Publicado no Diário Popular de 19 de dezembro de 2012


Alguns livros se perderam no tempo, ou com o tempo. Livros de minha infância, das primeiras letras, primeiras frases. Livros emprestados e não devolvidos, ou esquecidos no muro da escola, ou levados por uma das cheias, que também levou fotografias, lembranças, documentos, móveis e sonhos.

      Tínhamos em casa um armário do chão ao teto, de parede a parede, cheio de livros. A enchente de 1992 destruiu a maioria deles. Lembro que tentamos “reanimá-los” (livros respiram, acredite) com secadores de cabelo e espátulas, mas suas páginas estavam irrecuperáveis.

Havia uma coleção em dez volumes, capa dura, ilustrada, As Aventuras de Pedrinho, de Monteiro Lobato. Tinha também a enciclopédia Tesouro da Juventude, uma das minhas favoritas. Dezoito volumes de curiosidades, informação e literatura. Gostava muito do Livro dos Porquês e de outro que ensinava a construir coisas.

      Além desses, muitos outros livros dormiam no grande armário, junto com revistas (Manchete, Veja, Seleções Reader’s Digest) e jornais antigos. Meu pai tentou salvá-los retirando os que ficavam mais embaixo e passando-os para parte superior do armário, mas a cheia surpreendeu a todos e cobriu quase todo o móvel.

      Eram livros do meu pai, que eu gostava de ler. Meu, mesmo, não me recordo se havia algum naquele armário. Lembro, porém, dos primeiros livros que ganhei. Um deles foi O Príncipe e o Mendigo, de Mark Twain. Já tinha lido do autor As Aventuras de Tom Sawyer, que meu pai tinha em uma coleção da Editora Abril, também vítima da aluvião.

     Outro que fez parte dos Meus Primeiros Livros foi Um Cântico de Natal (A Christmas Carol), de Charles Dickens. Hoje é aniversário de sua primeira edição, originalmente publicada em 19 de dezembro de 1843. Neste livro, Dickens nos conta conta a história de Ebenezer Scrooge, um homem sovina que detesta o Natal e que explora o único empregado que tem. Na véspera do Natal, Scrooge recebe a visita de três espíritos: dos Natais Passados, do Natal Presente e dos Natais Futuros. Depois desta noite, Scrooge transforma-se em outro homem, bondoso e solidário.

    Esta obra inspirou muitas outras, de quadrinhos com Tio Patinhas e Mickey (Mickey's Christmas Carol) a filmes com os Muppets (The Muppet Christmas Carol), Barbie (Barbie em a Canção de Natal), Tom Hanks (O Expresso Polar) e Jim Carrey (Os Fantasmas de Scrooge). São histórias comoventes e inspiradoras, que nos fazem refletir sobre o verdadeiro espírito natalino, sobre o real motivo pelo qual devemos comemorar a noite do dia 24 de dezembro: o nascimento de Jesus.

    Inspiradora também foi a atitude da jovem pelotense Bianca Raatz e suas amigas, que com o dinheiro arrecadado em uma festa organizada por elas responderam a mais de 100 cartas escritas por crianças carentes endereçadas ao Papai Noel, enviando presentes para todas elas. Bem, pelo menos inspirou a mim, que já estou indo na agência do Correio pegar algumas cartinhas. Feliz Natal para todos.

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