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quinta-feira, 28 de março de 2013

Entrevista com o autor do perfil Pedro Osório, no Facebook


Nesta semana, conversei com o autor do perfil Pedro Osório, um hit que tomou conta dos chats no Facebook e extrapolou o plano virtual, sendo assunto nas conversas de esquina, mesa de bar e da sala de casa. O responsável pela página é nascido em Pedro Osório,  mas já morou em outra cidade. O defensor de sua terra natal deixa um recado para os curiosos: não pretende se revelar tão cedo.
Confira, abaixo, nosso bate-papo online (não, eu também não sei quem é! Mas desconfio, e acho que é gremista.)


Maurício Pons - Por que resolveu criar o perfil Pedro Osório?
Pedro Osório – Já morei em outra cidade, mas sentia muita falta desta terra, das pessoas, família e amigos, do rio Piratini. Muitos pedrosorienses, hoje, estão na situação que vivi quando morava fora, então minha primeira motivação ao criar o perfil foi a de aproximar esses amigos, pedrosorienses e cerritenses, que tiveram que deixar a cidade pelos mais diversos motivos. E deu certo. Recebo muitos elogios pelo chat do Face, de pessoas que estão longe mas que tem um carinho enorme por essa terra. Sempre tive vontade de fazer algo desse tipo, e quando vi o perfil Não Basta Ser Pobre Pedro Osório/Cerrito fiquei mais motivado ainda, e coloquei a ideia em prática.

MP – (o perfil) Pedro Osório é quase um hit, um viral na internet, entre os usuários do município. Quando criou o perfil imaginou que chegaria a esse ponto?
PO - Minha vontade é que o perfil seja visualizado por muitos, para que realmente o Face Pedro Osório tenha força na comunidade, para, assim, poder ajudar essa terra e esse povo que amo! Mas realmente não esperava que em tão poucos dias (o perfil foi criado a menos de 30 dias) a procura pela página Pedro Osório seria tão grande e comentada. Hoje somos 800 amigos no Face Pedro Osório!

MP - Como encara o movimento em torno de sua identidade real?
PO - A busca por minha identidade real acabou se tornando uma grande e involuntária jogada de Marketing. Somos Brasileiros e, como tais, adoramos o suspense. Mas reconheço que no momento em que eu me revelar, um pouco do romantismo e mistério do perfil irá se extinguir. Não pretendo me mostrar agora, mas sei que tem gente bem pertinho de descobrir. Dezenas de amigos entram no chat diariamente e fazem perguntas a respeito de minha identidade. Alguns andam bem perto.

MP - Você ganhou muitos admiradores. Alguns o consideram o porta-voz da comunidade, uma espécie de super-herói. Muitos super-heróis da literatura e do cinema têm um ajudante, um braço direito. Quantas pessoas conhecem a verdadeira identidade do Pedro Osório?
PO – As únicas semelhanças com um super-herói é que eu quero o bem de toda comunidade, sem almejar fama. E, como eles, eu também tenho um braço direito, a única pessoa que sabe com certeza quem eu sou.

MP – Sua participação por telefone no último programa Sem Cesura era aguardada, mas ficou apenas no chat do Facebook. O que o impediu de telefonar para o programa? Receio que o reconhecessem pela voz?
PO - Realmente afirmei pelo bate papo ao Jornalista e comunicador Iram Lima que falaria ao vivo no programa Sem Censura, e consequentemente minha identidade viria à tona. A coisa tomou tal forma que resolvi protelar ao máximo. As pessoas me escrevem "Me diz quem és, quero dormir e não consigo", "Estou em ânsias, fala vai". Então achei por bem adiar o inevitável. Inevitável, sim, porque a galera formula um questionário e, por exclusão, vai acabar chegando ao “amigo oculto" Pedro Osório.

MP - Suas postagens abordam assuntos de interesse de toda comunidade, escrevendo sempre, até onde eu vejo, sem ofender a quem quer que seja. Você já recebeu alguma mensagem de alguém que tenha se sentido ofendido por alguma postagem sua?
PO – Minha intenção é fazer o bem sem ver para quem. Até o momento nunca recebi mensagem de amigos que tenham se sentidos ofendidos, e caso ocorra peço escusas antecipadamente, não é e nunca será minha intenção.

MP - Você costuma abordar temas diversos, geralmente sobre os problemas e carências enfrentados pela comunidade de Pedro Osório. Você tem o costume de conversar com os moradores para saber o que pensa o cidadão de Pedro Osório sobre o atual momento?
PO - Os temas abordados são diversos, sim. Em conversas informais com amigos, no dia a dia, trocamos idéias sobre as necessidades de nosso município!

MP - O Perfil Pedro Osório é apartidário e apolítico, porém demonstra ter boa relação com a atual administração e os demais partidos, respeitando todas as bandeiras. Pergunto para o autor do perfil Pedro Osório: podemos cogitar uma futura candidatura a algum cargo eletivo? Você é filiado a algum partido?
PO - Mais uma vez afirmo que não sou imparcial, minha bandeira é o partido de Pedro Osório. Se estiver bom para comunidade esta bom para mim, se estiver ruim, vamos sugerir melhorias.
Com relação a uma futura candidatura, digo que não é esse meu interesse, que meu sonho é ver a cidade "comunidade" bem, em desenvolvimento. Não sou filiado a nenhum partido.

MP – Quais mudanças você observa que podem ter sido reflexo das “campanhas” abordadas em seu perfil?
PO – Um importante marco nessa caminhada para a construção por uma cidade melhor foi o tema dos cães errantes. Postamos pela manhã no perfil e a tarde a assessoria de imprensa da Prefeitura já realizou matéria sobre o início dos trabalhos com os cães de rua. Agora estamos trabalhando na campanha da Casa do Artesão, e já tem inúmeras pessoas dispostas a marcar audiência com o prefeito municipal para solicitar apoio e estrutura ao grupo, um anseio antigo desses profissionais.

MP - Pra finalizar: Vai se revelar? Quando?
PO - Não pretendo me revelar, mas as pessoas estão muito curiosas e em algum momento irão descobrir quem escreve para o perfil. Acho que o Face Pedro Osório sem um rosto e sem um nome é mais romântico, as pessoas te contam coisas como se fosse teu maior amigo, como um grande conhecido e isso é interessante, por vezes até parece consulta psicológica.

MP – Muito obrigado por seu tempo, parabéns pela iniciativa, e sucesso em seu empreendimento.
PO - Para encerrar gostaria de reiterar meu amor por Pedro Osório, meu interesse de ver a coisa andar, dar certo, para esse povo tão querido e hospitaleiro.
Gostaria de convidar a todos para adicionarem o perfil  Pedro Osório (na foto, a ponte do trem) e ajudar fazendo solicitações, e desfrutando, se Deus quiser, dos benefícios que queremos para Pedro Osório. Obrigado.
Foto do perfil no Facebook

segunda-feira, 18 de março de 2013

Riquezas

Publicado no Diário Popular de 17 de abril de 2013


Fui cortar o cabelo. Abri a carteira para pagar o serviço do barbeiro e lá estavam um ou outro cartão de crédito bloqueado, alguns cartões de visita, uma aposta da mega-sena do ano passado e outros papeizinhos sem importância. Dos cinco pilas – que é o que vale o corte de cabelo de um careca feito eu – nem sinal. Mas sou cliente antigo, pago na próxima.

     Voltando pra casa, com pressa de domingo, embora fosse sábado, ia pensando na miserabilidade da minha carteira contraponteando com minha riqueza. Sim, porque tenho tesouros. Família, amigos, minhas filhas, Deus, tesouros que não cabem em baús, mas que acomodo com facilidade no peito. E tenho, também, os que guardo em caixinhas escondidas no fundo do guarda-roupas, atrás das vestes de inverno para que fiquem bem aquecidos. Uma dessas caixas eu chamo de máquina do tempo. É abri-la e viajar por caminhos cheios de boas lembranças. Nela guardo cartas do tempo em que os carteiros ainda entregavam boas notícias, além de contas e revistas para assinantes. Até pensei em fazer dela uma Cápsula do Tempo, aqueles recipientes carregados com os mais variados objetos que as pessoas enterram para abrirem vinte cinco anos, ou mais, depois. Mas, não! Gosto de visitar o passado de vez em quando.

     Você, jovem leitor, que domina a internet, que tecla na velocidade de uma transmissão de dados, que abre a caixa de mensagens antes mesmo de sair da cama, você possivelmente desconhece a ansiosa emoção de esperar pelo carteiro, de abrir a caixinha do correio (não o eletrônico), de abrir um envelope de cartas tal qual uma criança abre um invólucro de figurinhas para preencher seu álbum (também fui desse tempo). E escrever para um amigo, de punho e caneta? A preocupação em não errar (não tinha o recurso da sublinha vermelha do Word), passar a limpo para corrigir rasuras, e depois despedir-se escrevendo “desculpe a letra”, como se letra feia precisasse ser desculpada. Letra feia a gente aceita. Ilegível, não.

     Quando o remetente usava muita cola a carta grudava no envelope. Na hora de abrir, um bom pedaço da missiva resultava perdido. Arquivo corrompido. O vírus de antigamente.  Tenho uma ou duas assim na minha caixinha, mas nem por isso tem menos valor.

Cartas de irmãos, amigos, ex-namoradas, parentes e até de desconhecidos como o menino Lucas, participante de um projeto chamado “Esperando o Carteiro”, desenvolvido por uma escola pública de Goiás, onde a gente “adota” um aluno para trocar correspondências à moda antiga. A ideia é estimular a escrita, comunicação, interação e a valorização dos Correios em plena era dos velozes e-mails. Aceitei com muito carinho o convite para participar do programa, que me foi feito por uma amiga que conheci na comunidade Livro Errante, um grupo que faz circular livros entre seus usuários através dos Correios.

   Falando nisso, peço licença. Chegou o carteiro trazendo um livro autografado, presente do autor, mais um item para a estante de minhas inumeráveis riquezas.  

segunda-feira, 4 de março de 2013

Urucubaca



Publicado no Diário Popular de 07 de março de 2013
 
Durante os nove anos em que morei em Porto Alegre, fui dono de cinco carros. Excelente média. Não por capricho, exibimento ou ostentação. O motivo de tanto troca-troca de automóveis é que nos nove anos em que morei na capital fui vítima de três roubos de carro e um acidente com perda total do veículo. Terrível média.

Meus amigos, quando me encontram, cumprimentam: - E aí, beleza? Nenhum carro roubado ultimamente? Dizem que quando os ladrões me veem estacionando falam: - Aí, bando de madraços, o pato tá chegando. Vamos, lá! Vamos trabalhar que ninguém tá com a vida ganha aqui, seus vagabundos!

O primeiro foi encontrado no mesmo dia e recolhido ao depósito licenciado pelo Detran. Fui verificar e não me deixaram chegar perto do carro. Somente na segunda-feira. Precisava de uma chave que estava no porta-luvas e um funcionário foi buscar pra mim. Na segunda, paguei um guincho para arrastá-lo até um ferro-velho, pois aquele não andava mais. Depenado.

O segundo carro, que um coisinha-de-nada com um trezoitão na mão me tomou no portão da garagem de casa quando chegava de um show do ótimo Nei Lisboa, foi encontrado um mês depois ainda em posse de bandidos que o utilizavam para praticar assaltos. Mas esse não me pertencia mais, a seguradora já tinha ressarcido. E do terceiro carro nunca mais tive notícias, tampouco vi o dinheiro do seguro, o que do contrário seria um milagre já que esse não era segurado. Quanto ao que teve perda total no acidente, a seguradora do causador cobriu.

Como é humano nominar culpados para nossas desditas, atribuo esses acontecimentos à incompetência do Estado em prover segurança aos cidadãos, aos hábitos tranquilos e estouvados da vida interiorana que levei comigo para a capital e à falta de sorte.

Nunca fui o tipo “sortudo”. Jamais ganhei rifas, loterias, sorteios, bolão, nada. Minto. Uma vez ganhei dois ingressos para um show do Lulu Santos, numa promoção de uma rádio FM; e em outra oportunidade eu ganhei ingressos para o cinema, mas aí não foi sorte, pois tive que escrever uma frase para um concurso.

Fomos ver o Lulu. Chegamos cedinho e ficamos bem na frente do palco. O cara é um star, um showman, um baú de sucessos. Quase não acreditava na minha sorte.

Depois do show, a larica. No caminho de casa paramos em um desses lugares para lanche rápido. Porém, não rápido o bastante para impedir que um ratoneiro, um ladravaz qualquer, roubasse o rádio do meu carro e ainda danificasse a porta. Agora, sim, acreditava na minha sorte.  Devo culpar a fome por tamanho azar? Não! Culpo a ineficiência do Estado em proteger seus cidadãos e aos hábitos tranquilos e descuidados da vida interiorana que levei comigo para a capital. Ah! E à falta de sorte.