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segunda-feira, 4 de março de 2013

Urucubaca



Publicado no Diário Popular de 07 de março de 2013
 
Durante os nove anos em que morei em Porto Alegre, fui dono de cinco carros. Excelente média. Não por capricho, exibimento ou ostentação. O motivo de tanto troca-troca de automóveis é que nos nove anos em que morei na capital fui vítima de três roubos de carro e um acidente com perda total do veículo. Terrível média.

Meus amigos, quando me encontram, cumprimentam: - E aí, beleza? Nenhum carro roubado ultimamente? Dizem que quando os ladrões me veem estacionando falam: - Aí, bando de madraços, o pato tá chegando. Vamos, lá! Vamos trabalhar que ninguém tá com a vida ganha aqui, seus vagabundos!

O primeiro foi encontrado no mesmo dia e recolhido ao depósito licenciado pelo Detran. Fui verificar e não me deixaram chegar perto do carro. Somente na segunda-feira. Precisava de uma chave que estava no porta-luvas e um funcionário foi buscar pra mim. Na segunda, paguei um guincho para arrastá-lo até um ferro-velho, pois aquele não andava mais. Depenado.

O segundo carro, que um coisinha-de-nada com um trezoitão na mão me tomou no portão da garagem de casa quando chegava de um show do ótimo Nei Lisboa, foi encontrado um mês depois ainda em posse de bandidos que o utilizavam para praticar assaltos. Mas esse não me pertencia mais, a seguradora já tinha ressarcido. E do terceiro carro nunca mais tive notícias, tampouco vi o dinheiro do seguro, o que do contrário seria um milagre já que esse não era segurado. Quanto ao que teve perda total no acidente, a seguradora do causador cobriu.

Como é humano nominar culpados para nossas desditas, atribuo esses acontecimentos à incompetência do Estado em prover segurança aos cidadãos, aos hábitos tranquilos e estouvados da vida interiorana que levei comigo para a capital e à falta de sorte.

Nunca fui o tipo “sortudo”. Jamais ganhei rifas, loterias, sorteios, bolão, nada. Minto. Uma vez ganhei dois ingressos para um show do Lulu Santos, numa promoção de uma rádio FM; e em outra oportunidade eu ganhei ingressos para o cinema, mas aí não foi sorte, pois tive que escrever uma frase para um concurso.

Fomos ver o Lulu. Chegamos cedinho e ficamos bem na frente do palco. O cara é um star, um showman, um baú de sucessos. Quase não acreditava na minha sorte.

Depois do show, a larica. No caminho de casa paramos em um desses lugares para lanche rápido. Porém, não rápido o bastante para impedir que um ratoneiro, um ladravaz qualquer, roubasse o rádio do meu carro e ainda danificasse a porta. Agora, sim, acreditava na minha sorte.  Devo culpar a fome por tamanho azar? Não! Culpo a ineficiência do Estado em proteger seus cidadãos e aos hábitos tranquilos e descuidados da vida interiorana que levei comigo para a capital. Ah! E à falta de sorte.




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