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quinta-feira, 16 de maio de 2013

Entrevista com João Alfredo




João Alfredo Teixeira da Cunha saiu de Pedro Osório no ano de 1994 em busca de oportunidades que a cidade não lhe oferecia. Há 19 anos em Rio Grande, casado há 15 com Rosemeri Lackammann Silveira, o pai da Thamires é um amante do futebol. Fundou em Pedro Osório o Nacional, juntamente com Fabiano Ritta, e desde então nunca deixou de trabalhar com o esporte. Foi colega de Fernandão, Jardel, Roger, Mabília e Alex Xavier em um curso de treinador de futebol profissional e hoje comanda uma page no Facebook onde o assunto principal, é claro, é o futebol (www.facebook.com/DeCaraPraBater).



Maurício Pons - João Alfredo, conta um pouco sobre a sua página no Facebook, De Cara Para Bater.

João Alfredo - A Page de Cara Pra Bater, foi um projeto que nasceu meio que por acaso. No começo era apenas um passatempo.  A página, apesar do pouco tempo de criação, a cada dia ganha mais seguidores. Muitos profissionais da imprensa de Rio Grande a prestigiam. Em apenas uma matéria que postei, antes do jogo entre Brasil de Pelotas e São Paulo de Rio Grande, foram mais de 4.000 visualizações. Já estamos montando uma equipe para, em breve, lançar um site que receberá o mesmo nome: De Cara Para Bater.



MP – Como começou o teu envolvimento com o esporte?

JA – Começou ainda quando eu morava em Pedro Osório. Criei, junto com outros atletas, o Nacional, para participar dos campeonatos locais. Foi com o Nacional que tomei gosto pelo esporte e de me envolver mais efetivamente. Até hoje tenho um carinho muito grande por aquele time e por aquela gurizada que trabalhou comigo na época. Tanto que fundei um time aqui em RG com o mesmo nome, o Nacional de Rio Grande, um time que ganhou tudo o que disputou nos três anos de atividade nas categorias de base. 




MP – Como foi que surgiu a oportunidade de treinar o juniores do São Paulo?

JA – Foi devido ao sucesso do Nacional, que me deu visibilidade graças ao trabalho desenvolvido. O interessante foi que o Nacional começou como um projeto social, mas deu tão certo e os resultados foram tão expressivos que se tornou um time campeão.

        Estive dirigindo o São Paulo em três oportunidades, todas como treinador da base. Mas em 2002 fui contratado pelo Riograndense como treinador do time profissional. Gostaram do meu trabalho, tanto que em 2004, quando o clube disputou a segundona, fui convidado a voltar. Era a oportunidade que eu esperava. Participei das contratações, montamos um grupo bom. Porém, tive problemas com algumas pessoas que haviam chegado ao clube. Depois de fazer toda a pré-temporada, deixei a equipe. Em 2008 fui novamente procurado por um dirigente a pedido do presidente do clube para disputar um citadino de profissionais. Infelizmente não deu para conciliar com a outra atividade que eu tinha na época.



MP - Por que clubes de Pelotas e Rio Grande não conseguem montar uma equipe forte, como tem em outras cidades do interior, como na região serrana, por exemplo?

JA – Falta estrutura para nossos clubes. Fora o E.C. Pelotas que conta com um belo estádio além de um CT (Parque Lobão), todos os outros ainda carecem de uma estrutura que o futebol, nos dias de hoje, exige. Tomo como exemplo o  Lajeadense, de excelente campanha neste Gauchão. É um clube que conta com um ótimo estádio, com toda uma infraestrutura profissional que permite aos jogadores e comissão técnica trabalharem com eficiência, sem estar muito atrás da dupla Gre-Nal, guardadas, é claro, as proporções de dimensão de clube.

Falta também um maior investimento nas categorias de base. Clubes como o Brasil PE e o São Paulo RG estão estagnados no tempo. O clube precisa realizar projetos para ser um time forte daqui a cinco, dez anos. O imediatismo dos clubes da região atrapalha um possível sucesso.



MP - Pedro Osório e Cerrito vivem momentos de incertezas no esporte. As prefeituras encontram muitas dificuldades em promover competições esportivas nos dois municípios. Como os órgãos públicos tratam o esporte aí em Rio Grande?

JA - São realidades diferentes. O que as pessoas têm que ter em mente é que não é só com realização de competições que se faz futebol. Não vejo em Pedro Osório e Cerrito uma entidade que represente os clubes. Os clubes não podem pensar individualmente, é necessário organizar uma liga que fale em nome de todos os clubes amadores, dos dois municípios. Quando há representatividade, tu tens mais força pra cobrar e realizar coisas que, sozinho, é impossível.  Mesmo no caso de ser futebol amador, deve-se trabalhar com projeto e trato profissionais.  Outra coisa: A criação de um Conselho Municipal de Esportes é fundamental. As leis de incentivo ao esporte estão aí, mas pra buscar esses recursos tem que haver uma união de todos os setores. A Liga e o Conselho, se criados, serão dois pilares fundamentais pra se buscar recursos e administrar o futebol com gestão profissional.

Aqui em Rio Grande, no governo Fabio Branco, foi construído Quadras Poliesportivas cobertas em todas as escolas da rede municipal. Houve também apoio da prefeitura aos campeonatos amadores. Já o atual prefeito, Alexandre Lindenmyer, quando era presidente do S.C. Rio Grande, buscou no governo federal patrocínio para a implantação do Centro de Referência Esportiva, inaugurado em março. O projeto é desenvolvido pela Fundação Sócio Cultural Esportivo do Rio Grande (Funserg) e têm o patrocínio do Programa Petrobras Esporte & Cidadania. O projeto atende 600 alunos da rede pública de ensino, dos sete aos dezessete anos e de ambos os sexos, através de atividades esportivas de basquete, futebol, vôlei, taekwondo, boxe e natação, bem como aulas de reforço escolar. É o maior centro de formação esportiva educacional da região.




MP – E os projetos para o futebol amador da zona sul?

JA – O futebol amador em nossa região vive momentos de ostracismo e isolamento há muitos anos.  Temos clubes amadores de tradição, alguns com  cem anos de atividade. Cito exemplos: o Liberal, de São José do Norte; o Rio Branco, de Santa Vitória; Inter e Arroio Grande, de Arroio Grande;  Ferroviário e Piratini, de Pedro Osório; Canguçuense e Cruzeiro, de Canguçu;  Grêmio Lourenciano e muitos outros fizeram história no futebol. Agora imagine todos esses clubes competindo em um torneio oficial? Seria uma oportunidade das cidades fazerem intercâmbio cultural e de promoverem o turismo entre elas. Pensando nisso, recentemente entreguei ao secretário de esportes de Rio Grande o esboço de um projeto que promoverá o resgate desses clubes através da criação de uma Liga de Futebol Amador da Região Sul. Todas as cidades que integram a AZONASUL seriam representadas por um membro no conselho de gestão da Liga. Isso fortaleceria os campeonatos municipais das cidades participantes. Cada cidade teria um representante no campeonato regional, no caso, o campeão da competição municipal. Caberia às prefeituras fornecerem a logística necessária para apoiar seus representantes.



MP – Já foi feito o contato com os municípios da região?

JA - O prefeito de Rio Grande já aprovou, quando falei a ele do projeto, e, como ele, o prefeito de Pelotas também se mostrou  favorável a uma competição que resgate os clubes amadores da região.  Sei que o prefeito Cesar Brito é o atual Presidente da AZONASUL. Uma reunião com o prefeito de Pedro Osório já está na minha agenda.


MP – Voltando aos profissionais. O jornalista de Rio Grande Rafael Diverio aponta essa mescla de experiência com juventude a grande arma do São Paulo RG. O Goleiro Luciano tem 42, e os zagueiros Carlão e Wagner apenas 22. A dupla Aylon, um dos destaques com 20 anos, e Ale Menezes, com 35, tem balançado as redes pelo interior. Sangue novo e experiência é uma fórmula eficaz?

JA - Costumo dizer que uma moeda de ouro no fundo do mar não tem valor nenhum até que a retirem de lá. Assim é a experiência. Ela, quando compartilhada, principalmente com os mais jovens, acrescenta muito na formação de um grupo. No futebol, quando isso acontece é sinônimo de sucesso.



MP – Quem tu vês como os grandes destaques nessa fase final do primeiro turno campeonato gaúcho da série A2?

JA – Os já citados Aylon e Alê Meneses que marcaram a maioria dos gols do São Paulo até aqui. Luciano, goleiro do São Paulo, que com 42 anos vive uma fase extraordinária no fim da carreira. E Eder Machado, do Brasil de Pelotas. Seus gols têm sido decisivos para a equipe.



MP – O crescimento acelerado da cidade Rio Grande pode influenciar o futebol local?

JA - Rio Grande vive hoje um cenário diferente de quando cheguei aqui. O Polo Naval impulsionou a economia do município, a cidade cresce de forma assustadora. Há um crescimento significativo em todos os setores. Construção civil, mercado imobiliário, hoteleiro, e comércio de uma forma geral, são os que mais crescem. Por outro lado: Os preços dos imóveis dispararam. O trânsito está horrível, e os índices de violência aumentaram. Mas também surgem mais e melhores oportunidades, e os clubes daqui tem que se organizarem para aproveitá-las. Mas tem que haver uma mudança na forma de gestão. Aqui ainda existe o imediatismo no futebol, e hoje em dia é fundamental um bom planejamento para o futuro.



MP – Neste momento tu estás longe dos gramados. Quais são os planos para o futuro?

JA - Minha volta ao futebol depende muito de uma proposta sólida, pois meus compromissos familiares não me permitem aventuras. Minha vida aqui sempre esteve ligada às pessoas: como desportista, sindicalista e, atualmente, como presidente do bairro onde moro. Nas duas últimas eleições recebi convites pra concorrer a vereador. Na primeira não aceitei. Já na última, estava tudo certo para concorrer pelo PCdoB, partido o qual sou filiado. No entanto, uma anemia grave que contraí na época me tirou da disputa. Futuramente, se o futebol não me quiser mais (risos), a política poderá ser meu destino.



MP – João Alfredo, muito obrigado pela entrevista e sucesso em seus projetos.

JA – Eu que agradeço ao blog pela oportunidade de poder contar parte da minha trajetória no futebol e de também falar um pouco de mim, já que há bastante tempo estou longe de Pedro Osório, onde tenho muitos amigos e pessoas pelas quais tenho o maior carinho. Obrigado.
João Alfredo, sua filha Thamires e a esposa Rosemeri




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