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segunda-feira, 20 de maio de 2013

Mas, Bah!

(publicado no Diário Popular de 22 de maio)

Quiosque à beira-mar, praia de Copacabana, RJ:
     - Então, meu brother, como é a vida lá no sul?
- Bah! É tri, mas já estava morrendo de saudade dessa prainha aqui, das mulatas, do samba, do Maráca.
- Bah!? Que isso, Marcão? Que negócio é esse de bah?!
- Ah, brow, tô só tirando onda com você, rapá.
- Sei, tá bom. Mas diz aí, o pessoal lá da empresa já está acostumado com seu método dureza de trabalhar?
- Guri! Você sabe, sou dureza mesmo, duro como salame da colônia. Lá na empresa já sou mais conhecido do que parteira em campanha. Cheguei quietinho como guri cagado, mas logo fiquei mais ligado do que rádio de presidiário. Hoje eu sei de tudo o que se passa na empresa. De tudo! Sou mais informado do que gerente de funerária. Ô garçom, dá pra trocar esse copo aqui? Tá mais gorduroso que telefone de açougueiro.
- E as gaúchas, são bonitas como dizem? Garanto que o velho Marcos já arrumou uma namorada pelotense, heim!?
- Que namorada que nada. Com tanta mulher bonita que tem vou querer me amarrar? Eu não. Quero ficar solto como peido em bombacha. Esses dias mesmo fui com uns colegas num bar lá na Gonça e de cara uma prenda se vazou pra mim. Bonita como laranja de amostra. Eu tô ali, na minha, saracoteando mais do que bolacha em boca de banguela. Quando fui tirar água do joelho eu a vi na fila do banheiro, uma fila comprida como xingada de gago. Fui indo, devagarzito tipo enterro de viúva rica, sabe? Não sabe? Bem, a gauchada sabe. Lá dentro estava quente como frigideira sem cabo, mas tô ali, faceiro como mosca em tampa de xarope. De repente, brother, chega um grandão, feio como indigestão de torresmo. Era o namorado da mina. Deitei o cabelo, acordo cedo pra lida.
- Caraca! E seu chefe lá na empresa? Vocês se deram bem?
- O cara é sério como defunto e grosso como parafuso de trator. Mas a gente se acerta. Mas e tu, tchê!? Vamos falar um pouco de ti. Engordou um pouquinho desde a última vez em que nos vimos.
- Pois é, acho que é esse açaí. Fiquei viciado.
- Estou vendo, tu tá mais pesado do que sono de surdo.
- Verdade. Me conta, você chegou a telefonar pro Mineiro, aquele meu amigo? Ele disse que poderia te ajudar em qualquer coisa que fosse preciso.
  - Barbaridade, brow, liguei pro piá. Sinceramente, o sujeito é teu amigo, mas é chato como chinelo de gordo e apressado feito cavalo de carteiro, sempre na correria. Mora lá há pouco mais de três anos é já fala todo que nem gaúcho?! Eu, heim! Bem capaz! Ô garçom, traz outro copo que esse aqui tá mais nojento do que mocotó de ontem. E me vê uma Polar. Que Polar? Cerveja, tchê, não conhece? Tá em falta? Então me aquenta a água pro mate. Mas e tu, tchê brother, o que me contas aqui do Rio maravilhoso? A la pucha! Isso aqui sim é vida. Mas bah!,tchê!

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