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sexta-feira, 21 de junho de 2013

Desperta, Meu Povo



Publicado no Diário Popular de 03 de julho de 2013

Estou gostando de ver os brasileiros todos protestando em suas cidades por mais dignidade, mais educação, mais saúde, mais emprego, por menos impostos, contra a corrupção, contra impunidade e tal. Já estava na hora. Espero não pararmos por aí. Sugiro aproveitarmos esta grande onda e protestarmos, também, não contra governos e políticos - eles já estão recebendo sua cota merecida, mas contra aquele brasileiro que, nas eleições, vende seu voto por um tubo de esgoto ou por uma cerca em volta de sua casa. Ou, quem sabe, contra aquele motorista que estaciona na vaga para deficientes enquanto ele, o motorista, joga seu futebolzinho a cada terça-feira e depois ainda come um churrasco com seus companheiros de time, bebe cerveja e vai pra casa dirigindo seu automóvel. Vamos também protestar, o que você acha, contra o marmanjão que vai escarrapachado no coletivo, ocupando o assento destinado a idosos e gestantes, fingindo não ler o aviso colado na janela do ônibus bem na altura de sua orelha. Corrupção não é exclusividade de políticos. Protestemos, também, contra policiais corruptos, empresários corruptos, eleitores corruptos, vizinhos corruptos.

       Fui candidato a vereador, em 2000. Não raro, era interpelado por algum eleitor que, talvez influenciado pelo clima da época, fazia promessas. Sim, eleitor também faz promessas. “Olha”, dizia, “se tu colocares os canos que faltam na minha casa eu te consigo cinco votos”. Outro ainda: “me arruma tijolos pra eu terminar o muro na casa da minha sogra e te consigo oito votos, da minha família e da família da dita cuja”. Ou ainda, mais singelo, o “me paga um trago e meu voto é teu”. Não dei telha, tijolo, cano, cachaça nenhuma. Faltou pouco, mas não me elegi. Claro que não foi por ter resistido ao assédio dessa minoria, mas essas atitudes nos faz enxergar que corrupção existe em diversos níveis e, para alguns, infelizmente, é a chave para fechar um bom negócio, arrumar um emprego, erguer um muro ou eleger-se a um cargo público.

     Como a maioria, eu repudio os atos de vandalismo cometidos durante as manifestações em todo o Brasil. Opto por acreditar que os vândalos são minorias, assim como são minorias os maus políticos. Porém, os feitos de uma minoria sem escrúpulo, sem pudor, sem vergonha na cara, apodrecem uma nação de bons, mancham a imagem do país, infestam as manchetes com vergonhosas notícias enquanto Cachoeiras, Dirceus, Delúbios e Genuínos escarnecem da população que paga impostos. Que os protestos não parem e que perdurem até a próxima eleição. Mostremos que não somos de esquecer indulgentemente, como muitos propagam, e, se for o caso, uma rápida consulta no Google refrescará nossa memória.

    Sábado será a vez de Pedro Osório ir às ruas em manifesto pacífico contra a insegurança. Lembremos Cézar Passarinho: Desperta meu povo do ventre de outrora Onde marcas presentes não são cicatrizes Desperta meu povo liberta teu grito Num brado mais forte que as próprias raízes .  




2 comentários:

  1. O meu coração arde só em lembrar de tanta corrupção e descaso dos que governam este país... e por isso, sou solidária ao seu apelo por consciência real política de cada indivíduo, pois cada Brasileiro deve fazer a sua parte para combater, e digo mais, evitar que a corrupção continue se alastrando e perpetuando manchas e vergonhas nesta Terra. Acho também (e com toda a certeza) de que uma base forte de Educação Política, verdadeira e honesta, trará luz e entendimento para as gerações futuras,muitos deles, nossos "futuros governantes" pois, como já dizia o meu saudoso pai "política de verdade a gente aprende e começa em casa, minha filha". Parabéns pelo texto, meu caro amigo blogueiro, espero sinceramente, que todo este movimento sirva não somente para trazer mudanças na maneira de governarem nosso país, como também mudanças na maneira de pensarmos e fazermos política. Um grande abraço, e vamos enfrente!

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  2. Obrigado por teu lúcido comentário, querida blogueira. Um abraço destas terras tão banhadas de cinza, ultimamente, pela falta de sol.

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