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sexta-feira, 7 de junho de 2013

Estupidez



Publicado no Diário Popular em 12 de junho de 2013



“No mundo não há mais lugar
Prá quem toma decisões na vida sem pensar”


Roberto Carlos gravou, em 1969, a canção Sua Estupidez, um dos destaques do álbum daquele ano. Paulo Cesar de Araújo, biógrafo não autorizado do cantor, relata em seu livro Roberto Carlos em Detalhes que Sua Estupidez foi composta para Cleonice Rossi Martinelli, a Nice, esposa de RC na época, já prevendo o fim do matrimônio.

        Músicas românticas à parte, estava pensando sobre a estupidez humana. Corrijo-me. Pensando sobre a estupidez, porque estupidez humana é redundância. Não creio que qualquer outro tipo de animal possa cometer atos estúpidos. Apenas homens são capazes de fazê-los. A estupidez é o estopim que detona a maioria das tragédias as quais temos notícias diariamente através dos meios de comunicação.

     Às vezes um pneu que estoura fazendo o motorista perder o controle do veículo ou um animal solto que atravessa a pista no escuro da noite provocando um desastre são acidentes que dificilmente poderiam ser evitados. Se bem que tenho dúvidas sobre o segundo exemplo, pois significa que alguém não prendeu o animal como deveria. Mas batidas frontais, como temos visto frequentemente, em áreas de faixa dupla contínua, não é acidente. Pode ter vários nomes, como desrespeito, imprudência, afobo, estupidez, mas acidente? Digite “batida de frente” no campo de pesquisa no Google Imagens e veja as fotografias (algumas são bem pungentes). A maioria dos acidentes desse tipo ocorre em trechos de pista onde a faixa é contínua, dupla ou seccionada, e geralmente é fatal.

     Os aumentos bastante significativos nos valores das multas por infrações de trânsito pouco parecem ter colaborado para a diminuição de acidentes nas estradas federais. Em maio último, no fim de semana do Dia das Mães, foram contabilizados 35 óbitos em decorrência da violência no trânsito apenas no Rio Grande do Sul, bem mais que o dobro de vítimas do mesmo período de 2012.

    Os dados são bastante desencontrados, mas estima-se que, no Brasil, 40.000 pessoas perdem a vida no trânsito todo ano. Uma grande parcela desse número é de condutores ou “caronas” de motocicletas. 40.000 mortos. Apenas para efeitos comparativos: quase o dobro das baixas verificadas em toda guerra do Iraque.

    Outro ato estúpido, este associado a uma série de eventos negligentes (criminosos?), foi causa de várias mortes no centro do estado. A tragédia na boate Kiss vai ficar ainda por muito tempo marcada na memória do povo gaúcho. Novas medidas de segurança foram acrescidas às já existentes e passaram a ser cobradas com mais rigor pelas prefeituras e bombeiros, mas nas ruas e rodovias fica mais difícil as autoridades se imporem por mais segurança. Cabe a cada motorista fazer o que é certo e zelar por si, por sua família e pela vida dos outros.  Ultrapassar em local proibido ou encher a cara de álcool e sair dirigindo é estupidez, além de proibido. Ignorar medidas de segurança também.





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