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quarta-feira, 10 de julho de 2013

Lar São Francisco



Publicado no Diário Popular de 17 de julho
O Lar São Francisco de Assis, em Pedro Osório, será homenageado com o Troféu Programa Sem Censura em um evento na cidade. Fui até o Lar, como é carinhosamente chamado pela comunidade, para tirar algumas fotos que serão usadas na noite do jantar. Cheguei no meio da tarde, de modo que encontrei parte de seus vinte e seis inquilinos sentada na área externa tomando o sol de inverno que, como todos sabem, auxilia no fortalecimento dos ossos e espanta o frio.

      Minha avó, Jacy Pons, quando primeira dama, por várias vezes me levou para tocar acordeão para os velhinhos do asilo (assim era chamado nos anos 80 - Asilo). Eu e mais uns amigos, com alguns instrumentos, sentávamos junto a eles e fazíamos suas tardes um pouco mais sonoras. Talvez muitos dos residentes daquela época já tenham falecido, se não todos. Minha avó já nos deixou há alguns anos e eu já não toco mais acordeão.

     Mas as fotos. Quando cheguei ao portão de ferro com a máquina fotográfica na mão percebi que todas as atenções se voltaram para mim. Olhavam, curiosos, esse visitante que nunca tinham visto, ou, se o viram algum dia, certamente já esqueceram. Pedi à gentil funcionária da casa autorização para fazer algumas fotografias das instalações. Depois de fotografar refeitório, cozinha, sala de estar e dormitórios, fui retratar os moradores. Pedi licença e comecei a clicar. Vários me sorriram. Outros apenas olharam entediados e alguns nem me deram atenção. Um senhor brincou: - Cuidado, vai estragar a máquina. Outro perguntou, divertido, se era para o jornal. Porém, o comentário que mais me tocou foi o de uma velhinha, cabelos branquinhos feito algodão, sentada entre duas outras senhoras em um banco encostado à parede onde refletiam alguns raios de sol. A idosa chamou a funcionária que me recebera e falou um pouco desapontada: - Eu pensei que ele fosse o Fulano, mas não é, né? A moça me explicou que Fulano era o filho daquela senhora. Perguntei se ele morava na cidade. – Nossa!- respondeu a jovem, - Faz muito tempo que ele não aparece. Desejei neste momento que, em vez da câmera fotográfica, eu estivesse portando meu violão.
      Despedi-me prometendo voltar em breve. A maioria me deu tchau, mas alguns nem me viram sair, e desconfio que nem tivessem me visto chegar, abstraídos que estavam, mergulhados em seus pensamentos, vasculhando em suas memórias sabe-se lá que lembranças de outros tempos. Percebi que nem sempre foram assim, velhos. Em algum dia nessa vida eles foram como eu, como você, como nossos filhos. Foram crianças e foram adolescentes. Foram jovens. Alguns deles que estão na casa de repouso têm familiares que lhes visitam. A maioria tem apenas uns aos outros. E existem os que são como essa mulher que espera pela visita do filho. Nutrem, além da saudade, muita esperança. Graças a Deus, todos eles têm o Lar São Francisco de Assis. 


Disse que voltava. Voltei e trouxe um gaiteiro, meu pai Darlan Pons..
























3 comentários:

  1. Muito tri, Maurício! Tanto o texto, quanto o "show"...
    Iniciativa imensurável!

    Parabéns, pra ti e pro tio!

    Beijo e abraço pra vocês!

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  2. Valeu, Léo. Foi muito legal, não custou nada e a recompensa é enorme. Já estamos organizando a visita do próximo mês.
    Beso!

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  3. Espetacular! Pude sentir o calor destas fotos e tenho certeza de que eles sentiram o calor da visita de vcs. Parabéns Maurício, parabéns Seu Darlan, o que fizeram não tem preço e nem cabe em simples comentários. Sucesso e saúde pr'ocês!

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