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quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Por Onde Ando: Milene Alam



Milene Alam saiu de Pedro Osório, rumo à Blumenau – SC, há dezessete anos. Hoje vive na terceira cidade mais populosa de Santa Cantarina junto com seu marido (Cezar Mello) e seus dois filhos (Augusto e Vitor), além de sua mãe (Maria Clara) e seus irmãos (Tatiane e Junior). Milene Alam é empresária do ramo alimentício.



Blog – Do que mais gostas em Blumenau?

Milene -  O que mais gosto são as oportunidades de crescimento profissional que a cidade oferece. Elas estão por aí, resta saber aproveitá-las.

Blog – E do que menos gostas?

Milene – Da falta de opções de lazer (a principal festa do ano é a Oktoberfest).

Blog – Que lembrança te marcou da rua onde crescestes?

Milene – Cresci na avenida Alberto Pasqualini, e a lembrança mais nítida que guardo comigo é dos ajuntamentos que fazíamos, eu e meus amigos, na varanda da nossa casa, além de outros momentos maravilhosos.

Blog – Do que sentes mais saudades de Pedro Osório?

Milene – Sem dúvida, das amizades.

Blog – Que presente gostarias de dar para Pedro Osório?

Milene – Uma empresa multinacional que pudesse gerar mais oportunidades para os moradores da cidade.


quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Por Onde Ando: Claudiomiro Machado Ferreira

Está é a primeira de uma série de postagens que faremos sobre pessoas que nasceram em Pedro Osório mas que por circunstâncias diversas deixaram a cidade e hoje vivem em outros municípios, estados ou até outro país. Claudiomiro Machado Ferreira estreia o quadro...

Por Onde Ando





Desde 2008 apresento uma palestra sobre Direitos Autorais e Registro de Obras, que nasceu de uma apresentação feita em 2006 em um Congresso Ecumênico, ocorrido em São Leopoldo. O interesse por este tema surgiu em 2003, quando, depois de traduzir um livro, tentei registrá-lo na Biblioteca Nacional e tive o meu pedido negado. No início o estudo era para mim mesmo, mas depois de vir para Rio Grande tive contato com vários escritores. Como percebi uma deficiência muito grande nessa área, e por pedidos cada vez mais constantes, finalizei a palestra e a apresentei no Sebo Dom Casmurro, lugar que frequento até hoje. Depois disso fiz várias outras apresentações, incluindo a Faculdade Anhanguera e o curso de Design da UFPel.

Em 2010 publiquei a tradução História de Liberdade de Pensamento, de John Bagnell Bury pela UFPel. Depois disso escrevi o livro, ainda inédito, Figuras & Vícios de Linguagem. Já comecei outros projetos, de tradução, adaptação e produção própria, que estão em aguardo, pois tenho trabalhado muito em revisar, diagramar e editar livros para pessoas que me procuram. Apesar disso a qualidade da minha produção literária melhorou, pois no grupo que faço parte, é muito comum a apresentação e o debate do que é escrito e produzido. É uma oficina informal, mas muito produtiva. O projeto que estou desenvolvendo neste momento e a edição de uma revista literária, seu nome é Silêncio. Ela já está pronta e já foram pedidos orçamentos para gráficas. De posse deles iremos buscar patrocínio para tentar publicá-la.

O que mais gosto em Rio Grande (cidade atual) é esta efervescência cultural que, apesar de pontual, é dinâmica e constante, da qual tenho participado e gosto muito. O que menos gosto de Rio Grande são os dias de vento, que são constantes, e que ficam piores pela areia que carrega.

A lembrança mais marcante da rua em que morei, a rua da Escola Getúlio Vargas, era a movimentação em função das aulas. Lembro da época em que a banda ensaiava e íamos para a frente do colégio assistir. Para mim foi muito cômodo morar nesta rua, pois minha casa ficava a cinco minutos dali.

Do que mais sinto saudades em Pedro Osório é da movimentação juvenil da minha época. Sinto falta da turma e de como eu conseguia transitar entre os vários grupos que existiam. Como depois que crescemos precisamos nos dedicar à vida profissional, nosso círculo de amizades e interesses diminui. Só muito tempo depois percebemos tudo o que ficou para traz.

Depois que me formei no curso de Edificações, na ETFpel, hoje CEFET, fui trabalhar em Erechim e Porto Alegre. Faz 18 anos que saí de Pedro Osório, porém nunca esqueci a cidade e periodicamente volto. Antes de sair, eu e mais duas pessoas criamos um projeto que renovou o acervo literário espírita da biblioteca. Escrevemos cartas para editoras e elas começaram a enviar livros. Isso permitiu criar um espaço específico para este tipo de leitura. Recentemente, quando apresentei minha palestra na Câmara de Vereadores, fizemos uma exposição de livros e autores da cidade. Fiquei muito feliz e surpreso pela produção literária existente.

O presente que eu gostaria de dar para a cidade é a regulamentação da lei que destina para a biblioteca um recurso específico para sua manutenção e aquisição de livros. Esta regulamentação permitirá que a biblioteca deixe de sobreviver apenas de doações. Isso poderá ser realizado porque escrevi um trabalho que explica legal e administrativamente a possibilidade de colocar isso em prática. Este trabalho já foi publicado no blog do Galeno, de Galeno Amorim, ex-presidente da Biblioteca Nacional, na Revista Digital da RDBCI, da UNICAMP e na Revista CRB8, do Conselho Regional de Biblioteconomia, de São Paulo. Por iniciativa do Vereador Guiça, e de sua proposição, se esta regulamentação se consolidar, Pedro Osório poderá ser o primeiro município brasileiro a se adequar à Lei Federal, da qual extraí o subsídio do meu trabalho. Porém, sem dúvida, o presente que Pedro Osório merece é ver sua produção literária aumentar e, de preferência, alcançar lugares mais distantes. Por isso fico muito contente quando vejo mais pessoas escrevendo e publicando seu material.







segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Minha Rápida Opinião Sobre...

...espionagem americana.

Na boa!! Não sei o porquê de tanto barulho por causa dessa "espionagem americana em solo brasileiro". O brasileiro está sempre se espionando. Grampo telefônico é bobagem. Se brasileiro não gostasse de ser espionado não seríamos campeões de audiência no Facebook, no twiter, no ask, no (falecido) orkut, no BBB...

Minha Rápida Opinião Sobre...

...esse crime em Canguçu.

Até quando notícias deste tipo serão manchetes em noticiários? Até quando nossas leis beneficiarão dejetos como esse criminoso em detrimento de pessoas de bem? E  a pergunta mais importante: até onde vai a culpa de quem autorizou a soltura desse indivíduo que, até poucos dias, estava preso, situação de onde jamais devia ter saído? Que deus nos ajude, porque depender do Estado para prover nossa segurança está impossível.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Entrevista com a DJ Pucca



Érika Macedo Tavares mora em Pedro Osório, mas já decidiu: planeja voar por esse mundo sem limites. Rio, São Paulo, Europa, Érika está disposta a ir longe para realizar seu projeto de vida, seus sonhos.  Alguns talvez não saibam de quem estou falando, mas certamente muitos já dançaram sob seu comando nas baladas em Pedro Osório. Estou falando da Pucca (o apelido foi presente da amiga Nicole Xavier ainda no ensino fundamental), ou melhor, da DJ Pucca. Aos 21 anos a DeeJay está solteira, mas avisa: balada, para ela, é local de trabalho. Confira abaixo o bate-papo de Pucca com o blogueiro. Utilize os links e ouça o som da deejay.

Maurício Pons - Sete das melhores DJ do mundo são brasileiras. Hoje elas estão presentes num mercado que até poucos anos atrás era dominado por homens. Quando foi que você começou a se interessar pelo trabalho de DJ?
Pucca - Eu sempre me amarrei em aparelhos de sons eletrônicos e em edições de músicas. No ano passado eu trabalhei nas baladas em parceria com a  Madruga Eventos. Em agosto de 2012 foi o lançamento da DJ Pucca na balada Hot Night, no Clube Piratini, em Pedro Osório. É maravilhoso ver a galera pular, gritar, apontando pra mim enquanto estou tocando. Sinto realmente que eles estão curtindo, e é muito gratificante. Sinto meu trabalho recompensado. Adorei a experiência e resolvi investir mais no que gosto.
MP - Quanto maiores as oportunidades, maiores as chances de sucesso de uma DJ. Você tem planos de continuar carreira de Disc Jockey em centros maiores ou por enquanto encara apenas como um hobby?
Pucca - Com certeza quero seguir a carreira como deejay, ir mais além. E quando digo investir na carreira não falo apenas em apertar o play na CDJ (Compact Disc Jockey, aparelhos usados por Djs com funções específicas) e sim utilizar as bases que todo o DJ possui, como mixes, montagens, controles e edições musicais. As minhas metas são estourar no Brasil e depois sair do país.  Quem sabe agitar em Amsterdã?!

MP - Hoje são oferecidos diversos cursos nesta área. Você vê a especialização como algo positivo ou apenas a prática ensina?
Pucca - Os cursos são bons pra iniciantes. Porém, complicados mesmos são alguns programas de computador que a gente usa. Muitos deles precisam de cursos para sua utilização, por terem comandos muito complexos. Eu aprendi, e ainda estou aprendendo, na prática a lidar com a CDJ e a criar meu próprio estilo.
MP - A DJ Helô é muito popular em pelotas, entre homens e mulheres. Quem vai às festas onde ela toca já sabe o que vai ouvir. Você acha que um DJ deve ter seu estilo próprio ou deve tocar tudo o que as pessoas querem ouvir? Qual é o teu estilo?
Pucca - Eu acho que um DJ não é uma discoteca. Existem variados estilos de músicas, do gênero eletrônico, rock, pop, enfim,  cada deejay tem o seu jeito de agitar o público. Eu uso muito os estilos musicais eletrônicos: Eletro House, Funk Carioca, os Tops em Remix e Pop Eletrônico.
MP - Algumas pessoas afirmam que para ser um verdadeiro DJ tem que fazer o que, por exemplo, faz o David Guetta, ou seja, compor canções. Mas os DJs, na verdade, nasceram muito antes da música eletrônica. Eram profissionais que selecionavam e “rodavam” diversos estilos de música em programas de radiodifusão e que posteriormente invadiram as pistas em festas e eventos. Em sua opinião, o que é fundamental para ser um bom DJ?
Pucca - Sou fã do jamaicano DJ Kool Herc (considerado o fundador e pai da cultura hip hop desde os anos 70). Tenho-o como um é exemplo, Kool faz parte da história da cultura Hip Hop. Um bom DJ deve agradar  a maioria onde for tocar, independente do estilo musical. Se o DJ é lembrado, ele é ótimo.

MP - Tu estás solteira. Como é o assédio durante as festas em que tu tocas? Recebes muitas cantadas ou o pessoal chega mais para pedir música?
Pucca - Nas baladas sempre levo cantadas, mas não dou retorno, pois estou ali para fazer o meu trabalho: agitar a pista. Quantos aos pedidos, são muitos, e dependendo do estilo da festa eu atendo. Só não toco sertanejo, porque esse tipo de música não tem nada ver com meu estilo de trabalhar.
MP – Teve algum momento em que você se viu numa saia justa no momento em que estavas trabalhando?
Pucca - Já passei por vários episódios cômicos. Numa balada eu deixei uma música rodando e saí para ir ao banheiro. Quando voltei e fui tocar a próxima música o som não entrou e foi aquele silêncio, logo interrompido pela gritaria do público. Na hora fiquei assustada e nervosa, até que me dei conta que alguém mexeu no equipamento e desregulou os volumes do mixer. Senti muita vergonha (risos).
MP – Você faz faculdade de dança. Para você, a dança é uma forma de expressão corporal ou é apenas uma maneira de se divertir e manter a forma?
Pucca - A dança é muita expressão corporal e desde criança eu me entreguei a ela. Ser uma dançarina exige muito de mim. Faço licenciatura e quero dar aulas.  Além de cuidar da alimentação eu tenho que me entregar por inteira por esse caminho, é um sonho e amor maior. Faço da dança o meu presente e futuro, e as carreiras de dança e de DJ, futuramente, estarão muito ligadas.

MP – Em sua opinião, como é a vida noturna em PO? O que poderia ser feito para melhorar a vida dos notívagos?
Pucca - A cidade está muito carente neste aspecto. O inverno chega a ser deprimente. Não há um local para descontração, para dançar, para diversão dos jovens, então a gente fica em casa comendo (risos). Eu já pensei em abrir uma casa noturna em Pedro Osório para ter opções de onde encontrar com os amigos e dançar bastante, pois temos apenas o Clube Piratini, com uma ou duas festas no mês. Eu vejo muitos pedrosorienses nas festas em Pelotas por não ter opções em sua cidade.
MP – Planos para o futuro?
Pucca - Terminar minha faculdade e abrir um estúdio de dança, investir na carreira de DJ e sair de Pedro Osório. Não necessariamente nesta ordem (risos).


Ouça também as preferidas de Pucca para

 

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

O Harém

Publicado no Diário Popular de 12 de setembro de 2013


Murahdino era um sultão rico, influente, poderoso e respeitado como deve ser todo sultão. Vivia confortavelmente instalado em Ghaznad, na região do Ganges, e seus domínios se estendiam até a Mesopotâmia. Considerado homem justo e bom pelos que o rodeavam, Murahdino gozava de boa reputação entre o califado, inclusive participava das partidas de futebol e churrasquinho de fim de semana no palacete do califa. No começo levava a família inteira – nove mulheres e dezessete filhos, mas depois organizou uma escala, pois sempre chegava depois que a costela era servida e acabava perdendo o melhor da festa, porque, como você sabe, mulheres, às vezes, demoram a se aprontar.

      No princípio, Murahdino, ou Murah, como era chamado pelos amigos, foi muito, mas muito feliz. Marido atencioso e pai ardoroso, procurava corresponder às expectativas de suas esposas e filhos. Verdade que não era fácil. Manter um harém exigia muita dedicação, além de dispendioso. Nos últimos dias, porém, o sultão andava cansado. Os negócios iam muito bem, devo dizer, mas em muitas noites chegava extenuado em casa, desejando apenas ler um jornal ou ouvir as notícias da última rodada do campeonato pelo rádio, mas era impossível. Seus filhos jogavam bola no salão principal e a algazarra se mesclava com o volume da TV onde suas nove esposas assistiam a novela das oito. Sentar-se na varanda era impensável, pois o frio da noite, lá fora, era de renguear camelo.

Sim! Chegara a hora de romper com as tradições. Murah já vinha pensando nisso há algum tempo. Além do mais, matrimônio poligâmico já estava ficando démodé. A maioria dos homens de sua classe já vivia com uma única esposa. Alguns até reprovavam seu harém, se bem que outros ainda sentiam uma ponta de inveja. E se dispensasse umas duas ou três? - Não!, aconselhavam – fique com uma apenas e serás infinitamente feliz. Terás tempo para o futebol, pescarias, curtir seu cinema em casa, essas coisas.

    (sete das nove esposas de Murahdino. Uma bateu a foto e a outra está fazendo bolo)
Resolveu dissolver o harém. Mas a quem tomaria para si como única esposa? Gostava de todas, admirava a todas. Cada uma tem sua peculiaridade, seus encantos. Pensou em fazer umas provas escritas, uns testezinhos. Quem sabe escolheria no palitinho? Pensou melhor e considerou a ideia tola. Resolveu simplificar e escolheu a mais jovem. Às outras oito deu apartamento de luxo, criadagem (incluindo alguns eunucos) e pensão vitalícia para elas e para os filhos. Não foi o bastante. Consideraram-se traídas. Contrataram o mais famoso escritório de advocacia da região e Murah viu seu patrimônio dilapidar-se com velocidade de uma tempestade de areia. Hoje vive sozinho em uma pequena aldeia com o mínimo que lhe restou. Recebe ajuda de uns poucos amigos e dos filhos. E, à noite, seus soluços levados pela brisa do deserto são ouvidos longe: saudades da tradição e de seu harém.

 (google imagens)