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quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Por Onde Ando: Claudiomiro Machado Ferreira

Está é a primeira de uma série de postagens que faremos sobre pessoas que nasceram em Pedro Osório mas que por circunstâncias diversas deixaram a cidade e hoje vivem em outros municípios, estados ou até outro país. Claudiomiro Machado Ferreira estreia o quadro...

Por Onde Ando





Desde 2008 apresento uma palestra sobre Direitos Autorais e Registro de Obras, que nasceu de uma apresentação feita em 2006 em um Congresso Ecumênico, ocorrido em São Leopoldo. O interesse por este tema surgiu em 2003, quando, depois de traduzir um livro, tentei registrá-lo na Biblioteca Nacional e tive o meu pedido negado. No início o estudo era para mim mesmo, mas depois de vir para Rio Grande tive contato com vários escritores. Como percebi uma deficiência muito grande nessa área, e por pedidos cada vez mais constantes, finalizei a palestra e a apresentei no Sebo Dom Casmurro, lugar que frequento até hoje. Depois disso fiz várias outras apresentações, incluindo a Faculdade Anhanguera e o curso de Design da UFPel.

Em 2010 publiquei a tradução História de Liberdade de Pensamento, de John Bagnell Bury pela UFPel. Depois disso escrevi o livro, ainda inédito, Figuras & Vícios de Linguagem. Já comecei outros projetos, de tradução, adaptação e produção própria, que estão em aguardo, pois tenho trabalhado muito em revisar, diagramar e editar livros para pessoas que me procuram. Apesar disso a qualidade da minha produção literária melhorou, pois no grupo que faço parte, é muito comum a apresentação e o debate do que é escrito e produzido. É uma oficina informal, mas muito produtiva. O projeto que estou desenvolvendo neste momento e a edição de uma revista literária, seu nome é Silêncio. Ela já está pronta e já foram pedidos orçamentos para gráficas. De posse deles iremos buscar patrocínio para tentar publicá-la.

O que mais gosto em Rio Grande (cidade atual) é esta efervescência cultural que, apesar de pontual, é dinâmica e constante, da qual tenho participado e gosto muito. O que menos gosto de Rio Grande são os dias de vento, que são constantes, e que ficam piores pela areia que carrega.

A lembrança mais marcante da rua em que morei, a rua da Escola Getúlio Vargas, era a movimentação em função das aulas. Lembro da época em que a banda ensaiava e íamos para a frente do colégio assistir. Para mim foi muito cômodo morar nesta rua, pois minha casa ficava a cinco minutos dali.

Do que mais sinto saudades em Pedro Osório é da movimentação juvenil da minha época. Sinto falta da turma e de como eu conseguia transitar entre os vários grupos que existiam. Como depois que crescemos precisamos nos dedicar à vida profissional, nosso círculo de amizades e interesses diminui. Só muito tempo depois percebemos tudo o que ficou para traz.

Depois que me formei no curso de Edificações, na ETFpel, hoje CEFET, fui trabalhar em Erechim e Porto Alegre. Faz 18 anos que saí de Pedro Osório, porém nunca esqueci a cidade e periodicamente volto. Antes de sair, eu e mais duas pessoas criamos um projeto que renovou o acervo literário espírita da biblioteca. Escrevemos cartas para editoras e elas começaram a enviar livros. Isso permitiu criar um espaço específico para este tipo de leitura. Recentemente, quando apresentei minha palestra na Câmara de Vereadores, fizemos uma exposição de livros e autores da cidade. Fiquei muito feliz e surpreso pela produção literária existente.

O presente que eu gostaria de dar para a cidade é a regulamentação da lei que destina para a biblioteca um recurso específico para sua manutenção e aquisição de livros. Esta regulamentação permitirá que a biblioteca deixe de sobreviver apenas de doações. Isso poderá ser realizado porque escrevi um trabalho que explica legal e administrativamente a possibilidade de colocar isso em prática. Este trabalho já foi publicado no blog do Galeno, de Galeno Amorim, ex-presidente da Biblioteca Nacional, na Revista Digital da RDBCI, da UNICAMP e na Revista CRB8, do Conselho Regional de Biblioteconomia, de São Paulo. Por iniciativa do Vereador Guiça, e de sua proposição, se esta regulamentação se consolidar, Pedro Osório poderá ser o primeiro município brasileiro a se adequar à Lei Federal, da qual extraí o subsídio do meu trabalho. Porém, sem dúvida, o presente que Pedro Osório merece é ver sua produção literária aumentar e, de preferência, alcançar lugares mais distantes. Por isso fico muito contente quando vejo mais pessoas escrevendo e publicando seu material.







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