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quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Por Onde Ando: Julio C C Lima Jr.



Minha formação é designer e produtor de trade marketing. Trabalhei 17 anos com publicidade e comunicação no Rio Grande do Sul, certamente um dos mercados mais competitivos e acelerados do país. Tive a sorte de trabalhar com equipes sensacionais, conheci pessoas incríveis, desenvolvi projetos desafiadores para grandes contas, dos quais me orgulho. Mais que nada, eu aprendi muito nestes anos todos. Durante este tempo, fui aprendendo também a fazer ajustes entre a profissão e a vida pessoal - acreditando firmemente que um dia eu teria vida pessoal. Neste meio tempo fui professor da Unisinos durante 6 anos. Em 2012 uma antiga ideia se fez realidade: morar em Barcelona (cidade a qual me apaixonei ainda em 2010). Atualmente  trabalho em uma empresa de marketing digital, francesa, que tem sedes em 6 países Europeus e em 2 países do continente Americano. Sou responsável pelo desenvolvimento estratégico e gestão executiva do mercado brasileiro. Hoje já quase posso dizer que descobri como é sair do trabalho em um horário aceitável, poder sair para jantar e aproveitar a cidade. E finalmente, termino meu master em Marketing Web!





Blog – Do que mais gostas em Barcelona?

Julio - Viver em Barcelona é fantástico. É como se juntasse São Paulo e Rio de Janeiro, sendo que a cidade é da época do Império Romano. Tem uma arquitetura impressionante, importantes museus, uma quantidade enorme de bares e restaurantes, que são suficientes para deixar a qualquer um tonto. Sem falar nas praias do mediterrâneo de um azul turquesa encantador.  E, obviamente, a cultura catalã - que salvo algumas particularidades, parece muito com a gaúcha. 
Barcelona - Espanha



Blog – E do que menos gostas?

Julio – De não ver minha família tanto quanto gostaria. Também  sinto falta do churrasco, a carne não é como a do RS ou do Uruguai.



Blog – Que lembrança te marcou da rua onde crescestes?

Julio – Cresci na Rua Rui Barbosa. O fato mais marcante foi uma das enchentes em que, por um erro de cálculo, acabamos ficando presos no segundo piso da minha casa. Tudo passava boiando pela nossa frente, escutávamos os carros batendo nas paredes. 
Julio num momento relax



Blog – Do que sentes mais saudades de Pedro Osório?

Julio – Sinto saudades das pessoas que conheci, das quais crescemos juntos. Sinto saudades do Rio Piratini e do chimarrão em baixo da ponte. E, especialmente, da casa dos meus avós, no Cerrito, onde aos domingos o churrasco era motivo para ter a família reunida.



Blog – Que presente gostarias de dar para Pedro Osório?

Julio – Acredito que Pedro Osório sempre teve um frescor cultural bastante interessante e uma beleza natural estupenda. Aproveitando esses pontos fortes, eu gostaria de poder gerar novos postos de trabalho para a comunidade, de forma sustentável e abrangente. Uma empresa que pudesse investir na cidade tanto na parte social quanto nas belezas naturais da região.  



quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Minha Rápida Opinião Sobre...

....o Grêmio

Entendo pouco de futebol. Quase nada. Futebol, pra mim, é: 1- Esporte. 2- Competição. 3- Motivo pra juntar a galera na frente da tv, fazer um churras e tomar umas cervejas. É o que faço quando tem jogo do meu time. Nem sempre tem a galera e o churras, mas geralmente tem a tv e a cerveja. E assisto só os jogos do meu time. Da Seleção, só valendo.
O Grêmio tá na crista. Segundo no Brasileirão há algumas rodadas, e ontem classificou para as finais da Copa do Brasil. Se eu entendesse um pouco de futebol eu me perguntaria como isso é possível. Como é possível um time nestas posições na tabela com laterais que nem um escanteio decente sabem cobrar? Alex Telles não aproveita um escanteio faz tempo. Joga a bola nas pernas da zaga. Pará, apesar da garra e vontade, esbanja falta de técnica. Barcos, apesar de apoiar na marcação, se atrapalha constantemente com a bola. Ramiro tem errado muitos passes, e não está sozinho nessa, pois errar passes parece ser a ordem no time, principalmente do centro pra frente. O meio campo não é criativo, o que dificulta o trabalho dos atacantes, tanto que o Grêmio tem conseguido vitórias magras com gols de zagueiro, de volante, da lateral, e às vezes de centroavante.
Mas se faz poucos gols, pelo menos também leva poucos. A zaga me parece ajustada. Dida é um gigante quando precisa ser. Ontem defendeu 3 pênaltis, inclusive do Pato, que é (era) seleção só no Brasil. E fiquei especialmente satisfeito quando o atacante corintiano errou. Morreu pela boca. Quando soube que pegaria o Grêmio nas quartas disse, em entrevista, que fazer um gol no tricolor gaúcho teria gostinho especial e que ia comemorar muito. Se de mau. Quem comemorou muito fui eu. Apesar do jogo feio, classificamos e tenho fé no título, pois com o Grêmio sempre foi assim mesmo. E se tudo der errado, pelo menos que a cerveja esteja gelada.

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Deu Branco



      Publicado no Diário Popular de 23 de outubro de 2013



    Branco 1: uma hora depois de deixar minha casa, meu amigo liga no celular querendo saber se esqueceu o telefone dele “ali por cima”, pois precisava de um número que estava na agenda. Depois de uma rápida inspeção pelo lugar respondo que não, aqui não ficou. Ele, então, cospe alguns palavrões como que para si mesmo e diz que vai ter que voltar não sabe quantos quilômetros até a madeireira onde esteve por último para ver se não largou o aparelho em cima do balcão da loja. Naquele momento não me ocorreu, e nem a ele, que o celular que ele procurava estava justamente em sua orelha.

   Branco 2: esse mesmo amigo me liga, certa noite, e pergunta se eu tenho o número do telefone do fulano. Tenho, só preciso achar na minha agenda. Então reviro a sala atrás do meu celular. Levanto almofadas, revistas e jornais. Procuro nos bolsos, atrás da TV, em cima da geladeira. Aviso que vou procurar melhor e depois retorno a ligação para lhe dar a informação. Naquele momento não lhe ocorreu, e nem a mim, que o telefone que eu procurava estava na minha orelha.
 Foto: Google Imagens

   Distrações! Quem nunca? Eu, devo reconhecer, sou um pouco mais distraído que o normal. Fazer o quê? É o pensamento que viaja. Não concentro. O tal déficit de atenção. Já fui à padaria de carro e voltei a pé, e olha que não é perto. Pior: só percebi quando fui pegar o carro para sair de novo. No outro dia! E das vezes em que tranquei o carro com a chave dentro, então, já perdi a conta. Sou perito em arrombar meu próprio carro. Falando em perder a conta, outra habilidade minha é a de perder coisas. Carteira com os documentos, chaves, ônibus. Mas têm exceções. Em uma manhã eu subi no coletivo para ir trabalhar. Lembro que estranhei o tanto de lugares disponíveis. Cheguei na empresa e tudo fechado. Enchi-me de orgulho, pois tinha chegado cedo, pra variar. Depois de esperar os colegas por meia hora resolvi ligar para um deles, que atendeu praguejando por que, diabos, eu estava telefonando tão cedo num feriado?



   O artista plástico mineiro Ricardo Fantini manda e-mail de Búzios – RJ, onde mora atualmente. Sobre meu último artigo (Criatividade, DP de 17/10), ele diz que a criatividade do pessoal da música nunca esteve tão em alta. O que falta, muitas vezes, é qualidade. Qualidade que está presente no recente trabalho do grupo Feito em Casa. Confiram. Quem esbanja qualidade, também, em sua obra, é o aniversariante de amanhã (24), Ziraldo, criador do Menino Maluquinho que escorregava nos paralelepípedos de sua rua porque era, mesmo, muito distraído.
 Distração no volante pode ser fatal (foto: google imagens)

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Criatividade (ou a falta de)



 Publicado no Diário Popular de 10 de outubro de 2013
Em um desses churrasquinhos de sábado à noite, entre a linguicinha com farofa e o entrecot grelhado, surgiu o assunto sobre a situação da música atual. Música brasileira, mais precisamente. Especulávamos sobre o processo criativo dos compositores. A questão girava em torno de uma dúvida: por que artistas como Zé Ramalho, Caetano, Djavan, Gil e outros dessa linhagem, incluindo bandas de rock da época, não emplacam um novo sucesso há muito tempo? Por que os shows dessa turma são montados sobre hits antigos, trabalhos lançados décadas atrás, embora com roupagem nova, unpluggeds e tals? Nas próprias trilhas musicais das novelas se observa a inclusão de muitas canções antigas, e festa “anos 80” é sucesso em todo o país.

Meu irmão Jayme arriscou que o motivo é que, talvez, a criatividade para compor canções de sucesso se evapore aos 30 anos de idade, versão corroborada, em parte, por Jou Silveira. Jou é da opinião de que a criatividade tem um pico, o ápice criativo. Acontece quando a verve está no máximo e que, passado esse momento, a queda é inevitável. Tristeza não tem fim, criatividade sim.

Eu viajei na costela e apontei que hoje o mundo é um lugar melhor (mais fácil) para viver se comparado às décadas de ‘70 e ‘80, e que os principais motivadores para se fazer música, atualmente, são fama e dinheiro. Todos me olharam como se eu fosse um ET. Levei vaia coletiva, mas não me intimidei e prossegui: Caetano, Chico e cia tinham algo a dizer, usavam de suas músicas para darem um recado, mandar uma mensagem à sua plateia, queriam apenas ser ouvidos e compreendidos. Bumbuns descendo até o chão, na boquinha da garrafa, água de coco ou chocolate, tanto faz, a regra hoje é vender, vender, vender, e eles querem mais. Não precisam mais das éfe-êmes para terem os seus quinze minutos ou quatro meses de fama. Use a Internet, a rede é o caminho. É o fim do Jabá! É música para rebolar, para festa, não pra ouvir.  


Meus argumentos foram refutados por unanimidade. Até tiraram a minha cerveja e mudaram de assunto. Porém, em uma coisa todos concordamos: a inspiração não dura para sempre. Até considero a veia criativa mais latente até os 30 anos de idade, mas apenas para compositores, pois com a literatura a coisa é diferente. A experiência e o amadurecimento tornam o autor mais criativo e interessante, a meu ver; o que não significa que não tenhamos jovens talentos literatos. Temos, sim, e penso que serão melhores ainda com o passar das letras. A Feira do Livro de Pelotas está chegando, é só conferir. Quanto à música, é como diz um amigo (o mesmo que diz que gosto não se discute, se lamenta): não existe música velha, o que tem é música ruim. 

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Blitz!



- Rapaz, e o Tuca?

- Que tem ele?

- Caiu numa blitz durante um trabalho. Tá pousando lá no Central.

- Otário é ele. É só ver no Face onde os homi estão atacando e desviar. Ó, dobra aqui. O desmanche é naquele galpão no meio da quadra.

Creia, não é apenas o Obama que anda metendo o bedelho onde não é chamado. Grupos, ou comunidades, do tipo “vigilantes do trânsito” são comuns em todo o Brasil pelas redes sociais. Neles os motoristas são avisados sobre a localização das blitzes nas ruas. Conforme matéria publicada no Diário, a Brigada Militar precisa monitorar o monitoramento dos internautas, e é necessário mudar o local de fiscalização a todo o momento, o que atrapalha a operação.

Em um desses grupos, em Porto Alegre, os “fiscais da rede” chamam blitz de churrasco.

- Atenção! Churrasquinho em frente ao Beira-rio.

Com as facilidades e telefones modernos de hoje bastam alguns toques na tela do celular que da mesa do bar já ficamos sabendo onde está o bafômetro. É mais fácil do que achar um motorista da rodada. Custa caro andar de bar em bar a bordo de um táxi. Para quem mora longe a corrida pode custar mais do que a conta do restaurante.

Um desses grupos, aqui de Pelotas, tem quase dez mil usuários. Porém, logo após a divulgação da matéria no jornal as atualizações ficaram mais tímidas. Alguns criticaram as investigações do setor de inteligência da BM. Teve até quem dissesse que a polícia deveria se preocupar mais em investigar traficantes e outros criminosos. No entanto, talvez não lhes ocorra que criminosos também podem cair numa blitz, como no caso ilustrado no início desse texto.

Em uma dessas noites eu fui jantar com uns amigos. Ao retirar o carro do estacionamento para voltar para casa fui alertado por um manobrista que virando à direita tem uma barreira. Tudo bem. Minha mulher, que não bebe, vai guiando. Não acho que o manobrista tenha cometido algum crime por ter me passado tal informação, assim como não considero que o pessoal das redes sociais esteja praticando algum delito divulgando pela internet os locais das blitzes. Contudo, um importante trabalho de fiscalização pode estar sendo prejudicado, e operações como a Balada Segura, que pretende coibir a combinação álcool-direção nas ruas da cidade e erradicar de vez manchetes como as que estampam as páginas de jornal todas as semanas sobre acidentes fatais no trânsito, acabam não cumprindo o seu papel, que é o de preservar a vida do cidadão.