Pesquisar neste blog

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Blitz!



- Rapaz, e o Tuca?

- Que tem ele?

- Caiu numa blitz durante um trabalho. Tá pousando lá no Central.

- Otário é ele. É só ver no Face onde os homi estão atacando e desviar. Ó, dobra aqui. O desmanche é naquele galpão no meio da quadra.

Creia, não é apenas o Obama que anda metendo o bedelho onde não é chamado. Grupos, ou comunidades, do tipo “vigilantes do trânsito” são comuns em todo o Brasil pelas redes sociais. Neles os motoristas são avisados sobre a localização das blitzes nas ruas. Conforme matéria publicada no Diário, a Brigada Militar precisa monitorar o monitoramento dos internautas, e é necessário mudar o local de fiscalização a todo o momento, o que atrapalha a operação.

Em um desses grupos, em Porto Alegre, os “fiscais da rede” chamam blitz de churrasco.

- Atenção! Churrasquinho em frente ao Beira-rio.

Com as facilidades e telefones modernos de hoje bastam alguns toques na tela do celular que da mesa do bar já ficamos sabendo onde está o bafômetro. É mais fácil do que achar um motorista da rodada. Custa caro andar de bar em bar a bordo de um táxi. Para quem mora longe a corrida pode custar mais do que a conta do restaurante.

Um desses grupos, aqui de Pelotas, tem quase dez mil usuários. Porém, logo após a divulgação da matéria no jornal as atualizações ficaram mais tímidas. Alguns criticaram as investigações do setor de inteligência da BM. Teve até quem dissesse que a polícia deveria se preocupar mais em investigar traficantes e outros criminosos. No entanto, talvez não lhes ocorra que criminosos também podem cair numa blitz, como no caso ilustrado no início desse texto.

Em uma dessas noites eu fui jantar com uns amigos. Ao retirar o carro do estacionamento para voltar para casa fui alertado por um manobrista que virando à direita tem uma barreira. Tudo bem. Minha mulher, que não bebe, vai guiando. Não acho que o manobrista tenha cometido algum crime por ter me passado tal informação, assim como não considero que o pessoal das redes sociais esteja praticando algum delito divulgando pela internet os locais das blitzes. Contudo, um importante trabalho de fiscalização pode estar sendo prejudicado, e operações como a Balada Segura, que pretende coibir a combinação álcool-direção nas ruas da cidade e erradicar de vez manchetes como as que estampam as páginas de jornal todas as semanas sobre acidentes fatais no trânsito, acabam não cumprindo o seu papel, que é o de preservar a vida do cidadão.      


Nenhum comentário:

Postar um comentário