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segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Deu Branco



      Publicado no Diário Popular de 23 de outubro de 2013



    Branco 1: uma hora depois de deixar minha casa, meu amigo liga no celular querendo saber se esqueceu o telefone dele “ali por cima”, pois precisava de um número que estava na agenda. Depois de uma rápida inspeção pelo lugar respondo que não, aqui não ficou. Ele, então, cospe alguns palavrões como que para si mesmo e diz que vai ter que voltar não sabe quantos quilômetros até a madeireira onde esteve por último para ver se não largou o aparelho em cima do balcão da loja. Naquele momento não me ocorreu, e nem a ele, que o celular que ele procurava estava justamente em sua orelha.

   Branco 2: esse mesmo amigo me liga, certa noite, e pergunta se eu tenho o número do telefone do fulano. Tenho, só preciso achar na minha agenda. Então reviro a sala atrás do meu celular. Levanto almofadas, revistas e jornais. Procuro nos bolsos, atrás da TV, em cima da geladeira. Aviso que vou procurar melhor e depois retorno a ligação para lhe dar a informação. Naquele momento não lhe ocorreu, e nem a mim, que o telefone que eu procurava estava na minha orelha.
 Foto: Google Imagens

   Distrações! Quem nunca? Eu, devo reconhecer, sou um pouco mais distraído que o normal. Fazer o quê? É o pensamento que viaja. Não concentro. O tal déficit de atenção. Já fui à padaria de carro e voltei a pé, e olha que não é perto. Pior: só percebi quando fui pegar o carro para sair de novo. No outro dia! E das vezes em que tranquei o carro com a chave dentro, então, já perdi a conta. Sou perito em arrombar meu próprio carro. Falando em perder a conta, outra habilidade minha é a de perder coisas. Carteira com os documentos, chaves, ônibus. Mas têm exceções. Em uma manhã eu subi no coletivo para ir trabalhar. Lembro que estranhei o tanto de lugares disponíveis. Cheguei na empresa e tudo fechado. Enchi-me de orgulho, pois tinha chegado cedo, pra variar. Depois de esperar os colegas por meia hora resolvi ligar para um deles, que atendeu praguejando por que, diabos, eu estava telefonando tão cedo num feriado?



   O artista plástico mineiro Ricardo Fantini manda e-mail de Búzios – RJ, onde mora atualmente. Sobre meu último artigo (Criatividade, DP de 17/10), ele diz que a criatividade do pessoal da música nunca esteve tão em alta. O que falta, muitas vezes, é qualidade. Qualidade que está presente no recente trabalho do grupo Feito em Casa. Confiram. Quem esbanja qualidade, também, em sua obra, é o aniversariante de amanhã (24), Ziraldo, criador do Menino Maluquinho que escorregava nos paralelepípedos de sua rua porque era, mesmo, muito distraído.
 Distração no volante pode ser fatal (foto: google imagens)

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