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sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Serra não! (novo final)


Haroldo morreu aos 50. Coração. Parou de bater, sem ataque, sem dor nem nada, apenas parou de pulsar e Haroldo sucumbiu. Agora cadáver, Haroldo sacode dentro de um caixão na Kombi da família. Seu sepultamento será na cidadezinha distante algumas dezenas de quilômetros de onde viveu seus últimos anos. O cunhado dirige a perua com a viúva ao lado.

- Por que ele está nu dentro do caixão mesmo?

- Por causa desse calor infernal. Não queremos que ele apodreça antes de chegarmos no cemitério.

- Júlio!

- Mas é verdade.  Fique presa dentro de um caixão, pra você ver. Viajar sem roupa é melhor. Lá o pessoal da funerária irá vestí-lo.

- Tadinho do meu Dodô. Tão sozinho dentro daquele caixão, chacoalhando nessa Kombi velha. Vou lá pra traz lhe fazer companhia.

Depois de alguns minutos:

- Juliooooooo!

- Quié?

- Vem ver.

- Não posso,  estou dirigindo.

- Mas olha aqui, o meu Dodô

Júlio olha por cima do ombro e freia o furgão bruscamente. Alguém buzina enraivecido.

- Que isso, mulher, o que você fez!?

- Nada, ué!

- Como, nada? Por que então ele está desse jeito? Esse caixão parece um navio sem velas. O que fizestes, criatura?

- Nada, só dei um beijinho e ele ficou assim.  Está morto, não está? Não pensei que isso pudesse acontecer.

- Agora sei porque ele morreu enquanto vocês transavam. Faltou sangue no cérebro do coitado. Benzadeus, maninha. Fecha esse caixão e vem sossegar aqui na frente.

- Mas não dá, agora o caixão não fecha. Vem cá, Júlio, quam sabe se você forçar...

- Tá louca?! Eu que não mexo nisso. Deixa assim e vem pra cá, daqui a pouco deve murchar.

A mulher desce a tampa do caixão até onde dá e senta ao lado do motorista.

- Olha lá. Parece um piano de cauda.

- Parece mais uma arapuca.

- Será que tá doendo?

- Que doendo, maninha, ele está morto.

- Será? E se ele estiver vivo? Nunca soube de morto ter ereção.

- Nem eu. Vamos tirar uma foto e postar no Instagram?

- Não! ninguém vai fotografar meu Dodô nessa situação.

Perto do necrotério:

- O que faremos? Não podemos descer com ele assim, nesse estado.

- Quem sabe se você transar com ele o troço não volta ao normaL? Geralmente é o que acontece, pelo menos com os vivos.

- O que você acha que eu sou? Necrófila?

- Sei lá,  é teu marido. Em algumas civilizações isto é até normal.

- Júlio!

- Vai lá, deixa de ser boba. Já desse um beijinho mesmo.

- Não!

- Então vamos serrar. Tem uma serrinha ali na caixa de ferramentas. Sejamos rápido, estão todos nos esperando.

- Júlio, vai doer.

- E morto lá sente dor? A gente corta e estende a peça ao lado do corpo. Apesar de tudo deve caber.

Estacionaram a algumas quadras antes do cemitério e foram o dois pra trás da Kombi.

- Nossa, mana, como você aguentava?

- Mulher aguenta muita coisa, meu irmãozinho – suspira, com ar de saudade. – Pobre do meu Dodô, olha só a cara dele.

- Cara de defunto.

- Ajude-me aqui. Vamos tentar baixar isso.

- Olha, o Haroldo era legal, gostava dele e tal, mas isso é demais Eu que não boto minhas mãos nessa coisa. Vai você, segura que eu serro.

- Tá bem! Mas vai devagar pra não maxucar o coitado.

No primeiro vai e vem da lâmina Haroldo se levanta num pulo e grita:

- Serra não! Serra não!

Marcinha acorda assutada. Estica o braço pra acender a luz do abajur e olha para o marido:

- Que foi, benhê?! Sonhando com as eleições?

- Pior, Marcinha, pior - então ele conta o sonho. Tudinho.

Marcinha ouve com atenção. Depois dá um beijo no marido,  cosulta o relógio, boceja e apaga a luz.

- Benhê, já falei pra você guardar seus Viagras longe das Aspirinas. Agora volte a dormir.  Barco à vela, piano de calda. Humpf... té parece.

 
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terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Serra não


Haroldo morreu aos 50. Coração. Parou de bater, sem ataque, sem dor nem nada, apenas parou de pulsar e Haroldo sucumbiu. Agora cadáver, Haroldo sacode dentro de um caixão na Kombi da família. Seu sepultamento será na cidadezinha distante algumas dezenas de quilômetros de onde viveu seus últimos anos. O cunhado dirige o veículo com a viúva ao seu lado.

- Por que ele está nu dentro do caixão mesmo?

- Por causa desse calor infernal. Não queremos que ele apodreça antes de chegarmos no cemitério.

- Júlio!

- Mas é verdade.  Fique presa dentro de um caixão, pra você ver. Viajar sem roupa é melhor. Lá o pessoal da funerária irá vestí-lo.

- Tadinho do meu Dodô. Tão sozinho dentro daquele caixão. Vou lá pra traz lhe fazer companhia.

Depois de alguns minutos:

- Juliooooooo!

- Quié?

- Vem ver.

- Não posso,  estou dirigindo.

- Mas olha aqui, o meu Dodô

Júlio olha por cima do ombro e freia o furgão bruscamente. Alguém buzina enraivecido.

- Que isso, mulher, o que você fez!?

- Nada, ué!

- Como, nada? Por que então ele está desse jeito? Esse caixão parece um barco sem velas. O que fizestes, criatura?

- Nada, só dei um beijinho e ele ficou assim.  Está morto, não está? Não pensei que isso pudesse acontecer.

- Agora sei porque ele morreu enquanto vocês transavam. Faltou sangue no cérebro do coitado. Benzadeus, maninha. Fecha esse caixão e vem sossegar aqui na frente.

- Mas não dá, agora o caixão não fecha. Vem cá, Júlio, quem sabe se você forçar...

- Tá louca?! Eu que não mexo nisso. Deixa assim e vem pra cá, daqui a pouco deve murchar. Tudo que sobe desce, não é assim?.

A mulher arria a tampa do caixão até onde dá e volta para o lado do motorista.

- Olha lá. Parece um piano de cauda.

- Parece mais uma arapuca.

- Será que tá doendo?

- Que doendo, maninha, ele está morto.

- Será? E se ele estiver vivo? Nunca soube de morto ter ereção.

- Nem eu. Vamos tirar uma foto e postar no Instagram?

- Não! ninguém vai fotografar meu Dodô nessa situação.

Perto do necrotério:

- O que faremos? Não murchou. Não podemos descer com ele assim, nesse estado.

- Quem sabe se você transar com ele o troço não volta ao normaL? Geralmente é o que acontece, pelo menos com os vivos.

- O que você acha que eu sou? Necrófila?

- Sei lá,  é teu marido. Em algumas civilizações isto é até normal.

- Júlio!

- Vai lá, deixa de ser boba. Já desse um beijinho mesmo.

- Não!

- Então vamos serrar. Tem uma serrinha ali na caixa de ferramentas. Sejamos rápido, estão todos nos esperando.

- Júlio, vai doer.

- E morto lá sente dor? A gente corta e esconde a peça ao lado do corpo. Apesar de tudo deve caber.

Estacionaram a algumas quadras do cemitério e foram o dois pra trás da Kombi.

- Nossa, mana, como você aguentava?

- Mulher aguenta muita coisa, meu irmãozinho – suspira, com ar de saudade. – Pobre do meu Dodô, olha só a cara dele.

- Cara de defunto.

- Ajude-me aqui. Vamos tentar baixar isso.

- Olha, o Haroldo era legal, gostava dele e tal, mas não, obrigado! Eu que não boto minhas mãos nessa coisa. Vai você, segura que eu serro.

- Tá bem! Mas vai devagar pra não maxucar o coitado.

No primeiro vai e vem da lâmina Haroldo se levanta num pulo e grita:

- Serra não! Serra não!

E Haroldo nunca mais dormiu nas reuniões do PSDB

 

 

domingo, 26 de janeiro de 2014

Apellido



Publicado no Diário Popular de 29 de janeiro de 2014 

Alguns amigos me chamam de Careca. Não chega a ser um apelido, pois não é usual. Apenas esses dois ou três chegados. Careca. Cai em mim como uma luva. Ou melhor, como uma peruca. 


Tive outro quase apelido na adolescência, Seco da Goiaba. Até hoje não entendi o Goiaba, mas o Seco me fazia justiça, na época. Achava simpático, como acho simpática a maioria dos apelidos, no entanto só consigo chamar pela alcunha os amigos mais íntimos. Aos recém apresentados eu me dirijo pelo nome que levam impresso na Carteira de Identidade. Não fico à vontade, e vai que o cara se sinta desrespeitado.


Nos anos 80 havia um desenho da Disney chamado The Wuzlles, cujos personagens eram criaturas formadas pela mistura de dois animais. Ursoleta, Abeleão, Alçoca, Hipocó e Rinocaco, este uma simpática mixagem de rinoceronte com macaco. Pois no segundo grau - na época era segundo grau o que hoje chamamos de ensino médio - eu era o Rinocaco. Eu, certamente, não carregava semelhança nenhuma com o bicho mutante, mas recebi o cognome porque, segundo meus colegas, eu ria pelos cotovelos. O apelido, porém, durou apenas o período letivo.


Recentemente conheci uma galera interessante. A turma de novos amigos e colegas forma um time de futebol nos fins de semana. Vou aos jogos para acompanhar a gurizada, mas nem me fardo. Jamais consegui dar mais de três toques numa embaixadinha, e mal acerto um passe. Então levo um chimarrão e fico assistindo a pelada. A escalação da equipe: Zacarias, Tizo e Chimia, Pererê, Hulk Magrelo, Nono e Torto, Caixinha, Nariz, Cachorro e Molamestre. Todos devidamente apelidados. De alguns nem sei o verdadeiro nome, e estou só esperando o meu batismo, pois essa turma não perdoa ninguém. Apelidar-me de Careca seria muita obviedade. Espero por algo mais original. Só de sacanagem.

 
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Mulheres e homens relacionam-se de modo diferente com seus apelidos. Mulheres são mais Duda, Paty, Gaby, enquanto homens aceitam Bolão, Patudo, Geléia. Apelidamos as mulheres por delicadeza; os homens por sacanagem. Mulheres por simpatia. E homens por sacanagem. Claro que no universo masculino também existem os Gabys e os Dudas, mas a maioria mesmo é pra pagar no pé da vítima, e se o sujeito ficar incomodado com o novo cognome aí mesmo que a coisa pega. 


Também há casos em que o apelido vira nome. Conheço um Sandro cujo nome é Cristiano, e um Vitor registrado como Vilson. Aliás, faz poucos dias que soube que o Vitor é, na verdade, Vilson.  Isso depois de trinta anos.


Quando penso em epítetos sempre lembro do caso do garotinho que na escola quase rodou por falta porque jamais respondeu a chamada, pois achava que seu nome era Maninho. E, para encerrar, ilustro a viagem que meu querido primo fez para Montevidéu. Na hora de preencher uma ficha na aduana ele apresentou essa pérola: Nombre – Carlos. Apellido (aí ele pensou, pensou e escreveu, orgulhoso) - Carlão! 
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sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Minha Rápida Opinião Sobre...

...Deixa a vida me levar.


Sabe aquele samba que diz “deixa a vida me levar, vida leva eu”? Pode ser muito bonito no show do Zaca ou na festa do Ronaldinho, mas na vida real pode ser perigoso. Deixe a vida te levar e poderás chegar onde não desejas ou, pior, chegar em lugar nenhum.  Assuma o leme da sua vida e construa seu caminho.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Entrevista Banda Isopor




A Banda Isopor surgiu como surgiram muitas bandas de rock: amigos que se reúnem para beber, tocar e se divertir nos finais de semana. Formada pelo vocalista Juliano "Buiu" Correa, Luan Jodar no contra-baixo, Thiago Ishigami e Marcos Ceron  nas guitarras e vocais, Duda Ishigami no triângulo e Wagner Sicca  na bateria, a Banda Isopor está preparando para o próximo mês um festival de rock para fechar com chave de ouro a temporada de verão de Pedro Osório. Com a irreverência e o bom-humor característicos da rapaziada da banda, o blog realizou um bate-papo online para falar um pouco de rock, do Pedrock e da Banda Isopor. Confiram a entrevista.




Blog - A década de 80 foi o período chave para o rock brasileiro quando surgiram várias bandas, muitas delas ainda em atividade. Porém, hoje o cenário musical é outro. O rock divide espaço com pagode, funk, sertanejo e outros estilos. Vocês acham que o rock está perdendo a vez na indústria fonográfica e, por consequência, perdendo público?


Wagner Sicca - Cara, eu acho que o rock já era. Acredito que ele não vá evoluir mais. Até o início dos anos 2000, a gente viu coisas grandes acontecendo, como o grunge, britpop,  new metal, e depois disso só vemos bandas novas reciclando coisas antigas. Hoje, como o risco é maior, a indústria coloca para o grande público o que tem mais possibilidade de dar certo, ou seja, som pop. Daí o lance experimental do rock não tem como vingar.

Thiago Ishigami – Também acredito que o rock já era. A mídia já não vê o estilo com bons olhos. A juventude atualmente não curte a guitarra com distorção, os palm mutes, os riffs pesados, as letras tratando de rebeldia, de indignação e até de depressão.  A preferência atual é pela musica mais dançante, com letras de amor e traição, sem contar aquelas músicas cujas letras só tratam baixaria. A mídia sabe o estilo demandado hoje e por isso não presenciamos mais bandas de rock na grande mídia.

Marcos Ceron - O que eu vejo são bandas antigas na ativa tocando as mesmas músicas que fizeram sucesso há 20 anos atrás ou bandas novas requentando ideias antigas, como o Sicca falou. Acho que para o rock voltar à mídia teria que acontecer uma nova "revolução" totalmente inesperada, como foi o grunge. E isso teria que vir de fora. Penso que o Brasil, ainda que tenha muita coisa de qualidade, não tem potencial pra revolucionar o rock no mundo. Não sei como era nos anos 80, mas nos 90 quando, eu era criança e consumia muita mídia popularesca, o rock sempre dividiu espaço com outros estilos. Mamonas Assassinas e Raimundos eram fenômenos tão populares como É o Tchan ou Só Pra Contrariar. Ainda assim, o rock se mantém nos festivais underground por aí. Se por um lado a gente não pode mais escutar nossa banda preferida na rádio porque a indústria não investe mais no estilo, a nova era da informação nos dá a liberdade pra consumir o que quisermos com a facilidade de um clique. Não precisamos ficar presos ao "mainstream".



Blog - É cada vez menor o número de espaços destinado às bandas de rock, como bares e pubs, sobretudo em cidades do interior. Em contrapartida, Pedro Osório nunca esteve tão bem servida de bandas como agora. O que explica esse paradoxo?


Sicca - Acho que a falta de lugares pra tocar acaba incentivando a gurizada, que tem ainda mais vontade de fazer som. Essa é uma característica da juventude e, de certa forma, do rock: ir contra a maré. Lembro que quando comecei a tocar só existia a banda do Leandro-Xexéu-Anderson (Sphynx) fazendo som instrumental, tocando Hendrix, era sensacional! Isso influenciou Jader, Mairon e Voodoo, que formaram a próxima geração de músicos. A coisa foi dando cria até termos toda essa galera fazendo som em Pedro Osório! Isso é ótimo! Entretanto, o que não muda é a falta de lugares pra tocar, que eu acho que também é culpa do público da cidade. Pouca gente gastaria cinco ou dez reais pra assistir uma banda de rock local.

Ishigami - É legal ver a garotada formando bandas. Essa falta de espaço, juntamente com o rock em baixa na atualidade, acaba ajudando nesse processo de formar bandas, aprender a tocar e mostrar que o rock ainda vive.

Sicca - O público continua aí, ávido por distorção!

Ceron - Não sei muito bem como funcionava o rock em Pedro Osório antes de eu conhecer a cidade. Sou o "estrangeiro" da banda. Mas o que eu vi nos últimos dois anos é que Pedro Osório parece bem mais ativa do que Pelotas nesse sentido. Aqui em Pelotas não acontece nada de realmente novo há muito tempo.


Blog - Foi com o desejo de preencher essa lacuna (espaço rock) que surgiu a ideia de realizar o Pedrock?

Sicca  - Sim. A grande oportunidade que a galera tem de tocar é a festa da melancia, mas sabemos que não é tão simples conseguir uma vaga pra tocar em função da concorrência.  Então, nosso vocalista Juliano Buiu deu a ideia de arrumarmos uma data no camping e juntar toda a gurizada de Pedro Osório que faz rock. Falamos com o Pablo (Diretor de Cultura), responsável por organizar os lances no camping que, sem enrolação, já nos deu uma data e garantiu o equipamento para tocarmos. Daí coube à Isopor fazer o contato com as outras bandas e montar o lineup.


Blog - Como nasceu a banda Isopor?

Sicca - Estávamos duros de bêbados numa noite em que caiu um raio do lado da casa do seu Milton, pai do Buiu. Lá tivemos a ideia de montar uma banda chamada "Buiu & os Isopores".  Porém, logo a ideia morreu e um tempo depois, durante outro trago heroico no Cassino, alguém disse para montarmos um lance pra tocar na Festa da Melancia (2013).  Firmamos cinco componentes, acertamos um repertório com os sons que sempre tocamos a cada encontro e pronto. Agora estamos aí, um ano depois, agitando o Pedrock in Rio!

Ceron - A gurizada costumava se reunir pra encher a cara e sempre saía um som, fosse com violões e alguém fazendo o ritmo em qualquer coisa que servisse de bateria ou até mesmo com cavaco e pandeiro, tocando versões pagode do Acústico do Nirvana. Conheci Pedro Osório por intermédio deles e calhou de eu estar presente no dia da fundação da Banda Isopor.


Blog - Falando em Festa da Melancia, rolou um papo de que a organização do evento, na última edição, havia sugerido o nome Buiu e Banda, em vez de Isopor. É verdade?

Sicca -  Não, não é verdade. A organização jamais sugeriu o nome. Nós é que mudamos pensando que, com isso, aumentaríamos as chances de entrar no line-up da festa! Alguém falou "cara, vamos forçar 'Buiu & Banda' só pra conseguir tocar", o que acabou dando certo! A gente achou que os caras jamais nos aceitariam com o nome de Banda Isopor. Mas, no fim das contas, fizemos o show com direito ao Madruga Junior nos anunciando como Banda Isopor e explicando que éramos o "Buiu & Banda" do panfleto do evento (risos).

Ceron - No dia que foi criada a banda, todos estavam num estado etílico alucinante e vários nomes foram especulados, sempre relacionando a banda com nossa predileção ao álcool, entre eles: "Buiú e os Gambás". No fim, se bem me lembro, o Sicca sugeriu: BANDA ISOPOR. A gaitada foi generalizada e ficamos viajando nessa horrores! Na manhã seguinte, de ressaca, a beberagem passando e o bom senso voltando aos poucos, rolou a preocupação de não conseguirmos lugar pra tocar por o nome da banda ser muito extravagante. Sendo assim, para a Festa da Melancia, optamos pelo genérico "Buiú e Banda",  mas a divulgação por nossa parte nas redes sociais foi feita em cima de "Banda Isopor". Depois, até rolou um boato de que tinha gerado polêmica com o nome "Isopor", por ser uma marca, mas achei isso meio sem sentido.

Sicca - -É! Ficamos sabendo que rolou um certo bafafá na cidade, com o pessoal se perguntando sobre o porquê de adotarmos outro nome. Até em programa de rádio rolou discussão.


Blog - Pedro Osório já recebeu dois festivais do Rock. O Pedrostock, organizado pelo Caboclo, de Pelotas, e o Fest’Rock, este último com competição. Os dois eventos duraram um fim de semana inteiro e foram realizados fora de temporada de verão. Pedrock in Rio é o primeiro a unir Rock e Praia e parece que, dos três, é o mais aguardado pelo público. Vocês pensaram em fazer um festival de dois dias ou a escolha de um dia único sempre foi a única opção?

Sicca - Cara, acho que a falta de interesse do público local pelos festivais anteriores foi justamente porque eles trouxeram só bandas de fora. O pessoal já não curte muito rock, então é compreensível que a motivação de ir assistir seja ainda menor se todas as bandas são desconhecidas.  Como o Pedrock in Rio tem a premissa de só ter bandas de pedrosorienses, é natural que o interesse seja maior. A duração do festival foi algo que a gente só se ligou depois. Imaginávamos que seria viável fazer o lance em um dia apenas. Depois que pedimos a data pro Pablo e começamos a pensar em tempo de show e horários, vimos que mais de seis bandas em um dia só seria ruim.  Por outro lado, percebemos que não conseguiríamos juntar bandas suficientes para dois dias de festival. Esperamos que essa edição faça sucesso e que no verão que vem possamos fazer o Pedrock in Rio em dois dias e com todas as bandas da cidade.


Blog - Um lance muito legal no projeto todo é a divulgação do evento, sempre irreverente e bem humorada. Vocês deixam bem claro que a PauNoGato e NegoBuiú Produções são empresas fictícias, porém são nomes muito criativos. Vocês também pedem para não serem levados tão a sério, mas a coisa toda não tem nada de brincadeira e quem sabe, talvez, o Pedrock seja um dos grandes momentos do verão de Pedro Osório. Pode estar surgindo aí uma PauNoGato Produções real a atuante no cenário cultural?


Sicca - Pouquíssimo provável! A grande motivação que temos é tocar, então fizemos o possível pra conseguirmos uma data para montarmos o festival. Claro que, como a nossa intenção é estar sempre tocando, estaremos sempre dispostos a correr atrás pra fazer eventos como este, o Pedrock.  

Ceron - "Pau No Gato", "Nego Buiú", os desenhos do cachorro quente, o próprio isopor, a Itaipava ,  são piadas internas  que resolvemos externar para criar um clima irreverente e bem humorado, como dissestes. Deixamos isso bem claro, pois sempre tem gente que acredita em tudo que vê na internet. A PauNoGato em si pode não virar uma empresa real, mas com a receptividade, a vontade das bandas de participarem e o agito que o Pedrock in Rio está causando, e dependendo da aceitação do público, pode vir mais coisa por aí no futuro. 


Blog - Realizar um evento cultural não é nada simples. Envolve muitas pessoas, equipamentos e custos. Como estão sendo divididas as responsabilidades e como está sendo o apoio do poder público para a realização deste festival?

Sicca - O apoio do poder publico está sensacional! Conversamos três minutos com o Pablo e definimos a data. Rapidinho. A prefeitura entrará com o palco, o som e a luz. a #PNGProduções se encarregou de arrumar as bandas, ordená-las e definir o tempo de show.



Blog  – alguns blogueiros e jornalistas concordam em afirmar que, no Brasil, as últimas “novidades” no rock foram Raimundos e Los Hermanos, e isso há 15 anos. Depois deles nada digno de nota foi lançado no Brasil. Vocês conseguem ver, de 2000 para cá, alguma banda ou músico que mereça realmente levar a alcunha de roqueiro?

Ceron - Penso que aí cabe uma menção honrosa ao Matanza. Lançaram o primeiro álbum em 2001 e até o "A Arte do Insulto" de 2006 dá pra dizer que fizeram relativo "sucesso" na mídia. O som deles é uma mistura massa de hardcore com música country e peso na medida certa que eu considero muito criativa, principalmente pelas letras. Estão na ativa até hoje e talvez fossem mais valorizados se o rock ainda fosse massificado.


Blog - E o Rock in Rio? Muitos shows do palco secundário foram melhores que os do palco Mundo, e se brinca muito com o nome do festival, já que de rock oferece muito pouco. Porém, como afirmou Ceron, existem muitos festivais paralelos, como o Lollapalooza, Abril Pro Rock e o Festival Rock Independente. Por que esses festivais não recebem o apoio da mídia como tem o Rock’n Rio? Questão de grana?


Sicca - Acho que é mais questão de marketing mesmo. O primeiro Rock in Rio foi muito significativo, o nome do festival ficou na cabeça da galera e o dono do festival soube valorizar a marca por aqui. O pessoal reclama das bandas, que não são rock e tal, mas lá são vários dias de festival, então é legal que todo mundo possa curtir pelo menos um dia de festival, pois é quase certo que terá algo do seu gosto.
 


BlogDia 19 será o segundo show oficial da Isopor . Por que esse espaço de um ano sem apresentações, já que a última foi na Festa da Melancia do ano passado?


Sicca - Apesar de sermos, com exceção do Ceron, todos de Pedro Osório, a maioria de nós trabalha fora da cidade. Essa dificuldade "geográfica" somada a nosso som ser tosco e barulhento, e mais a falta de lugares para tocar faz com que seja muito difícil conseguir fechar um show.  O legal é que a programação de verão abre espaços para issor. Temos shows confirmados nos dias 19/01 e 23/02, ambos no camping de Pedro Osório.


Blog - E composições próprias? Estão nos planos? 


Sicca - temos planos de compor desde quando formamos a banda, mas ainda não sentamos pra escrever nada. O fato de estarmos espalhados dificulta as reuniões, e quando acontecem procuramos apenas nos divertir. Para tapar esse "buraco autoral", procuramos sempre fazer versões. Na Festa da Melancia do ano passado apresentamos uma versão hardcore de "Zuar e Beber", do Garota Safada.  Estamos preparando mais surpresas para os próximos shows. Quem sabe pinta uma música própria no Pedrock in Rio?! 


Serviço:

Show Banda Isopor  - Live At Camping

19 de janeiro, 17h



Pedrock in Rio, Festival de Rock de Pedro Osório

Dia 23 de fevereiro, 14h

 no Camping Municipal Paulo Roberto Pons.

Atrações: Difícil Acesso, Banda Isopor, Sphynx, Quarto de Banho, John McClane, Granate e Tripulação Garage.

Entrada franca.