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domingo, 26 de janeiro de 2014

Apellido



Publicado no Diário Popular de 29 de janeiro de 2014 

Alguns amigos me chamam de Careca. Não chega a ser um apelido, pois não é usual. Apenas esses dois ou três chegados. Careca. Cai em mim como uma luva. Ou melhor, como uma peruca. 


Tive outro quase apelido na adolescência, Seco da Goiaba. Até hoje não entendi o Goiaba, mas o Seco me fazia justiça, na época. Achava simpático, como acho simpática a maioria dos apelidos, no entanto só consigo chamar pela alcunha os amigos mais íntimos. Aos recém apresentados eu me dirijo pelo nome que levam impresso na Carteira de Identidade. Não fico à vontade, e vai que o cara se sinta desrespeitado.


Nos anos 80 havia um desenho da Disney chamado The Wuzlles, cujos personagens eram criaturas formadas pela mistura de dois animais. Ursoleta, Abeleão, Alçoca, Hipocó e Rinocaco, este uma simpática mixagem de rinoceronte com macaco. Pois no segundo grau - na época era segundo grau o que hoje chamamos de ensino médio - eu era o Rinocaco. Eu, certamente, não carregava semelhança nenhuma com o bicho mutante, mas recebi o cognome porque, segundo meus colegas, eu ria pelos cotovelos. O apelido, porém, durou apenas o período letivo.


Recentemente conheci uma galera interessante. A turma de novos amigos e colegas forma um time de futebol nos fins de semana. Vou aos jogos para acompanhar a gurizada, mas nem me fardo. Jamais consegui dar mais de três toques numa embaixadinha, e mal acerto um passe. Então levo um chimarrão e fico assistindo a pelada. A escalação da equipe: Zacarias, Tizo e Chimia, Pererê, Hulk Magrelo, Nono e Torto, Caixinha, Nariz, Cachorro e Molamestre. Todos devidamente apelidados. De alguns nem sei o verdadeiro nome, e estou só esperando o meu batismo, pois essa turma não perdoa ninguém. Apelidar-me de Careca seria muita obviedade. Espero por algo mais original. Só de sacanagem.

 
                         Google Imagens
Mulheres e homens relacionam-se de modo diferente com seus apelidos. Mulheres são mais Duda, Paty, Gaby, enquanto homens aceitam Bolão, Patudo, Geléia. Apelidamos as mulheres por delicadeza; os homens por sacanagem. Mulheres por simpatia. E homens por sacanagem. Claro que no universo masculino também existem os Gabys e os Dudas, mas a maioria mesmo é pra pagar no pé da vítima, e se o sujeito ficar incomodado com o novo cognome aí mesmo que a coisa pega. 


Também há casos em que o apelido vira nome. Conheço um Sandro cujo nome é Cristiano, e um Vitor registrado como Vilson. Aliás, faz poucos dias que soube que o Vitor é, na verdade, Vilson.  Isso depois de trinta anos.


Quando penso em epítetos sempre lembro do caso do garotinho que na escola quase rodou por falta porque jamais respondeu a chamada, pois achava que seu nome era Maninho. E, para encerrar, ilustro a viagem que meu querido primo fez para Montevidéu. Na hora de preencher uma ficha na aduana ele apresentou essa pérola: Nombre – Carlos. Apellido (aí ele pensou, pensou e escreveu, orgulhoso) - Carlão! 
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