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sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Pensa Rápido

Publicado no Diário Popular de 26 de fevereiro de 2014


Um cego entra numa loja para comprar uma tesoura. Como ele faz? Se você respondeu simulando tal objeto com os dedos indicador e médio, então você é um pouco como eu. 

Se alguém me perguntar algo começando com um “pense rápido” é certo que vou me enredar. Acho que é por isso que eu escrevo. Pensar rápido não é comigo. Preciso de tempo, uma rede e um violão para ficar tamborilando no tampo marcando o ritmo das ideias. Aí o pensamento flui, lenta e preguiçosamente como as obras da Copa.


Jamais eu poderia ser, por exemplo, um cirurgião. Embora tenham se preparando durante uma meia vida, eles, muitas vezes, precisam decidir, e agir, rapidamente em situações cruciais.

- Qual o procedimento, doutor?

- 5 ml propofol? Não, não! Acho que é melhor tiopental.

- Qual dos dois, doutor?

- Pensando bem, me traz o desfibri... – piiiiiiiii.



Sou o tipo de cara que sai de determinada situação com a sensação de que “poderia ter feito isso”, ou “poderia ter feito aquilo”. O tal do “por que não pensei nisso antes”. Decisões rápidas não são para qualquer um. Tem que ter uma boa dose de talento.

O Bruno. O Bruno é um cara que pensa rápido mesmo tendo bebido um mínimo de cerveja. Você sabe, o álcool embaralha o pensamento e trava a língua.  Pois o Bruno, numa dessas noites de lua incandescente do nosso verão candente, aceitou o convite de uns amigos para jantar. Conversa agradável, filé sumarento e 35 graus sob as estrelas - impossível recusar um ou dois copos de cerveja. 

Não era nem meia-noite quando Bruno entrou no carro para voltar para casa. Andou algumas quadras, dobrou aqui, virou ali e lá estava ela, com seus balões, cones, viaturas e bafômetros: a Operação Balada Segura. Bruno deu pisca pra direita, encostou ao meio-fio, pulou para o banco do carona, prendeu-se ao cinto de segurança e ficou ali, com a maior cara de paisagem noturna. Em poucos minutos surgiu um agente da blitz.

- Cadê o motorista do carro?

- Não sei, senhor. Ficou assustado quando viu vocês e saiu correndo. Parece que a carteira dele venceu ontem.

- Mas tu não podes ficar aqui. Tira o carro ou vou ter que multar.

- Mas não posso, senhor. Eu bebi um pouco.

O agente deu uma boa olhada no homem sentado dentro do carro e disse, depois de examinar a papelada:

- Tu me parece bem para dirigir. Dê meia volta e suma com esse carro daqui que estás atrapalhando a operação.

E rápido como um pensamento, Bruno desapareceu.

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quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Tizo e os 22



 Publicado no Diário Popular de 12 de Fevereiro de 2014

Quem diria! O Orkut vai muito bem, obrigado. Pelo menos é o que afirmam algumas matérias que circulam em informativos por aí. Seis milhões de brasileiros ainda gastam, em média, vinte e cinco minutos diários de seu tempo transitando pelas nem tão esquecidas páginas daquela que é considerada a primeira grande rede social. As vantagens do Orkut, segundo as tais matérias, são os fóruns e comunidades onde é possível debater sobre vários assuntos, enquanto que o Facebook, ainda segundo as reportagens, é mais utilizado para ostentação, exibicionismo e outras futilidades tais como divulgar cortes de cabelo e dotes culinários.
Lembro que, no Orkut, a gente usa uma frase que será exibida na página do nosso perfil, algo com um cartão de visitas. A minha, antes de deletar minha conta, era essa: Sou amigo dos meus irmãos e irmão dos meus amigos. Tenho muitos amigos, alguns do tipo que levanta na madrugada para ajudar a trocar o pneu do carro no meio do nada. Irmãos, tenho três. Sou da geração das famílias numerosas. Era normal, naqueles tempos.  Família grande é, geralmente, garantia de festas barulhentas e animadas, principalmente no fim de ano. Lembro dos Natais da minha infância, muitos tios, muitos primos, muitas crianças. Hoje é um pouco diferente. Um grande número de casais optam por um, no máximo dois filhos. Isso para não mencionar os casais que não querem saber de herdeiros. São os tempos modernos. Mas na casa da família do Tizo o Natal ainda é a moda antiga.
Sabe o Tizo? Mencionei essa cara no meu último texto. Pois o Tizo e seus irmãos, se resolverem jogar futebol, formam dois times. De campo! E ainda sobra um para apitar. Vinte e dois irmãos. Mas espere, fica mais interessante. Muitos desses irmãos casaram e tiveram filhos, e alguns tiveram filhos sem casar. O mais incrível: moram todos juntos. Uma antiga fazenda foi reformada para abrigar toda a grande família. É criança que não acaba mais. A maioria estuda na mesma escola, e em cada sala de aula tem dois ou três da família, todos bons alunos. Alguns deles têm o mesmo nome porque começou a faltar ideias para registrá-los, e a cada enchente na região eles reúnem a patota para uma contagem. Na casa todos deitam cedo, mas não é por disciplina. Ficam com medo de ficarem sem cama.
Tizo é um dos poucos irmãos que moram em outra residência. Nas festas de fim de ano ele mantém a tradição de montar cestas de presentes para as crianças da fazenda. No último Natal, quando chegou com dezenas de sacolas, bastou uma rápida olhada para a pequena multidão que se formou ao seu redor para perceber o problema. Do mesmo modo, uma quase centena de pequenos olhos somou as sacolas como um Rain Man nas mãos do Tizo. Logo ficou evidente que não haveria presentes para todos. Tizo, temendo o pior, balbuciou algumas desculpas e se mandou a tempo antes do linchamento iminente.
Assim é a família de Tizo. Você não a encontrará no Orkut e nem no álbum do Facebook. Estão ocupados demais jogando bola, brincando de pega-pega, soltando pandorga ou pescando nos córregos da fazenda. Bem como antigamente.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Minha Rápida Opinião Sobre...

...desativação da praça de pedágio.



A desativação da praça de pedágio entre Barra do Ribeiro e Guaíba trouxe alívio para o bolso dos motoristas, porém a preocupação com a segurança dos mesmos aumentou. É que o cancelamento dos serviços de cobrança na referida praça a transformou em um perigoso obstáculo, principalmente para quem viaja a noite, visto que o local ficou completamente às escuras. Um motorista desavisado só se dará conta da construção abandonada em plena BR116 quando já estiver a poucos metros das cancelas. Um verdadeiro perigo que coloca em risco a vida de viajantes.