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quinta-feira, 10 de abril de 2014

Pai Com Açucar



Publicado no Diário Popular de 11 de abril de 2014 

Sobrevoando a belíssima orla catarinense lembrei-me de quando voei pela primeira vez, criança ainda. Meu voo inaugural foi também no litoral, porém gaúcho, mais precisamente na praia do Cassino. A paisagem não era assim tão bonita, mas a sensação era infinitamente mais incrível, pois eu voava sem avião. Sim, leitores, eu voava sem avião! Era só prender uma toalha de banho nos ombros, à guisa de capa, e lá íamos nós – eu e meus irmãos – voando pelos céus do jardim de nossa casa de praia. Só que não. O verdadeiro super-homem não era nenhuma de nós crianças. O homem de aço era, mesmo, meu pai.

A película Super-Homem – O Filme estreou em 1978, mas acho que a assistimos no ano seguinte. Saímos do Cine Cassino impressionados com aquele super-herói que vestia cuecas por cima das calças. Durante a semana inteirinha passávamos nos braços do pai voando pelo pátio e perseguindo Lex Luthor. Meu pai me girava no ar, a capa atoalhada esvoaçando. Depois fazia o mesmo com meus manos.

Antes de voar sem turbina eu fui lutador de boxe. Assisti Rock: Um Lutador naquele mesmo cinema. E também, depois de ver o filme, eu era Balboa. Foi a vez do pai encarnar Apollo Creed.

Seu Darlan foi meu professor na escola. Educação física. Dirigia, naqueles tempos, um Ford Corcel branco, daqueles quadradinhos. Antes das aulas a gurizada se reunia lá em casa para aproveitar a carona até o ginásio. Tínhamos até um time: Corcel Futebol Clube. Foi neste mesmo carro que eu e meus irmãos aprendemos as primeiras noções de dirigibilidade. Sentados no colo do meu pai a gente pilotava pelas areias desertas da praia do Cassino, sempre no final de tarde para evitarmos o risco de atropelamento. Hoje não é mais assim. Os jovens completam 18 anos e precisam pagar uma soma considerável para aprender a dirigir em uma autoescola, onde muitas vezes assumem um volante pela primeira vez na vida. Nós tivemos sorte, meus irmãos e eu.

No entanto, voar, dirigir, boxear, pegar jacaré nas ondas do Cassino, tocar acordeão, fazer fogo, pescar e empinar pipa não foram as coisas mais importantes que aprendemos com nosso pai. Embora tenha sido meu professor no colégio suas maiores lições foram ensinadas dentro de casa. Lá aprendemos sobre o amor, sobre a amizade, sobre o respeito. Com meu pai aprendemos a ter paciência, a sermos tolerantes, a sermos generosos, a sermos humanos. Com meu pai aprendi a ser pai, e agora, com ele, estou cursando Como Ser Um Avô Exemplar. Ainda não chegou a minha vez de ser pai com açúcar, mas quando chegar a hora acho que saberei direitinho como agir com meus futuros netos. Graças a ti, pai. Feliz Aniversário!


 

2 comentários:

  1. que texto lindo e tocante, Maurício! Ter pai como o teu é o melhor presente de Deus em nossas vidas! Parabéns pra ele e pra ti, paizão com açúcar!
    :)

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    1. Obrigado, Marilda, meu pai é mesmo incrível hehe.

      Beijão pra ti, e um ótima Páscoa!

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