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terça-feira, 20 de maio de 2014

Aragogue

No Cruzeiro do Vale em 15 de agosto de 2014
No Diário Popular de 26 maio 2014 

Abri a porta para sair para o trabalho e lá estava ela, imóvel à

 soleira. Majestosa, imponente e horripilante. Tinha mais ou menos

 o tamanho de um CD. Não identifiquei a espécie. Caranguejeira só 

se fosse depilada. Pensei nas possibilidades: 1- arremessar minha 

maleta em cima dela. Visualizei rapidamente seu conteúdo. Uma 

calculadora HP, um tablet, óculos de leitura, suficientes para

 desistir da empreitada. 2 - uma vassoura! Assisti várias vezes

 minha mãe acabando com a raça de algumas aranhas com uma

 vassourada. Desanimei. A minha estava na rua - eu precisaria 

passar pelo bicho para pegá-la. Sim, podia usar a porta dos fundos,

 mas aí

 perderia Aragogue de vista. Saca Aragogue, a acromântula dos 

livros de Harry Potter? Pois, juro, essa era bem parecida. E se eu 

fosse buscar a vassoura e quando voltasse eu descobrisse que a

 aranha tinha sumido? Eu nunca mais teria paz nessa vida. Não! 

Um artrópode do tamanho da Oceania solto na minha casa é a

 última coisa que eu desejo. Recuei alguns passos, lento, olhos fixos

 no aracnídeo enquanto decidia o que fazer. Ouvi dizer que esses 

bichos podem saltar até 4 metros. Por instinto levei a mão ao

 pescoço. Aranha de Bran Stocker. Vai saber?! Fui à cozinha e

 peguei o tubo de DDT, ou algo genérico e voltei. Será que ela se

 mexeu? Está um pouco mais à frente, me parece. Sua perna de Ana

 Hickmann já dentro de casa. Estiquei o braço ao máximo, apontei

 e disparei. O veneno pegou de raspão. A danada passou correndo

 por entre minhas pernas e se abrigou embaixo do sofá. Com a porta

 liberada, voei para o pátio e voltei armado de vassoura. De quatro

 no tapete da sala eu consegui alcançá-la com as cerdas. Prendi-a

 contra a parede e quando afrouxei um pouco ela gingou para a 

cozinha. Estava um pouco grogue de veneno, mas poderia levar

 dias para morrer, ou até anos, talvez. Então tive uma ideia estúpida

 que aprendi nos filmes. Peguei o isqueiro em cima do fogão, o tubo

 de DDT e voilá, tinha agora um letal lança-chamas. Ela estava sob

 a mesa traçando seu plano de fuga. Porém, desta vez eu não

 erraria. Acendi o isqueiro, apontei e disparei pela segunda vez.

 Acertei em cheio. Então algo inesperado aconteceu. A aranha em

 chamas partiu para cima de mim como Nicolas Cage em seu

 flamejante Motoqueiro Fantasma. Corri de costas feito um

 zagueiro, tropecei na maleta que eu tinha largado no chão da sala e

 caí batendo com as costas na quina da mesinha de centro. Procurei 

o bicho e vi que ele continuava avançando, chamuscando todo meu

 tapete novo. Nunca tive tanta raiva de um inseto antes. A

 desgraçada ia botar fogo na minha casa. Consegui levantar e ela

 parou a um metro de onde eu estava. As chamas atingiam uns 

cinco centímetros. Estava viva, até acho que a ouvi gritar. Então fiz

 o que era pra ter feito antes: esmaguei a aranha com o pé. Calçar

43 tem que servir para alguma coisa.

Aragogue - Google Imagens

Google Imagens





2 comentários:

  1. Uiii que medo caro blogueiro! Não fosse pela trajetória do acontecido conter momentos aflitivamente engraçados, eu juro que não dormiria tão cedo hoje. Credo! Me pareceu aqueles filmes de suspense bem mequetrefes, que deixam a gente com ódio de se prender até o final sabe? Mas fico feliz que conseguiste te livrar da senhora oito patas. E quanto ao tapete... que bom que não não foram tuas calças. Arghhhh, vou tomar um chá de boldo! Bons textos!

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  2. Então, minha amiga blogueira, calço 41, na verdade, de modo que, na história real, tive que usar uma vassoura. Acertei em cheio!

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