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terça-feira, 24 de junho de 2014

Morro, Estrada e Copa


Publicado no Diário Popular de 25 de junho de 2014


A BR470 começa na BR101, em Navegantes – SC e termina 

em Camaquã – RS. Tem aproximadamente 470 km de 

extensão, e no Rio Grande do Sul recebe o nome de RSC 470.

 É uma rodovia de via simples e mal sinalizada, com alguns 

trechos sem pavimentação ou acostamento. É a principa

artéria do Vale do Itajaí, via de acesso ao porto da cidade de 

mesmo nome e ao aeroporto de Navegantes, em Santa 

Catarina. Somente no Vale Europeu - entre Gaspar e Indaial - 

até Rio do Sul, são verificados inúmeros acidentes, quase que 

diários, e a triste média de uma morte no trânsito a cada 

três dias. Este é o meu endereço: BR470, Blumenau – SC

 Vivo entre a rodovia e um morro, uma pedra gigantesca 

coberta de pasto e árvores. A proximidade é tanta, deste 

morro, que, ao sair de casa, preciso ter cuidado para não

 tropeçar em sua base rochosa. Morros, como se sabe, sobejam

 aqui na região do Vale. Épocas de chuvas – que parece ser o 

ano inteiro – sempre trazem preocupações, pois os 

deslizamentos são constantes. É também por causa deles, dos

 morros, que, sem uma parabólica, é praticamente impossível 

ver TV.

Não tenho parabólica, de modo que minha TVsó funciona em 

parceria com o aparelho de DVD. Problema nenhum, já que só

 assisto filmes. Mas e a Copa do Mundo?

Quando se aproxima o horário do jogo da Seleção o movimento na

BR470 estanca. Os carros, em fila, arrastam-se para um lado;

 rastejam para o outro. Eu participo, pois preciso achar uma TV

 para torcer pros caras do Felipão. Encontrei o bar Madrugadão já

 povoado. Cerca de 300 torcedores assistem ao jogo em 12

 televisores de led espalhados pelo local. O momento mais legal é 

quando, jogadores perfilados lá no gramado, toca o Hino Nacional. 

Aqui no bar todos de pé (a maioria de verde e amarelo), entoando

 os versos de Joaquim Osório Duque Estrada. Alguns em posição

 de sentido. Outros com a mão direita sobre o lado esquerdo do 

peito. Muitos erguendo um copo de chope ou de outra bebida

 qualquer. É o futebol promovendo o patriotismo. Naquele

ambiente ninguém pensa em corrupção, nem em salários baixos, 

juros altos ou estradas ruins. Ninguém pensa em manifestações ou

 em praticar atos de vandalismo. As pessoas ali presentes, crianças, 

jovens e adultos, só querem ver sua Seleção vencer. Querem

 olvidar seus problemas nem que seja por 90 minutos. Precisam

 esquecer as vicissitudes do Brasil País para aplaudir o Brasil

 Futebol. Desejam esquecer que por causa de entraves burocráticos 

e financeiros a BR470 aguarda, há mais de quatro anos, o início das

obras de duplicação. Congestionamento aqui o pessoal chama de

fila, e é pra lá que eu vou, em busca de uma televisão para assistir 

Brasil e Camarões tão logo eu envie este texto para o DP. Torço 

pela Seleção. Torço pela duplicação da rodovia. E torço, também, 

para que o “meu morrinho” resista como uma compacta linha de 

zagueiros a todas essas chuvas invernais.


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