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terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Nó na Garganta



Quando éramos crianças fazíamos aquela brincadeira das

 palavras difíceis: diga paralelepípedo!  Fale 

incostitucionalissimamente!  Enrolávamos a língua para articular

oftalmotorrinolaringologista. Recentemente me deparei na 

internet com esta palavra gigantesca: 

pneumoultramicrolascouscopicossilicovulcanoconiótico. Ok,

 essa palavra nem existe. É uma palavra, digamos, fictícia, mas

 parece que consta em algum dicionário por aí.

Desses citados, o vocábulo mais familiar é o

oftalmotorrinolaringologista, ou, o mais

 usual, otorrinolaringologista, que designa o médico 

especialista em nariz, ouvido e garganta, comumente chamado

 de otorrino. Foi esse profissional, o otorrino, que eu procurei 

na semana passada para examinar o um nó na garganta.

Expliquei a situação:

- Doutor, tenho uma bola na garganta. Não desce e nem sobe, 

tampouco dói. Também não atrapalha quando me alimento, 

mas a bola está ali, doutor, como um nó. Não um nó de 

marinheiro, ou de escoteiro. Parece mais um nó simples, cego, 

miúdo. Mas incomoda como gravata apertada, doutor.

 Falando em gravata, o senhor sabia que existem mais de mil

 tipos de nó de gravata? E eu que não sei fazer nem

 unzinho?! Por isso digo que o meu nó na garganta é o de meia 

volta, esse que qualquer criança sabe fazer.

Dito isso, o médico me mostrou uma cadeira e pediu que me

 acomodasse nela. Como bom profissional, examinou meu

 nariz e ouvidos, já que ele era um otorrinolaringologista. 

Terminada essa etapa que incluiu uma faxina completa, ele 

me indicou outra cadeira, essa ao lado de uma TV antiga, um 

videocassete (isso mesmo, um aparelho de VHS) e um 

apetrecho que não sei dizer o nome. Com um guardanapo de 

papel ele puxou minha língua até quase arrancá-la e com a 

outra mão introduziu goela abaixo uma haste com uma 

lente na extremidade. Pediu que eu cantasse com ele o 

A E I O U solfejando de Dó a Sol em duas oitavas. Lá pelo Mi

 eu já estava quase regurgitando. Então relaxávamos por 

alguns segundos e repetíamos o dueto mais uma vez.

Terminado o desconfortável exame, mostrou-me o vídeo. Não 

achamos nenhum nó. No entanto,

 conheci de perto a minha úvula e a epiglote. Não

 pudemos visualizar as cordas vocais – que a gente sabe que 

são, na verdade, pregas. Talvez nelas esteja esse nó. Não me 

admiraria nada. Do jeito que entoei as vogais com meio metro 

de língua de fora, vou ficar um bom tempo sem conseguir 

pronunciar 

pneumoultramicrolascouscopicossilicovulcanoconiótico.

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