Pesquisar neste blog

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

BelBellita no Vale das Borboletas



Conta a lenda que, há muito, muito tempo atrás, havia um lugar 

chamado Vale das Borboletas, habitado por belas criaturas aladas 

que coloriam os céus e campos da linda floresta com sua dança e 

magia. O Vale era um imenso mar de flores, das mais variadas

espécies e matizes.

Até que um dia, uma névoa muito densa, fria e cinza encobriu o

 vale sugando todas as cores e todos os sons, banhando o lugar em

 silêncio e sombras, e seus habitantes, antes tão acostumados com o

colorido e beleza do lugar, agora mal lembravam como era a vida

 no Vale antes da Névoa.

Borboletas feneceram, flores mirraram. Outras surgiram. Porém, 

todas impregnadas com a triste e monótona cor da nuvem cinzenta.

 Então, subitamente, um som há muito esquecido inundou o céu da 

floresta, atraindo a atenção dos habitantes do Vale. De onde vinha 

aquela música, aquele ritmo?, perguntavam-se.  De repente, todos a

 viram; uma enorme crisálida rompeu a densa névoa e desceu à 

floresta, suspensa por um brilhante fio de seda e pairando entre

 milhares de borboletas hipnotizadas com aquela fantástica 

aparição.

Bruna - BelBellita - Duquesinha do Carnaval - Pedro Osório - RS

E a mágica aconteceu. A seda se rompeu revelando a mais bela 

criatura que todos jamais viram. Batendo suas enormes asas,

 BelBellita, esse era seu nome, sobrevoou a floresta dissipando toda

 névoa e devolvendo lindas cores às flores e às milhares de 

borboletas que dançavam radiantes, contagiadas pelo alegre ritmo 

produzido pelo bater de asas da fada heroína.


Depois desse dia, as centenas de milhares de borboletas voaram 

pelo mundo inteiro, espalhando cores e flores, alegria e magia, a 

festa do carnaval.


quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Trecho de "Memórias..."




Perto da meia-noite alguém chegava à porta e  

 gritava o mais alto que podia para se fazer ouvir 

diante de tanta algazarra. 

(...)


Entrávamos na grande sala correndo e nos

 esparramávamos pelos sofás, no colo dos adultos, 

nos tapetes e almofadas pelo chão. Uma poltrona 

de veludo vermelho era colocada próxima à 

lareira enfeitada com fitas verdes e bolas coloridas. A expectativa era grande. Alguns dos pequeninos riam nervosos, outros já ensaiavam um choramingo assustado, mas ninguém arredava os olhos da cadeira vermelha. 

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Trecho de "Memórias..."

"O Natal se aproximava, e nestas alturas de dezembro a cidade era aos poucos abandonada por seus habitantes. Com o início das férias escolares e festas de fim de ano uma multidão se preparava para invadir o litoral.  Beto, um dos donos das madeireiras onde eu trabalhava, foi nesse embalo. Porém, antes de viajar, ele apareceu no meu quarto carregando uma tv e um aparelho de videocassete dizendo que eu poderia ficar com eles o tempo que quisesse.  Perto dali, na Avenida Assis Brasil, ao lado da lancheria Tarekos, a vídeo-locadora Broadway fecharia suas portas por trinta dias e lançou uma promoção do tipo “leve-quantos-filmes-quiser-e-pague apenas-uma-diária”. Durante aquele período eu vi todos os filmes assistíveis que a Broadway tinha para oferecer.

O Natal também levou Andrea. Justamente quando eu imaginava que aquela relação, afinal, poderia ter algum futuro. Suas frequentes visitas me alegravam, e seus beijos geralmente vinham acompanhados de uma salada de frutas, um sorvete ou outro mimo qualquer. Então, um dia, ela disse que iria passar as festas natalinas na casa de praia com a família, mas que no começo de janeiro voltaria para me ver. Realmente nos reencontramos, dez anos depois, em um almoço no centro de Porto Alegre. Demos boas risadas - eu, ela e a Tati - relembrando do passado. Foi a última vez que a vi."

(trecho de Memórias de Corredor - em construção)