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segunda-feira, 20 de julho de 2015

Sol e Eslrelas




Se tu falas demais? Um pouco. Mas eu gosto. Se bem que 

teve vez que eu quis te calar a boca com, sei lá, um beijo. 

Quando? Ah, algumas vezes. Sim, mais de uma. Não, agora 

não. Porque gosto de te ouvir falar, gosto da tua voz, nunca 

é demais. Pra compensar, sabe?! Faz tempo que não nos 

falamos. Aquele dia? Aquele dia não conta, foi muito rápido,

um quase nada, oi e tchau. No telefone? Não me dou bem 

com telefonemas, e foi só pra te dar um feliz aniversário 

mesmo, não foi exatamente como ligar pra conversar sobre 

tudo, ou sobre nada. E depois tu vais pra Londres, vamos 

ficar tempão sem nos falar. Irlanda, que seja. Quero 

conhecer Dublin, um dia. Os pubs, as músicas, a falta de

 sol, umidade, fog, bebedeira às três da tarde. Ah, é! Fog 

é em Londres. Vais gostar de lá, Londres ou Dublin.

 Espanha também é ótima. E França, Itália, Holanda... Sabia 

que em Amsterdã existem mictórios a céu aberto? É como

 fazer xixi nas árvores das praças, só que com permissão.

As mulheres? Ah, não sei, acho que só tem para os 

homens. Acho que é porque os homens bebem muito na

 Holanda. É, eu sei, na Irlanda também.  Vais gostar de lá. 

Lembrei, agora, que já te vi bêbada. Lembra? Faz tempo.

 Foi antes de eu querer te beijar para calar tua boca. Não,

 agora não. Agora só quero te ouvir. Vais ficar quanto 

tempo longe? Tudo isso? Ah, passa rápido. Vais gostar da

 Irlanda. Minha tia mora lá. Vou te dar o telefone dela. Ela já

 é bem velhinha, coitada, meio surda. Poderás falar

 bastante com minha tia sem correr o risco de ela querer te 

beijar para calar tua boca. Ai! Estou brincando. Não tem tia 

nenhuma na Irlanda. Mas seria bom se tivesse, pois aí tu 

irias poder ficar lá, na casa dela. Essa tia que eu não tenho 

falaria de mim pra ti, te contaria coisas de como eu era

 quando pequeno e tu, lá na ilha gelada, lembraria de mim, e

 então tu irias sorrir, e ela veria como teu sorriso é bonito e 

diria que bom que você veio pra cá, pois na Irlanda não 

existe sol, nem estrelas, mas agora tem o teu sorriso, que é 

o mesmo que ter o sol e as estrelas. E minha tia ligaria pra 

contar coisas de ti, e eu diria eu sei, tia, é bem dela mesmo.

 Mas eu não tenho uma tia na Irlanda, nem na Inglaterra. Já 

te falei que tu me lembra a Fermina Daza? Eu, Juvenal 

Urbino?! Não! Até me identifico um pouco com ele, aquela 

coisa de gostar de livros e de papagaios. Tive um, sabia? 

Bem, na verdade era uma caturrita, mas era verde, do

 mesmo jeito que é verde o papagaio do Urbino.  Eu estou 

mais para Florentino, apesar de eu não gostar de poesia e 

nem tocar violino. É que no livro é o Florentina quem 

espera, como eu irei te esperar. Mas agora sou eu que 

estou falando demais. Então, me beija e cala a minha boca.

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