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sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Fator 50

Protetor solar para o rosto. Orientação do profissional dermatologista. Tem que ser aquele com fator 50, toque seco. Passou receita.  De cara vi que ia gastar uma grana. Troço todo francês, cheio de avecs e sei lá mais o quê. Pura baboseira, pois as letras miúdas diziam que era made in Brazil. Deveria usar diariamente antes de sair de casa pela manhã. Não vai dar pra nada, pensei – a embalagem é menor do que um tubo pequeno de creme dental.
No outro dia, cedinho, sol brilhando, apliquei. Um creme marrom (base, soube depois) e sem aquele cheirinho de praia dos protetores convencionais. Fiquei com o rosto tipo manequim de vitrine, aquela tonalidade ocre desmaiado. Não dei bola, melhor isso do que doenças de pele.
Saí de casa para o trabalho. Antes de chegar na empresa a chuva começou a cair, calma como se fosse de confetes, porém, o sol já era e lá fiquei eu com o rosto parafinado.

Google Imagens


Na manhã seguinte, ao levantar, abri a janela como sempre faço e lá estava ele, o Astro-Rei, com toda sua grandiosidade e incandescência. Banho morno, café quente e protetor solar fator 50. Distanciei-me quinhentos metros de casa e já precisei acionar os limpadores do para-brisa. O sol ainda tentava, em um esforço de deus mitológico, lançar seus raios por entre as nuvens, mas sem êxito. Desta vez parecia que a chuva iria permanecer sobre nossas cabeças por um bom tempo.
E permaneceu. Quando acordei, no novo dia, ainda garoava. Dispensei o protetor e me fui à labuta. Por volta de 9 horas o sol apareceu com todos seus raios gama, ultravioleta e infravermelho, levantando vapor do solo e secando o asfalto em minutos. Assim é o clima aqui no Vale: louco!
Dois meses depois de comprar o protetor pseudofrancês que o médico receitou ele ainda está lá, praticamente cheio. Minha pele está protegida pela natureza, pelos longos dias de pouco – ou nenhum - sol e de muita chuva. O Itajaí-açu transbordou e inundou várias cidades do Alto Vale, que ainda estão se recuperando dos estragos duas semanas depois de as chuvas diminuírem bastante.
No entanto, as previsões não são nada otimistas. Para os próximos dias, novas inundações são esperadas. Tempo firme, mesmo, só lá para o fim de novembro. Só resta à população da região orar para que os prognósticos estejam errados e que as pessoas possam, enfim, se preocupar apenas como o uso do protetor solar que, pelas previsões de especialistas para o próximo verão, deverá ser de fator 50! 

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Cheguei!

(trabalho da Marina para a escola)



Estávamos em Osório aproveitando o fim de semana na casa dos padrinhos

 do meu pai. Era uma noite chuvosa do primeiro mês do ano de 2010.

 Naquele mesmo dia 16 de janeiro a gente tinha uma formatura pra ir, em 

Pelotas, mas como eu estava por nascer a qualquer momento, mamãe achou 

melhor a gente não se afastar muito de Porto Alegre, o que logo se mostrou 

ser a decisão acertada.

O jantar servido foi pizza e polenta frita – será que é por isso que eu gosto

 tanto de polenta?  Papai bebeu cerveja e mamãe escolheu suco de laranja, 

pois ela sempre cuidou de minha saúde, mesmo quando eu ainda estava na 

sua barriga.

Depois de jantar os adultos ainda ficaram um pouco à mesa conversando, e 

nessas alturas eu já podia ouvir os sons abafados que vinham lá de fora, lá 

daquele mundão que logo eu iria conhecer.

Perto da meia-noite foram todos dormir, e uma hora depois mamãe acordou 

o papai e disse: - a cama está encharcada. A bolsa tinha estourado. Eu 

estava chegando.

Minutos depois estávamos na autoestrada voltando para Porto Alegre. O 

carro seguia pela pista molhada pela chuva com papai um pouco nervoso

 ao volante e mamãe ao seu lado incrivelmente serena.

Fomos direto ao apartamento pegar as coisas que eu e mamãe precisaríamos

 usar depois do parto e rumamos para o Hospital Moinhos de Vento. Porém,

 naquela madrugada de domingo, não havia vagas na UTI para recém-

nascidos e fomos encaminhados para outro hospital, o Mãe de Deus. Pra 

piorar, a doutora que fez todo o pré-natal estava, justamente naquele fim de 

semana, entrando em férias. Ainda bem que ela deixou como sua substituta

 a doutora Letícia, que foi bem legal com a mamãe e comigo.


Colocaram minha mãe em uma salinha, e depois de uma longa espera eu, às

 nove horas da manhã do dia 17 de janeiro, vim à luz. Nasci! Toda

 vermelhinha e chorona. Meu pai tirou fotos até do primeiro banho que a 

moça do hospital me deu.

Só que eu nasci pequeninha demais, pois cheguei um pouco antes do

 previsto. Por isso não poderia deixar o hospital, seria necessário ficar mais

 alguns dias para que eu pudesse crescer e ficar mais forte. Mamãe ficou 

um pouco triste por não poder me levar pra casa, mas ela sabia que era o

melhor pra mim e não arredou o pé do meu lado, me dando amor, carinho e

 muito leite materno, que todo bebê precisa receber para crescer saudável e 

prevenir doenças.

Foram 15 dias na UTI neonatal, onde fui bem cuidada pelas enfermeiras e

 até fiz amiguinhos, pois tinha muitos bebês e mamães na mesma situação 

que a gente, inclusive gêmeos e até quadrigêmeos. Lá eu também podia

 receber visitas dos titios, das vovós e do vovô.

No dia 2 de fevereiro de 2015 voltamos pra casa, onde um bercinho todo 

lindo e cheiroso estava me esperando, e meus pais puderam, finalmente, 

comemorar minha chegada com muita alegria e amor.